Entrevista/ 5 questões a Pedro Borges, CEO e cofundador da Mercado Bitcoin Portugal

“Pessoalmente acho que vivemos tempos de muito pouca inovação”, afirma Pedro Borges, CEO e cofundador da Mercado Bitcoin Portugal. Para este profissional, as start-ups nunca devem menosprezar a extrema dificuldade de arranjar investidores.

Com dois anos de atividade, a fintech Mercado Bitcoin Portugal tem vindo a consolidar a sua estratégia de atuação na criptoeconomia nacional. Em abril do ano passado viu parte do seu capital ser adquirido pela holding brasileira 2TM, e em junho o Banco de Portugal aprovou a sua licença para prestar serviços de custódia de ativos virtuais. Especialista na área financeira e das criptomoedas, Pedro Borges partilhou com o Link to Leaders a sua visão sobre alguns aspetos relacionados com a atividade empreendedora.

O que é inovação para si?
Inovação é criar algo novo ou juntar algo que já existe e daí criar uma coisa nova. Exemplo de algo novo, a tecnologia Blockchain. Exemplo de juntar algo que já existe, o iPhone. Tudo o que não seja algo novo é uma melhoria ou um desenvolvimento, mas não uma inovação. Aliás, pessoalmente acho que vivemos tempos de muito pouca inovação. Assim de repente na atual década, talvez por andarmos distraídos com guerras, pandemias e taxas de juro, não me lembro de nenhuma verdadeira inovação.

“(…) competência chave é saber avaliar competências (…)”.

Qual a competência chave para exercer a liderança hoje em dia?
Hoje em dia e provavelmente intemporal, a competência chave é saber avaliar competências para só se terem pessoas competentes ao redor.

Uma ideia que gostaria de implementar?
Convencer o IGCP  [Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública] a investir em Bitcoin.

“Grandes ideias sem estarem fundamentadas num excel normalmente não atraem investidores dignos desse nome”.

Que argumentos não devem faltar numa start-up para atrair investimento?
Numa primeira fase, o modelo de negócio acompanhado de números que realmente validem a viabilidade do mesmo. Grandes ideias sem estarem fundamentadas num excel normalmente não atraem investidores dignos desse nome. Em qualquer das fases seguintes, novos desenvolvimentos dos bens ou serviços fornecidos devem sempre acompanhar novas rondas de capital. Buscar novo capital para o produto ou serviço que nada evoluiu relativamente à ronda anterior é pouco ou nada atrativo.

Erros que as start-ups nunca devem cometer?
Não criar produtos ou serviços que não sejam entendidos pelo mercado. Não fazer a menor ideia se o mercado realmente precisa do seu produto ou serviço. Nunca menosprezar a extrema dificuldade de arranjar investidores.

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