Entrevista/ 5 questões a Nuno Brito Jorge, fundador e CEO da Goparity

O fundador e CEO da Goparity partilha a sua experiência, visão de liderança e de inovação, e defende que “é importante que todos nós, incluindo as empresas, tenhamos um papel ativo na criação de um futuro mais sustentável e benéfico para todos”.

Com campanhas nacionais e internacionais em curso (recentemente fechou uma campanha de crowdlending para a Greenapsis, no México), a plataforma de financiamento colaborativo sustentável Goparity já leva uns anos de atividade – nasceu em 2107 -, e por isso a experiência e conhecimento do mercado empreendedor nacional justificaram o desafio lançado ao seu CEO, e um dos cofundadores da plataforma. Nuno Brito Jorge fala de inovação, de erros que as start-ups não devem cometer e de ideias que ainda gostava de implementar.

O que é para si inovação?
Inovação é o desenvolvimento de um processo, produto ou serviço que nos permite fazer algo de forma mais fácil, rápida ou eficiente. Tipicamente também, realizar de forma independente ou mais conveniente, atividades para as quais necessitaríamos de um profissional ou serviço. Diria que, no fundo, a principal grande vantagem que a inovação traz, não só para as start-ups, prende-se com a melhoria do status quo, na direção de processos mais eficientes e ecológicos – que considero ser, inevitavelmente, o futuro de qualquer tipo de negócio.

“Não acredito que o chefe “à antiga” ainda funcione”.

Qual a competência fundamental para exercer a liderança nos dias de hoje?
O mercado está cada vez mais ativo, competitivo e as pessoas cada vez mais formadas e competentes, o que me leva a crer que a competência mais relevante e crucial à luz dos dias hoje é a empatia e a capacidade de nos pôrmos nos pés do outro.

Não acredito que o chefe “à antiga” ainda funcione. É cada vez mais importante perceber de onde vêm e o que significam as necessidades dos colaboradores, assim como procurar antecipá-las. A verdade é que passamos uma grande parte da nossa vida a trabalhar, pelo que é fundamental que nos identifiquemos e estejamos confortáveis com o lugar onde estamos a construir o nosso futuro. Um dos principais focos da Goparity prende-se exatamente com esta questão: o alinhamento de valores é aquilo que constrói uma equipa coesa.

Uma ideia que gostava de implementar?
Tal como refiro com muita frequência, é importante que todos nós, incluindo as empresas, tenhamos um papel ativo na criação de um futuro mais sustentável e benéfico para todos. Assim, no que respeita à Goparity, gostaria que fôssemos capazes de atrair grandes quantidades de investimento institucional – empresas, fundos, etc. – para os projetos que financiamos.

Como humanidade, sonho com o dia em que formos capazes de tornar 50% do planeta reserva natural. Metade para nós, metade para a Natureza, intocável.

Que argumentos não devem faltar numa start-up para atrair investimento?
Em primeira instância, acredito que ter um produto robusto, uma equipa competente e orientada para os resultados e tração de negócio são fatores indispensáveis e a base para tudo o resto.

Além disso, aos dias de hoje, não podemos deixar de parte os resultados financeiros e, sobretudo, a faturação. Não se trata de deixar de investir em start-ups por aquilo que podem vir a ser, mas a verdade é que o contexto económico atual tem vindo a mostrar que é cada vez mais importante a capacidade que estas têm de apresentar um serviço ou produto pelo qual os clientes (o mercado) estão dispostos a pagar. E, claro, mostrar que com a solução desenvolvida por essa start-up se pode criar um negócio viável enquanto se contribui para um mundo melhor.

“(…) é importante escolher os investidores e acionistas que estejam alinhados com a estratégia da empresa”.

Erros que as start-ups nunca devem cometer?
Um erro muito comum que todos nós empreendedores cometemos é achar que vamos chegar a uma “velocidade cruzeiro”. Não existe! Mais a sério, é importante escolher os investidores e acionistas que estejam alinhados com a estratégia da empresa. É um erro partir do princípio que são os investidores que nos escolhem, e ainda pior, propor-se mudar o rumo da empresa para agradar a um potencial investidor.

Comentários

Artigos Relacionados