5 coisas sobre o futuro para ensinar aos seus filhos

“O futuro não está escrito em pedra. Não é inevitável. É teu para o moldares – e isso dá-me uma razão para ter esperança.”

Stephane Kasriel é diretor executivo da Upwork. O seu trabalho envolveu a construção de uma equipa de 300 engenheiros que trabalham a partir dos quatro cantos do mundo. Atualmente, o seu cargo é liderar a equipa já formada. Para além disto, é cochair para a educação, género e trabalho da Global Future Council on Education, um órgão do Fórum Económico Mundial.

Mas, mais importante que isto, é o seu cargo de co-CEO de uma família com quatro colaboradores entre os cinco e os 14 anos. Tendo consciência das alterações futuras no mercado de trabalho, com a entrada de nova tecnologia de apoio ao trabalho humano e a procura por novos cargos, Stephane acredita que há apectos importantes que devem ser transmitidos aos líderes do futuro.

Eis os cinco pontos transmitidos pelo diretor executivo da Upwork numa publicação na plataforma Medium:

1. “Os robots não vão tomar conta do mercado de trabalho (provavelmente)”:
Em 2017, a visão da inteligência artificial passava por uma máquina destruidora que ia “roubar” os empregos dos humanos e assumir o controlo do mundo. Como explica Stephane, estes robots eram vistos como o Terminator.

No entanto, este ano, a metáfora mudou. Em vez deste cenário, este tipo de tecnologia passa a assumir o papel de Iron Man. Uma nova forma de explicar o cargo de apoio e de complementaridade ao trabalho já desenvolvido pelos humanos.

A ideia é que a inteligência artificial passe por aumentar as capacidades dos humanos, de maneira a trabalharmos menos horas, de forma mais inteligente e disponibilizando mais tempo às tarefas realmente importantes do nosso trabalho.

2. “Vão ficar na escola o resto das vossas vidas”
A tese de Kasriel é que as competências exigidas pelo mercado de trabalho vão estar em constante mudança, pelo que será necessário estar constantemente a manter-se a par das novas tendências – algo que não será exequível com a educação tradicional.

Isto acontecerá devido à necessidade de nos mantermos a par das novas formas de interagir com a tecnologia. Segundo a Lei de Moore, o progresso tecnológico é exponencial, o que significa que – com a evolução – vão ser criadas máquinas mais inteligentes.

Algumas universidades já se estão a manter a par destas novas tendências e oferecem cursos de atualização face às novas necessidades do mercado.

Um estudo do Fórum Económico Mundial introduz a noção de que 65% das crianças que atualmente estão a entrar na escola primária terão empregos que ainda não existem hoje e que os sistemas de educação atuais não são capazes de as preparar para estas alterações. O relatório afirma ainda que 35% das competências de trabalho vão mudar em 2020.

3. “Podes ser o teu próprio patrão”
Atualmente, 50% das pessoas em idade ativa trabalham por conta de outrem, mas esta realidade poderá alterar-se rapidamente. Com o avanço tecnológico, será cada vez mais fácil trabalhar remotamente e para um mercado maior, uma vez que à medida que o trabalho se torna mais digitalizado, torna-se também menos “preso” a uma zona geográfica.

Além disto, o alcance de um mercado cada vez maior pode criar uma geração de empreendedores sem precedentes – que poderão trabalhar, com mais facilidade, para um mercado global.

4. “Foca-te nas competências sociais”
À medida que a automatização de processos avança, é importante que as pessoas continuem a criar valor no seu posto de trabalho – algo que não seja passível de ser realizado pelos robots.

Segundo Kasriel, empregos na área da programação, de análise de dados, engenharia e matemática vão continuar a ser importantes, mas o relatório “Future of Jobs”, do Fórum Económico Mundial, frisa que este tipo de competências técnicas não vão ser suficientes. Em vez disso, serão as competências sociais, como a inteligência emocional, persuasão e capacidade de ensinar outras pessoas, que vão ser importantes no mercado de trabalho do futuro.

5. “O futuro depende de ti”
Apesar de haver um medo irracional sobre o futuro, ninguém sabe com 100% de certeza as formas como a tecnologia vai evoluir. Outro estudo do Fórum Económico Mundial, intitulado “Eight Futures of Work: Scenarios and their Implications”, aponta para a incerteza tendo em conta os vários fatores que vão mudar a forma como nós trabalhamos e vivemos. Os sistemas de educação e as políticas de imigração estão nesta lista.

A esperança de Stephane é que somos nós a criar as máquinas, as escolas e os currículos dos trabalhadores do futuro.

“O futuro não está escrito em pedra. Não é inevitável. É teu para o moldares – e isso dá-me uma razão para ter esperança”, termina o executivo e co-CEO de uma família com quatro crianças.

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