Na adversidade temos sempre uma janela de oportunidade e 2021 parece ter-nos preparado para um novo ciclo de oportunidades que, com a devida adaptação, poderá trazer uma alavancagem diferente (mas positiva) às economias. Será 2022 um bom ano para os investidores e para as economias?

Vejamos por exemplo o caso dos mercados de capitais. Na sua maioria proporcionaram bons retornos em 2021, à medida que a economia global se foi curando de uma pandemia que vai para além do drama físico e que continua a ameaçar.

No entanto, nos últimos meses de 2021, os investidores concentraram-se nos riscos potenciais tanto para o crescimento económico quanto para os retornos provenientes dos próprios mercados.

A inflação está a complicar a política dos bancos centrais, a escassez de oferta está a afetar a produção económica e a Covid-19 continua a ser uma preocupação para consumidores, empresas e investidores sendo que 2022 está envolto em muita incerteza.

Ao mesmo tempo, a crise global alterou claramente as prioridades dos que nos governam e que definem as políticas publicas. Em muitos aspetos, a crise do Covid-19 assemelhou-se mais a um desastre natural do que uma recessão económica, e os governantes tiveram de se adaptar e, apesar de tudo, na maioria dos casos, responderam com firmeza.

Globalmente, os compromissos de gastos com uma suposta fase pós-pandemia totalizaram cerca de 17.6 trilhões de euros (20 trilhões de dólares), os níveis mais altos de gastos fiscais em relação ao PIB desde a Segunda Guerra Mundial.

Esta crise global, de certa forma, também ajudou a solidificar parte dos balanços das famílias e das empresas e acelerou a inovação. Em 2022, é com a aposta nesta nova realidade que se pode lançar as bases para um ambiente económico mais estimulante do que o crescimento lento e a fraca produtividade que caracterizaram grande parte das últimas décadas.

Estas mudanças podem ter consequências importantes e várias correntes estão em jogo definindo e direcionando investimentos, mas também realinhando geopoliticamente o mapa da economia global.

No Reino Unido a nova adaptação ao Brexit parece não dar descanso á estabilidade económica e aos mercados, o que não favorece a perspetiva dos investidores.

Nos Estados Unidos, a resposta da política monetária às pressões sobre os preços e ao estado do mercado de trabalho terá também uma importância acrescida para a estabilidade dos mercados.

Na China, a transição económica em curso apresenta riscos de entrar numa tendência de baixa, já no curto prazo. Desta forma, a economia global pode ter que se ajustar a um crescimento estruturalmente mais lento na segunda maior economia do mundo.

Na nossa Europa o controle das taxas de juro e os apoios diretos às economias, por via de Planos de Recuperação tem, entre outros objetivos, a necessidade de transmitir alguma segurança aos investidores. Mas com a Pandemia em estado galopante nada parece querer tranquilizar uma Europa, apesar de tudo, unida.

Aliás no caso da União Europeia (UE) esta dispôs-se a gastar mais de 2 trilhões de euros até 2027 para se reconstruir após pandemia, o que não parece ainda ter fim à vista. As áreas definidas pela UE para receber este massivo investimento incluem a inovação digital, a investigação, os investimentos centrados no clima e os programas de preparação/prevenção para a pandemia.

As rígidas regras fiscais também foram suspensas por dois anos. No entanto, o apoio contínuo do Banco Central Europeu parece ser um fator fundamental para ajudar a manter custos de empréstimos para a grande maioria dos Estados Membros. Para além disso com o aumento da inflação e a previsível subida dos preços outros problemas podem começar a surgir.

Enquanto os problemas estruturais associados à união monetária persistem, a pandemia parece ter tido o resultado de ter uma Europa mais integrada o que, no curto e médio prazo, pode ser visto, apesar de tudo, como um ambiente mais favorável ao mercado e à economia.

Globalmente, a trajetória desta Pandemia, também ela com desconhecidas variáveis (veja-se a nova variante Ómicron), continuará a ter enorme impacto na economia.

No entanto e apesar da incerteza, existem oportunidades que surgem da inevitável interação das economias com os mercados. O melhor aproveitamento destas oportunidades leva os investidores a concentrarem-se no equilíbrio entre os mercados escolhidos para investir, o nível de investimento, a estrutura desse investimento e a tolerância ao risco.

Por outro lado, espera-se também que os governos façam a sua parte e por via da atração de investimento estrangeiro e estímulo às empresas, com vista a aumentarem a sua produção, a procura seja impulsionada refletindo-se num crescimento económico de 2022 em diante.

No meio de tudo isto o estímulo à poupança não deve ser descurado devendo investir-se em políticas públicas que reforcem a poupança em vez das tradicionais políticas de estímulo ao consumo (sem estímulos de aumento da produção) que levam, inevitavelmente, a um aumento do endividamento das famílias.

A economia global deve preparar-se e resolver os seus problemas estruturais, estando desta forma perfeitamente habilitada a enfrentar os problemas conjunturais e os novos desafios. Temos de sair mais fortes desta Pandemia e 2022 deve representar o início desta nova era que só pode ser de crescimento para a economia.

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Rodrigo Gonçalves nasceu em 1974, em Lisboa. Gestor de Negócios, empresário, consultor em liderança e gestão de equipas e um empreendedor apaixonado e resiliente. Licenciado em Ciência Política pela Universidade Lusíada, Mestre em Ciência Política, Cidadania e Governação pela Universidade... Ler Mais