Terminámos mais um ano. Um ano difícil, sobretudo porque toda a nossa vida teve de se readaptar num “piscar de olhos”. Nem sequer houve tempo para planear, analisar a melhor opção, deixar para mais tarde!

De um dia para o outro, literalmente, a nossa vida e as nossas rotinas, mudaram, algumas de forma drástica. Mas acima de tudo, houve (e ainda há) uma constatação em todos nós: o quão somos vulneráveis e o quanto dependemos uns dos outros. Passamos a dar importância, verdadeira importância, a coisas que antes tomamos por garantidas, como, por exemplo, a nossa liberdade. Liberdade de circular, de fazer, de simplesmente ir comprar pão à loja da esquina.

A nossa saúde, o bem-estar dos nossos filhos, da nossa família e dos nossos amigos, nunca ganhou uma dimensão de tal importância. De repente, tudo o que representava o material, passou a ser o de somenos nesta história toda. Uma vulnerabilidade coletiva trouxe à tona das nossas vidas, outros valores e atitudes: ajudar a servir o outro. Toda a comunidade médica foi incansável, mas também o vizinho que se disponibilizou a ir às compras para os vizinhos mais idosos. Tantos episódios poderiam aqui ser relatados.

Albert Schweitzer disse: “Só são verdadeiramente felizes aqueles que procuram ser úteis aos outros. “Não há nada mais enriquecedor e gratificante do que passarmos de uma vida em busca de sucesso para uma vida dedicada a encontrar um propósito. A melhor forma de encontrar um propósito é questionar a si mesmo: “Como posso ser útil?”

Um proverbio chinês diz: “Um pouco de perfume sempre fica nas mãos de quem oferece flores.” Quem age de forma generosa, sempre recebe algo de volta. Quando agimos com bondade, sempre sobra algo de bom para nós. Servir os outros traz uma vida de felicidade, abundância e satisfação pessoal.

Servir não se trata de ser subserviente. Servir é nobre e está na nossa natureza. O nosso Papa Francisco disse: “Os rios não bebem a sua própria água; as árvores não comem dos seus próprios frutos. O sol não brilha para si mesmo; e as flores não espalham sua fragrância para si. Viver para os outros é uma regra da natureza. (…) A vida é boa quando você está feliz; mas a vida é muito melhor quando os outros estão felizes por sua causa”. Nada vive para si mesmo. Causar impacto positivo na vida do outro, é servir.

Voltando a citar Albert Schweitzer: “Não sei qual será o seu destino, mas uma coisa eu sei: os únicos dentre vocês que serão realmente felizes são os que procurarem e encontrarem um meio de servir”. O ano de 2020 deixou-nos espaço para nos questionarmos “Como posso me tornar útil? Como posso servir o outro? E o ano que entra, ainda mais espaço para trocarmos uma vida de egoísmo, por uma atitude de compaixão pelo outro, empatia e de “olhar para e pelo outro”.

2020 trouxe-nos lições de resiliência, persistência e determinação que jamais esqueceremos. Ajudou-nos a construir uma melhor versão de nós próprios, seja porque vimos a nossa vulnerabilidade e a dos outros de frente, exposta, e de igual para igual, seja porque, percebemos que servir o outro, nos traz felicidade e significado às nossas vidas.

Um 2021 cheio de luz, força e determinação para juntos servirmos as nossas famílias, as corporações onde trabalhamos, os nossos amigos, os nossos vizinhos, o nosso bairro, a nossa cidade, a sociedade e o mundo.

“Lembre-se de que só existe um tempo importante e este tempo é agora. O presente é o único tempo sobre o qual temos domínio. A pessoa mais importante é aquela que está à sua frente. E a coisa mais importante é fazer essa pessoa feliz.” – Thich Nhat Hanh

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