15 formas de explorar o design que melhoraram a experiência do consumidor

Recorrer ao design para desenvolver um serviço ou produto é uma oportunidade para melhorar a experiência do consumidor, defende a agência brasileira CBA B+G, que divulgou um relatório, onde partilha exemplos aplicados por marcas mundialmente conhecidas.

A CBA B+G, agência brasileira de branding e design que integra o grupo WPP, analisou diferentes elementos, aplicações e projetos de empresas realizados nos últimos anos, e enumerou 15 formas de explorar o design que melhoraram a experiência do consumidor.

A lista foi dividida em cinco áreas – Meio ambiente, Acesso, Empoderamento, Bem-Estar e Sociedade – e apresenta exemplos práticos e caminhos a seguir para as marcas que procuram desenvolver produtos ou serviços durante este ano.

Respeitar o meio ambiente

1. Pegada de carbono 
Com os olhos postas na redução das emissões de combustíveis fósseis, cada vez mais empresas estão a adotar métricas de carbono, destacando o seu compromisso nos rótulos, embalagens e na comunicação dos seus produtos.

Nos EUA, a marca de cuidados de pele Cocokind adotou um rótulo com informações sobre sustentabilidade (emissões de CO2), como se se tratasse de um rótulo com dados nutricionais. No Brasil, a marca No Carbon, de produtos à base de leite, apresentou um certificado de produto orgânico, além de estampar o seu compromisso no nome.

2. Novos ciclos
Empresas e comunidades têm encontrado maneiras criativas de repensar os seus produtos, seja via reciclagem ou através da criação de novos formatos. Reaproveitar materiais ou sobras tornou-se uma tendência. Além disso, as marcas têm oferecido recompensas aos clientes que aderem à causa.

A linha Natural Extracts, da Colgate, disponibilizou na América Latina o produto em tubo reciclável. Nos EUA e na Europa, o Ikea lançou um programa de recompra de móveis usados, pagando aos clientes até 50% do valor original. Os telemóveis da Apple deixaram de ser comercializados com carregador ou auriculares, reduzindo significativamente o lixo eletrónico.

3. As embalagens importam
Com o aumento do ecommerce, a experiência de unboxing ganhou uma maior relevância. As pessoas estão atentas às marcas que entregam produtos com uma abordagem mais sustentável.

A empresa norte-americana Allbirds repensou a caixa dos seus ténis para que a embalagem fosse eficaz no transporte da loja para a casa do consumidor, mas ao mesmo tempo servisse para o envio pelo correio, dispensando outros materiais. Na Índia, a Nívea e a Amazon lançaram uma caixa 100% reciclável, sem nenhum plástico e com o mínimo de material para uma experiência fácil e sem culpa.

Promover o acesso

4. Let’s get phygital
Depois do aumento das compras online – uma exigência da pandemia -, o regresso às lojas físicas pede experiências estreitem cada vez mais a separação entre o físico e o digital. O futuro do retalho é phygital. É disso exemplo a expansão nos EUA da Amazon Go, em formato de loja de conveniência. A rede conta com um sistema sem caixa, que combina câmaras no teto e sensores de peso nas prateleiras para rastrear clientes e produtos à medida que se movimentam pela loja. O pagamento é realizado via mobile.

A fim de criar uma experiência verdadeiramente interativa, a Burberry lançou, em 2021, uma nova loja phygital em Shenzhen, na China, permitindo que os clientes mergulhassem no universo da marca através dos seus telemóveis.

5. Expansão virtual
Com ferramentas capazes de combinar diferentes realidades e inspiradas no mercado dos jogos , as marcas estão de olho no metaverso e têm encontrado novas formas de também estarem presentes no universo virtual. No ano passado, a Havaianas inaugurou uma ilha no Fortnite, semelhante a um chinelo, e lançou uma coleção colaborativa, fazendo parte do jogo de forma orgânica.

No Brasil, a loja McDonald´s da Av. Paulista foi recriada no Minecraft e no The Sims 4, onde os utilizadores podiam fazer scan de um código QR para obter um cupão do McDelivery. Outro exemplo é a experiência Roblox “Off The Wall” que dá às pessoas a oportunidade de explorar diferentes sites de skate com amigos, personalizar e, claro, mostrar o seu estilo Vans.

6. Pontos de recargas
Marcas de diferentes categorias estão a tornar o reabastecimento mais acessível, oferecendo estações de recarga em lojas e experiências que incentivam as pessoas a adotar um novo estilo de vida. A Unilever lançou o seu maior teste de recarga de supermercados na Europa. Começando num único supermercado Asda, no Reino Unido, os clientes foram incentivados a reabastecer a embalagem de sete produtos principais da Uniliver.

Anos depois de inovar com um projeto-piloto de estação de recarga móvel em Santiago, no Chile, a start-up Algramo está a apostar na sua expansão para Nova Iorque e Mumbai, em parceria com as marcas Purina e Unilever. Na Austrália, o primeiro outlet de ‘beleza recarregável’ do país oferece produtos recarregáveis da sua própria linha e uma seleção de marcas “Foile Friends”.

Apostar no empoderamento

7. Abraçar a diferença
O The World Bank Report aponta que 15% da população mundial tem algum tipo de deficiência. Por isso, não é de admirar que haja cada vez mais empresas a pensar no design dos seus produtos para que estes sejam acessíveis a um maior número de pessoas e que apresentem uma narrativa que chega a públicos muitas vezes renegados.

Nos EUA, a Unilever desenvolveu o primeiro desodorizante inclusivo do mundo desenvolvido para pessoas com deficiência visual e nos membros superiores. E a Nike lançou o Flyease, ténis que podem ser calçados e tirados sem o uso das mãos.

No Reino Unido, o Royal National Institute of Blind People desenvolveu um protótipo de teste de gravidez acessível. Um pequeno motor levanta uma série de saliências na parte superior, se a pessoa estiver grávida.  No Brasil, a Maggi preparou um guia sensorial de culinária para pessoas com deficiência visual, desenvolvido em parceria com a Fundação Dorina Nowill.

8. All inclusive
Mais do que nunca, a diversidade e a inclusão fazem cada vez mais parte do posicionamento das marcas. A Unilever anunciou  a retirada da palavra “normal” de todas as embalagens e publicidade das suas marcas de beleza e cuidados pessoais. Uma Barbie com uma prótese na perna e outra em cadeira de rodas reforçaram a diversidade do portefólio da marca, que já incluía uma boneca sem cabelo.

A Lego lançou, no ano passado, a “Everyone is Awesome”, uma coleção inspirada na icónica bandeira do arco-íris que apresenta 11 figuras monocromáticas, cada uma com a sua própria cor da bandeira LGBTQIA+.

9. Faça você mesmo (DIY)
Pesquisas sobre “Como fazer” dispararam no Google após o surgimento da pandemia de Covid-19. Como podem as marcas oferecer mais liberdade e personalização aos consumidores?

A Adidas apresentou, no ano passado, mais um dos seus conceitos originais de sapatilhas e, desta feita, revelou que os novos modelos podem ser personalizados com peças da Lego. Os ténis são de corrida e chamam-se Ultraboost DNA.

Nos EUA, um serviço de farmácia veterinária com sede em Nova Iorque personaliza prescrições para a raça, tamanho e sabores preferidos do animal, ao mesmo tempo que fornece entrega no mesmo dia. Em França, a marca de cosméticos Nidé paga aos seus clientes para que ajudem a criar produtos. O processo vai desde o conceito até o desenvolvimento do produto final.

Potenciar o bem-estar

10. Apenas relaxe
Os transtornos mentais são muito mais comuns do que pensamos, tendo piorado com a pandemia de Covid-19. As marcas estão a começar a abordar esta questão, oferecendo produtos e criando narrativas para ajudar a quebrar o tabu. A era de ignorar a saúde mental e emocional está a chegar ao fim.

Nos EUA, a PepsiCo apresentou a Driftwell, uma bebida funcional de água que contém L-teanina, com sabores inspirados na experiência de spa e que promove o relaxamento. Na Austrália, o KitKat fez uma parceria com uma instituição de prevenção ao suicídio, a “R U OK”, convidando os consumidores a participarem em conversas.

11. Modo vibrante
Com muitos países a aliviarem as medidas de restrições por causa da pandemia de Covid-19 e o desejo de regresso à vida “normal”, surgem ideias para encontros ou reencontros, festas e comemorações.

A marca americana Magic Spoon oferece uma versão adulta das clássicas caixas de cereais, com identidade de marca pouco convencional, que destaca cores vivas e elementos gráficos modernos. Felicidade e indulgência surgem como principais benefícios. A United Sodas apresentou um design minimalista vibrante com uma paleta de cores variada e tipografia simples para reinventar a categoria de refrigerantes, com i12 sabores e apenas 30 calorias

A Fleur Marché apresentou adesivos de bem-estar à base de plantas para uso diário. A marca usa cores ousadas e mensagens provocantes para levantar os ânimos.

12. Viva a nostalgia
Depois dos “tempos estranhos” provocados pela pandemia, muitas pessoas estão a reviver os elementos do passado. Diversas marcas estão a explorar esta nostalgia através do design ou de novas versões de produtos.

O rebranding global do Burger King é um exemplo. A rede investiu num logo rétro inspirado na identidade e nos elementos gráficos das décadas de 1970 e 1980, homenageando a sua herança e o seu lugar icónico na cultura de fast food.

Ao fazer scan de um código QR na caixa de pizza de papelão da Pizza Hut, os clientes podiam jogar uma versão de realidade aumentada (AR) do Pac Man.

Melhorar a sociedade

13. Touchless
A crise provocada pela Covid-19 impactou profundamente a maneira como interagimos com os espaços públicos. Dos espaços de trabalho aos hotéis, lojas e restaurantes, as novas soluções, especialmente as que não exigem contato físico direto, geram não apenas conveniência, mas também uma maior sensação de segurança.

A Diesel lançou uma coleção com tecido em Polygiene, tecnologia que promete prevenir até 99% dos vírus. A Rubbermaid apresentou uma nova variedade de recipientes de armazenamento de alimentos com SilverShield® para proteção antimicrobiana.

A Matter lançou nos EUA um revestimento antimicrobiano que oferece proteção contra 99,9% dos micróbios nas superfícies. Pode ser aplicado em caixas de transporte, embalagens, têxteis, transporte público, entre outros. A Pasabahçe, principal marca de vidros da Turquia, lançou o vidro com tecnologia antimicrobiana V-Block.

14. Neutralidade, não
As marcas protestam contra políticas governamentais numa tentativa de agir por uma sociedade melhor, mais inclusiva e justa. A neutralidade não é mais aceite pelo público.

O case “True Name”, da Mastercard, reflete esta postura. Para muitos na comunidade LGBTQIA +, o nome no cartão de crédito, débito ou prépago não reflete a sua verdadeira identidade. True Name permite colocar o nome que a pessoa deseja.

O arroz Uncle Ben’s recebeu um novo nome e um novo logotipo sem a imagem. A imagem foi criticada por evocar servidão e perpetrar estereótipos raciais.

15. Comunidade branding
As marcas estão a unir esforços em prol de uma sociedade melhor. A Amplify Latinx, da Snacknation (EUA), oferece uma caixa de snacks que reúne apenas produtos de marcas de origem latina, indígena, negra e de empresas fundadas por mulheres. 5% dos lucros são doados para a Techqueria, uma organização sem fins lucrativos que apoia a Latinx in Tech.

A Booshop é uma plataforma norte-americana com a missão de apoiar financeiramente livrarias locais independentes. As livrarias recebem todo o lucro do pedido. Caso contrário, o pedido contribuirá para um pool de ganhos que será distribuído entre livrarias independentes.

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