Confira alguns truques para ler mais livros. Os conselhos vêm de Neil Pasricha, um autor bestseller que lê mais de 100 obras por ano.

“Tenho de ler mais, mas não tenho tempo.” Reconhece esta frase? É provável que se adeque a si. A falta de tempo, a sobrecarga de trabalho e chegar ao final do dia, depois de ler dezenas, senão centenas, de emails e mensagens, pegar num livro não parece ser a melhor opção para passar as últimas horas antes de se ir deitar.

Não está sozinho nesta luta. Neil Pasricha, autor bestseller do The New York Times com seis livros sobre resiliência, fracasso, felicidade e confiança, também já passou por isto. Contudo, ao contrário da maioria das pessoas, este escritor que dá mais de 50 palestras por ano decidiu encontrar uma forma de combater a dita falta de tempo para começar a ler mais.

Se em 2016 só era capaz de ler cinco livros por ano, “quando tinha sorte”, atualmente já “devora” mais de uma centena de livros anualmente. Pasricha partilhou em dois artigos no Harvard Business Review os métodos que utilizou para atingir este marco.

Centralize a leitura em sua casa

Qual é a principal distração da sua sala de estar? Se, tal como o autor, é a televisão, pense em mudar este aparelho de divisão. Neil escreve que mudou a “caixinha mágica” para uma divisão pouco utilizada e que colocou uma estante com livros no hall de entrada. Desta forma, sempre que chega a casa encontra a sua coleção de livros – que pode ser levada para a sala de estar sem ter a tentação de ligar a televisão.

Torne pública a intenção de ler mais

No livro “Influence: The Psychology of Persuasion”, Robert Cialdini partilha um estudo que mostra que quando as pessoas apostam numa corrida de cavalos, ganham automaticamente mais confiança no cavalo em que colocaram o seu dinheiro. Por este motivo, Pasricha argumenta que devemos abordar o hábito de leitura da mesma forma. Criar uma conta num fórum dedicado ao universo dos livros, fazer parte de um grupo de leitura ou criar uma lista de emails onde expõe as suas críticas às últimas leituras.

Procure listas de livros de confiança

A indústria dos livros mais de 50 mil títulos por ano. Dificilmente vai conseguir ler as capas de 1,000 obras todas as semanas. É por este motivo que existem as críticas e os algoritmos a trabalhar nas lojas de ecommerce, que lhe recomendam livros com base nas suas últimas compras. Embora estes últimos sejam bons indicadores daquilo que poderá ler a seguir, há outros meios de encontrar títulos apelativos fora da sua zona de conforto.

Pasricha recomenda a criação da sua própria lista de livros – para que possa partilhar com os seus amigos que precisam de boas recomendações de leituras. Contudo, caso ainda ninguém do seu círculo mais fechado tenha começado a fazer isto, existem sempre as listas de pessoas conhecidas, como a de Bill Gates ou a de Tim Ferriss.

Mude o seu mindset em relação a desistir

Qual é o seu rácio de livros terminados/livros que desistiu de ler? É provável que tenha deixado mais livros a meio do que livros terminados. O autor aconselha a ser mais resiliente para não deixar de ler os livros com tanta facilidade.

Contudo, vão sempre surgir títulos apelativos nas prateleiras das livrarias que depois acabam por não corresponder às nossas expetativas. É a pensar nestas situações que Neil explica que é importante ler as primeiras cinco páginas para testar o tom, o passo e a linguagem do autor. A partir desta estratégia não se terá de comprometer com autores que acabam por o desiludir e mais dificilmente desistirá do livro a meio.

Leia as notícias “por alto” e redirecione o seu dinheiro

Pasricha conta também que sempre esteve subscrito ao The New York Times e a cinco revistas durante anos. Isto aconteceu até ao dia em que voltou de férias para casa e se apercebeu do tempo que perdia a ler temas pouco aprofundados. O resultado de tal descoberta levou-o a cancelar todas as subscrições e a começar a ler as notícias mais relevantes e que resumiam toda a matéria necessária.

A soma de todos estes serviços chegava a valer 500 dólares num ano – um valor que paga 50 livros. “O que preferia ter daqui a dez ou 20 anos, uma coleção de livros premiada com a qual aprendi durante anos… ou uma pilha de jornais antigos?”, conclui.

Mude constantemente os livros da sua estante

Tal como a maioria das pessoas, a estante de livros de Neil foi durante anos um objeto de decoração que não se alterava. “Agora penso nela como um organismo dinâmico. Sempre em movimento. Sempre a mudar”, conta. Em casa de Pasricha os livros estão em constante deslocação. Se numa semana são introduzidos cinco novos títulos na estante, saem outros quantos que são emprestados ou dados a amigos, família ou vizinhos. O resultado desta iniciativa são mais viagens à estante – que, por consequência, resulta em mais tempo de leitura.

Leia livros físicos

Porque não ler num aparelho eletrónico? O argumento de Neil passa por ter uma espécie de organismo (estante) em visível crescimento em casa – se seguir os passos anteriores. Para além disto, numa altura em que passamos mais horas do que nunca à frente de um ecrã, é sempre bem-vinda uma mudança para algo físico e em que podemos realmente tocar sem ter uma luz apontada à cara.

A acrescentar a isto, ao ler em computadores, tablets ou smartphones pode estar facilmente exposto a distrações de notificações do email, das mensagens ou das redes sociais.

Aproveite todos os minutos do seu dia

Voltando à pergunta de partida: “não tem tempo para ler?” Um amigo de Neil contou-lhe que Stephen King, o conhecido autor de histórias de terror, aconselhou as pessoas a lerem pelo menos cinco horas por dia. “Quem é que consegue fazer isto?”, questionou-se. Anos mais tarde, a mesma pessoa que colocou a pergunta encontrou Stephen King numa fila para o cinema. Durante a fila e mesmo quando estava à espera que o filme começasse, o célebre escritor esteve “colado” o tempo todo a um livro.

Neste sentido, o conselho de Neil passa por utilizar todos os minutos mortos dia para ler um pouco. Eventualmente, as páginas vão acumular-se.

Viva dentro do mundo dos livros

Da mesma forma que os trabalhadores dos escritórios da Google têm os snacks saudáveis à mão e os pouco saudáveis escondidos, Pasricha descobriu que se tiver uma pilha de livros na mesa à frente do sofá ou no banco de trás do carro os seus filhos têm mais predisposição para pegar neles e folheá-los. Experimente esta estratégia em sua casa.

Utilize luz vermelha quando lê na cama

A sugestão é estranha, mas segundo um estudo da The Sleep Health Foundation of Australia, a luz vermelha ajuda na produção de melatonina – uma hormona comummente utilizada em comprimidos que ajudam no sono. Em oposição, as luzes claras têm o efeito oposto.

Torne o seu telemóvel menos viciante

Os telemóveis estão propositadamente desenhados para nos roubaram o máximo de atenção possível. Este conselho está intrinsecamente ligado ao de “aproveitar todos os minutos do dia”, visto que grande parte deles são perdidos a olhar para este ecrã de bolso e a fazer scroll pelas infinitas redes sociais.

Como resistir a esta tentação? Algumas das dicas de Pasricha passam por retirar todas as aplicações do ecrã principal, em não reparar o ecrã partido e em ter o “modo de voo” ativo quando estiver no quarto (caso precise de ter o telemóvel nesta divisão – caso contrário, deixe-o noutro sítio da casa).

Utilize a classificação decimal de Dewey

Mesmo que a sua estante de livros seja um organismo em mutação, convém estar organizada. Como é que organiza a sua? Por cores, títulos, ordem de compra…? Há um motivo pelo qual as bibliotecas e as livrarias utilizam a classificação decimal de Dewey. Este sistema organiza os livros por área. Ao utilizá-lo, os benefícios passam por fazer ligações entre os vários títulos, facilitar a procura por uma obra em específico e aumentar a leitura, na medida em que não está à pesca de livros de diferentes áreas.

Pode utilizar ferramentas online para facilitar esta tarefa, como a classify.oclc.org.

Utilize podcasts e o YouTube para resolver o dilema do próximo livro

Quanto tempo demora a encontrar o seu próximo livro? É a pensar neste problema que existem podcasts como o “What Should I Read Next?” ou a “Get Booked”. Neil Pasricha tem o seu próprio podcast, intitulado “3 Books” e onde convida várias pessoas para recomendarem alguns títulos.

Fale com os funcionários das livrarias locais

Pasricha acredita que os humanos são os melhores algoritmos de recomendação. É por este motivo que desenvolveu uma relação com os funcionários das livrarias locais, que já sabem exatamente que estilo de livros o autor gosta. O escritor aconselha qualquer pessoa a tentar fazer o mesmo com as lojas mais próximas.

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