O que fazer quando o tempo não convida a passeios no exterior? Escolha fiéis livros de companhia. Dos que falam sobre temas atuais e que a todos preocupam até às tendências económicas, industrias e comportamentais, conheça 11 obras que vai querer ter por perto neste outono.

Conhece aquela sensação de bem-estar depois de apanhar sol numa esplanada? A exposição à radiação UV dá-nos um ânimo natural e estimula a libertação de substâncias (como a serotonina, dopamina e beta-endorfinas) que nos fazem sentir bem. No entanto, quando os dias cinzentos chegam, somos quase obrigados a refugiar-nos em casa para evitar a chuva e o frio. Há mesmo quem se sinta desanimado, deprimido e sem energia. E sem saber o que fazer.

A pensar nestes dias, o site Shareable sugere 11 sugestões para pôr as leituras em dia sobre assuntos recorrentes e sobre as tendências económicas, comportamentais, industriais que estão a marcar a atualidade.

1. “Free, Fair, and Alive: The Insurgent Power of the Commons”, de David Bollier & Silke Helfrich
O livro “Free, Fair e Alive” apresenta uma visão alternativa sobre bens comuns, o sistema social autoorganizado que a humanidade usa desde sempre para responder às suas necessidades. Esta obra fornece uma síntese nova e não académica dos bens comuns contemporâneos escritos para um público popular e voltado para ativistas. Os autores defendem que podemos ser pessoas livres e criativas, que nos podemos governar através de instituições justas e responsáveis, e experimentar a vitalidade da presença humana autêntica.

2. “Changemakers: The Industrious Future of the Digital Economy” de Adam Arvidsson
Esta obra argumenta que, à medida que o capitalismo industrial entra num período de crise prolongada, emerge um novo paradigma de “modernidade industrial”. Esta modernidade é baseada no empreendedorismo em pequena escala, nos bens comuns e orientada para o mercado, e está a ser liderada por aqueles que não encontram um lugar dentro de modernidade industrial atual.

Baseia-se nos novos bens comuns planetários que foram gerados pela globalização. Esta análise destina-se a qualquer pessoa preocupada com o impacto das tecnologias digitais e o futuro económico.

3. “Governing the Wind Energy Commons: Renewable Energy and Community Development”, de Keith Taylor
A energia eólica é frequentemente considerada como um factor no desenvolvimento económico rural, um elemento da “economia verde” emergente destinada a impactar a indústria emissora de gases de efeito estufa.

Através de estudos de caso de uma cooperativa de energia eólica de Dakota do Norte e de um parque eólico de propriedade de investidores em Illinois, o autor examina como as forças reguladoras e sociais estão a moldar o setor de energia emergente. O autor baseia-se em entrevistas com moradores locais para avaliar estratégias para reduzir o equilíbrio de poder dos serviços públicos.

4. “The Community Food Forest Handbook: How to Plan, Organize, and Nurture Edible Gathering Places”, de Catherine Bukowski e John Munsell
Alimentadas pela popularidade da permacultura e da agroecologia, as florestas de alimentos de comunidades estão a captar a imaginação das pessoas em bairros, vilas e cidades nos Estados Unidos. Juntamente com hortas comunitárias e mercados de agricultores, as florestas de alimentos comunitários são um caminho para criar acesso a alimentos nutritivos e promover a sustentabilidade ambiental onde vivemos, defendem os autores.

Neste livro, Catherine Bukowski e John Munsell mergulham nos aspectos cívicos das florestas de alimentos de comunidades, baseando-se em observações, reuniões de grupo e entrevistas a mais de 20 projetos nos EUA. Eles combinam as histórias e estratégias reunidas durante as suas pesquisas com conceitos de desenvolvimento comunitário e gestão de projetos para delinear as etapas para a criação de florestas públicas que causam um impacto positivo nas comunidades.

5. “Switching off the autopilot: An evolutionary toolbox for the Great Transition”, de Michael Narberhaus
Este livro debruça-se sobre a crise ecológica e a ameaça que paira sobre toda a civilização, assim como sobre a crise da democracia liberal.O autor argumenta que os líderes e financiadores da sociedade civil têm muito a ganhar com a adoção de uma visão evolutiva do mundo. A ciência evolucionista mostra como chegamos aonde estamos agora e como a compreensão de nossa herança coevolutiva cultural tornará muito mais fácil desligar a nossa tendência profunda e destrutiva para o tribalismo.

6. “The Fairshare Model: A Performance-Based Capital Structure for Venture-Stage Initial Public Offerings—Reimagining Capitalism at the DNA Level” de Karl Sjogren
Este livro baseia-se na ideia de uma estrutura de capital baseada no desempenho que redefine o capitalismo ao nível do ADN, onde os interesses de propriedade estão definidos. O autor Karl Sjogren utiliza uma linguagem simples, humor e analogias acessíveis, assim como informações sobre o mercado de capitais. O resultado é uma discussão eclética, mas convidativa, que pode ocorrer numa conferência de pós-graduação em economia, finanças e filosofia.

Este livro foca-se nas avaliações de start-ups – microeconomia. Mas também considera as implicações macroeconómicas do Modelo Fairshare para o crescimento económico, a desigualdade de rendimentos e a participação partilhada, bem como a teoria dos jogos e o financiamento de projetos de blockchain.

7. “Advancing Equity Planning Now” editado por Norman Krumholz e Kathryn Wertheim Hexter
Assente nas perspetivas de um grupo diversificado de especialistas em planeamento, o “Advancing Equity Planning Now” coloca os conceitos de justiça e acesso igual no centro da pesquisa. Os editores Norman Krumholz e Kathryn Wertheim Hexter oferecem os recursos essenciais para os líderes e planeadores da cidade, construirem um mundo mais justo.

O livro assinala que a equidade sempre foi uma consideração integral na profissão de planeamento. As raízes históricas desse compromisso ético remontam a mais de um século. Quando o planeamento se torna mero espaço para as elites, os planeadores urbanos e regionais precisam de retornar aos fundamentos deasua profissão. Embora nem sempre o tenham feito, os planeadores estão bem posicionados para advogar maior equidade nas políticas públicas que respobdam aos múltiplos objetivos do planeamento urbano, incluindo moradia, transporte, desenvolvimento económico e remoção de usos nocivos da terra nos bairros.

8. “Strong Towns: A Bottom-Up Revolution to Rebuild American Prosperity”, de Charles L. Marohn
É um livro de ideias que apresenta uma nova visão do desenvolvimento urbano nos Estados Unidos. Ao falar das as ideias fundamentais do movimento “Strong Towns” do qual é cofundador, Charles Marohn explica a razão pela qual as cidades de todas as dimensões continuam a lutar para responder às suas necessidades básicas e revela o novo paradigma que pode resolver esse problema já antigo.

Neste livro, o leitor fica a conhecer porque induzir crescimento e desenvolvimento tem sido a resposta convencional às lutas financeiras urbanas – e por que este método não está a funcionar. Apresenta ainda uma perspetiva de como as cidades grandes e pequenas podem concentrar-se em investimentos de baixo para cima para minimizar riscos e maximizar a sua capacidade de fortalecer a comunidade financeiramente e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.

9. “The Making of a Democratic Economy”, de Marjorie Kelly e Ted Howard
Este livro é um apelo para um movimento de transformação da economia. Iluminando os princípios de uma economia democrática, é uma leitura obrigatória para todos os interessados numa economia que seja justa e igualitária.

10. “Public Finance for the Future We Want” editado por Lavinia Steinfort e Satoko Kishimoto
Após a crise financeira global de 2008, os grandes bancos foram resgatados e os gastos públicos foram reduzidos. Isso justificou medidas de austeridade cada vez mais duras e reforçou a ideia que o setor público deve confiar nas finanças privadas para resolver desigualdades excessivas e a destruição ecológica.

Porém, atualmente o financiamento privado falhou em resolver estes problemas e chegou a intensificá-los. Este livro apresenta visões de economias regenerativas e redistributivas, construídas com poder coletivo: da próspera economia cooperativa em Kerala, na Índia, às centenas de bancos de poupança locais na Alemanha, ao banco popular dos trabalhadores Banco Popular na Costa Rica e aos milhares de Fundos de Crédito Popular no Vietname. Explora modelos que podem ajudar a construir um futuro organizado democraticamente que sustente a vida.

11.”The Palgrave International Handbook of Basic Income”, editado por Malcolm Torry
Este livro “oferece uma discussão abrangente de todos os aspetos importantes do debate sobre Renda Básica para académicos, formuladores de políticas e indivíduos interessados”. O autor compara experiências de Projetos Pilotos e Rendimento Básico de todo o mundo, abordando estudos de caso do Canadá e dos EUA, Brasil, Irão, Namíbia, Índia, Suíça, Finlândia e Holanda. E avalia os diferentes efeitos dos esquemas de Rendimento Básico em cinco áreas principais: efeitos no mercado de trabalho, efeitos sociais, efeitos económicos, efeitos ecológicos e efeitos de género.

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