Crowdfunding e capital de risco são talvez as duas formas de financiamento mais conhecidas entre as start-ups. Mas existem diferenças fundamentais entre as duas que deve conhecer.

O crowdfunding é um dos instrumentos e facilitadores de financiamento que ganhou notoriedade e relevo mundial junto das start-ups. Embora as grandes rondas de financiamento sejam habitualmente lideradas por fundos de capital de risco e continuem a ser notícia, o crowdfunding está a ganhar mais força e notoriedade nos media. Entre as plataformas internacionais que merecem destaque nos últimos anos, encontramos a FundedByMe (Suécia), a Companisto (Alemanha) e a Invesdor (Finlândia).

As empresas com alto potencial de escalabilidade são adequadas tanto às opções de financiamento de fundo de capital de risco, como de crowdfunding. Estas start-ups têm modelos de negócios inovadores e geralmente atuam nos setores de software, fintech, biotech, medtech e jogos. Ambas as opções de financiamento permitem a estas empresas levantar capital rapidamente para obter um crescimento rápido e evitar o risco de ser ultrapassado pelos concorrentes com mais financiamento e mais resistência.

Outros tipos de negócios, como empresas mais tradicionais, podem considerar o financiamento através de crowdfunding. Se quiser optar por um financiamento de capital de risco, há que ter em atenção que estes fundos não estão interessados em investimento que não tenham a capacidade de gerar avaliação de saída 10 a 100 vezes superior à avaliação original.

Para que possa tomar a melhor decisão, o site EU-Startups listou as diferenças entre o investimento tradicional de venture capital e de crowdfunding.

1. Complexidade do modelo de negócios
O crowdfunding assenta num enorme esforço e apoio de marketing. Se o modelo de negócios não é simples e a descrição da empresa não é fácil de entender, este não será o melhor caminho para a start-up. A divulgação de uma campanha de crowdfunding deve descrever de forma muito simples como o investimento na start-up trará benefícios para a vida das pessoas. As empresas que atuam em setores como eletrónica de consumo, foodtech e software conseguem obter mais facilmente investidores através de crowdfunding do que outros sectores.

2.Termos de investimento
O crowdfunding  é habitualmente mais favorável ao empreendedor do que o financiamento tradicional de capital de risco. Muitos fundadores não gostam da possibilidade de ter que ceder posições nos conselho de administração da empresa ou mesmo o controlo maioritário da sua start-up.

Juntar capital através de crowdfunding é uma forma de o empresário obter fundos de forma autónoma. Obter financiamento através de capital de risco muitas vezes significa receber o capital consoante os termos e a avaliação do investidor, salvo raras exceções.

3. Investidores atentos ou espectadores
O crowdfunding pode incluir investidores atentos e interessados, mas geralmente deparamo-nos mais com investidores “espectadores” ou “passivos”. Neste campo, os investidores de capital de risco envolvem-se mais profundadamente nos negócios. Por outro lado, as plataformas de crowdfunding incentivam os grandes investidores a participarem nas rondas de financiamento, de forma a melhorar as hipóteses de sucesso.

4. Mentalidade e objetivos do investidor
O crowdfunding pode ser um forte aliado para as start-ups que desejam ter um grande impacto social e que não se concentram só no retorno financeiro.

5. Abordagem de marketing
O marketing pode ser usado em ambos os contextos. No caso do crowdfunding, a estratégia deve assentar essencialmente no marketing digital, com o intuito de alcançar o maior número de investidores através de anúncios pagos por clique, e-mail marketing e outros suportes digitais.

Já no caso do financiamento através de fundo de capital de risco, a comunicação passa por aumentar o interesse dos investidores certos através da apresentação de parceiros de negócios ou pessoalmente, reuniões de pitch e eventos de networking. O financiamento de venture capital tem maior potencial de acontecer na região geográfica onde o fundador vive ou terá que visitar.

6. Restrições de financiamento
Os fundos de capital de risco geralmente seguem critérios de seleção de investimento mais restritivos que os das plataformas de crowdfunding. O crowdfunding é uma forma de investimento mais flexível que os fundos de capital de risco. Se a start-up é escalável, no caso do crowdfunding a decisão de investir recai sobre vários decisores e não apenas em alguns, como no caso do capital de risco.

7. Cultura empresarial
Se a sua start-up não pretende criar uma “personalidade jurídica”, a melhor forma de financiamento é recorrer a uma plataforma de crowdfunding, pois nenhum dos investidores por si só terá uma influência muito grande e mais facilmente concordaram com esses termos.

Por outro lado, se a start-up pretende criar uma cultura empresarial semelhante a outras start-ups que foram apoiadas por fundos de risco, então isso significa que o fundador valoriza a forma como elas foram “aceleradas” e deverá considerar levantar capital através de um fundo.

8. Taxas do crowdfunding
Os fundos de capital de risco permitem que as start-ups fiquem com todo o capital que lhes foi atribuído, enquanto as plataformas de crowdfunding retêm entre 5 a 10% por cada ronda de captação de recursos, além de uma eventual taxa de sucesso.

9. Divulgação e impacto
Através do crowdfunding, a rede de contactos da start-up torna-se maior. O simples facto de ligar o nome da start-up a uma campanha de crowdfunding despertará a atenção, pois a empresa também terá passado nos critérios de avaliação da plataforma. É aconselhável que a start-up organize os investidores de crowdfunding numa holding distinta que investe na empresa. Deste modo questões jurídicas e problemas de comunicação serão mais facilmente abordados.

Por outro lado, a start-up também pode tornar-se conhecida ao receber financiamento de um fundo de capital de risco, já que estes fundos costumam comunicar eficazmente as suas apostas. Além disso, os fundos terão contatos em importantes meios financeiros, os quais irão captar a atenção de outros investidores.

10. Resultados da avaliação
O processo de negociação entre fundadores e investidores de crowdfunding pode ser pensado como qualquer outro processo de compra online. Todas as informações estão prontas para o investidor de crowdfunding que, depois de ter acesso ao material, clica para fazer o investimento, de acordo com os termos definidos pela start-up. No caso do fundo de capital de risco, a avaliação pode não estar totalmente de acordo com os termos da start-up, pelo que pode solicitar uma participação maior no negócio.

Existem fundos de capital de risco conhecidos pelo seu fair play em termos de avaliação, mas geralmente o crowdfunding dará aos fundadores uma melhor avaliação após uma primeira ronda. Isto significa que os fundadores abdicam de menos ações por mais capital, em vez de mais ações por menos financiamento, desde que estabeleçam uma avaliação justa na sua ronda de crowdfunding.

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