Depois de ter dados os primeiros passos empresariais inserida numa incubadora, a portuense XPLOR-IT ganhou dimensão internacional e hoje implementa soluções em quatro países.

Criada em 2012, a empresa dirigida por Ramiro Salgado implementa soluções da SAGE destinadas a médias e grandes empresas. Após cinco anos de atividade tem cerca de 70 colaboradores e uma faturação anual global na ordem dos 4 milhões de euros.

Começaram a atividade com uma equipa pequena, numa incubadora de empresas… quando e como deram “o salto” para esta nova etapa?
O “salto” da XPLOR coincidiu com a expansão do negócio para fora de Portugal. O primeiro mercado externo, a Polónia, levou todos os colaboradores da empresa a saírem da sua zona de conforto, desde as rotinas escritório-cliente-casa até à utilização do inglês como língua de comunicação standard.
A aventura começou com uma viagem minha para responder a uma solicitação concreta de um cliente, e, passadas poucas semanas, tínhamos colegas a voar com regularidade para Varsóvia, com toda a logística envolvida, com a necessidade de aprendermos rapidamente a operar, como indivíduos e como empresa, num ambiente totalmente novo e bastante diferente do que conhecíamos.

Como surgiu a ideia XPLOR?
Os fundadores, dos quais hoje se mantêm dois, tinham bastante experiência na área de sistemas de informação. A oportunidade de trabalhar com a SAGE, com um software empresarial para médias e grandes empresas relativamente recente, e absolutamente inovador, o X3, pareceu irresistível, dadas as imensas oportunidades, sobretudo, entrando no negócio na altura em que a XPLOR o fez.

A internacionalização era o único caminho possível?
Para o projeto XPLOR, sim. O facto de se tratar de um software internacional, multi-língua, multi-moeda, multi-legislação, tornava para nós evidente esta apetência por outros mercados. As características da oferta e a forma como o percurso da XPLOR foi sendo estabelecido, de crescimento rápido, obrigou a que procurássemos mercados de maior dimensão, com maior número de potenciais clientes e com níveis de exigência mais elevados. A componente de desenvolvimento de produto da XPLOR é outra área que requer maior escala e inserção em ambientes mais competitivos e ágeis.

Tem sido um percurso fácil ou com entraves?
“Quem corre por gosto não cansa” é, normalmente, dito por quem não está a correr… A XPLOR tem vindo a superar uma série de desafios, externos, de contexto, e também de auto-superação, individual e colectiva. Claro que, nos momentos mais desafiadores, o entusiasmo e a paixão que nos caracterizam ajuda muito.

Quais os vossos principais parceiros?
O fabricante de software, a SAGE, tem sido fundamental, pelo alinhamento que temos conseguido, e que tem sido base na nossa expansão. Os clientes, claro. São importantes como organizações e como referências dos sucessos conjuntos que temos alcançado, mas também pelas pessoas, com quem aprendemos e assim nos têm ajudado a crescer como profissionais. Não é exequível enumerar todos, mas é justo destacar, em Portugal, o Grupo Bongás, o Grupo Monteiro Ribas, o Grupo Testa (anterior Projar). As Câmaras de Comércio, como a PPCC, da Polónia, ou a BPCC, do Reino Unido também têm também um papel muito relevante.

Quais os números Xplor neste momento: postos de trabalho, volume de investimento, faturação anual?
A XPLOR conta com cerca de 70 colaboradores e uma faturação anual global de cerca de 4 milhões de euros.

Que balanço faz destes 5 anos de atividade, principais entraves, melhores superações?
Além dos desafios próprios de fazer crescer um negócio desde o início, do ponto de vista da operação (encontrar clientes, entregar o que é contratado e continuar a merecer a confiança para novos trabalhos), a aprendizagem, como organização, de operar com os diversos stakeholders – clientes, colaboradores, fornecedores, banca, estado – é um desafio constante para uma organização. A XPLOR muito rapidamente, multiplicou estes desafios por quatro. A direção tem tido sucessivos estímulos à gestão de pessoas e de capital – ambos escassos por definição, sobretudo pelos vários “saltos” que temos dado, e pela expansão rápida e por várias geografias. A gratificação tem sido uma constante, na medida em que temos encontrado formas de superar cada situação – para, invariavelmente, deparar com outras.

Quais as metas imediatas?
Consolidar a operação nos mercados em que estamos, o que nalguns casos significa rácios de crescimento elevados, e noutros mais conservadores, e continuar o trabalho de preparação para a entrada em novos mercados. Continuar a desenvolver a área de produtos próprios, que está em fase de conceção e orçamentação, e que é um projecto que vai significar um novo “salto”. Para estes objetivos, e nesta fase de maturidade, encontrar o modelo certo de financiamento / crescimento é um desafio novo, e determinante para o ritmo de crescimento no futuro.

O que significa para a empresa ter sido eleita um dos Heróis PME de 2016?
A designação de “heróis” continua a parecer excessiva… É gratificante este reconhecimento. Como empreendedores, tendemos a considerar normal um percurso como o da XPLOR. Acho que, numa perspetiva mais ampla, a coragem continuada de toda a equipa para, um dia de cada vez, superar os seus desafios quotidianos, talvez mereça, efetivamente, louvor e reconhecimento.

Respostas rápidas:

O maior risco: Presença direta em quatro países, com três línguas diferentes, quatro moedas diferentes e quatro contextos sócio-económicos e culturais diferentes.
O maior erro: Ter descurado a necessidade de presença forte no início da operação no Brasil.
A melhor ideia: Presença direta em quatro países, com a diversificação de risco e com a interoperabilidade que proporciona
A maior lição: Obrigatoriedade de adaptação da cultura global da organização ao contexto local.
A maior conquista: Desenvolvimento de equipas locais que adaptam a marca e a cultura XPLOR ao contexto local.

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