Três acrónimos vão governar 2019: VUCA, COI, FOBO.

VUCA – Volatilidade, incerteza (Uncertainty), Complexidade, Ambiguidade

A mudança é a única constante e ocorre a um ritmo cada vez mais acelerado. Acontecimentos disruptivos e imprevisíveis são cada vez mais frequentes, pelo que o status quo deixou de ser uma opção. Neste contexto de elevada incerteza, quem conseguir antecipar o que vai acontecer, e se adaptar, terá uma vantagem considerável. No entanto, e na prática, isto é cada vez mais difícil. As causas e consequências estão cada vez mais interrelacionadas, tornando a capacidade de as identificar e influenciar uma tarefa para especialistas, e de elevada dificuldade! Por último, mesmo que as consigamos identificar, saber o seu verdadeiro impacto é uma tarefa de igual ou maior empreitada.

COI – Custo de (Of) Ignorar

O foco no ROI (Retorno do Investimento) foi, e é ainda, uma das métricas mais usadas para avaliar o sucesso de um negócio ou de uma iniciativa empresarial. Este facto foca as organizações no curto-prazo pois iniciativas com menor prazo e maior retorno são sempre preferidas. Por outro lado, desvia as empresas de iniciativas estratégicas que, embora com menor retorno, garantem o sucesso no longo-prazo, e em muitos dos casos, a sobrevivência das organizações.

O COI é uma métrica que nos permite perceber qual seria o impacto de ignorar determinado fator que afeta o negócio. Se um negócio ignora uma determinada tecnologia, esta poderá torná-lo irrelevante, ao permitir a criação de um produto substituto que torna o existente quase irrelevante. Veja-se o caso da KODAK e da fotografia digital, uma tecnologia que ela própria inventou, e que acabou com o seu negócio. Mais do que estar preocupado com o ROI, a KODAK deveria estar preocupada com o COI, ou seja, o custo de não explorar essa nova tecnologia.

FOBO – medo de ficar obsoleto (Fear Of Becoming Obsolete)

As organizações têm de ter medo de ficarem obsoletas. Aquelas com maior sucesso em manter a sua relevância são as que se conseguem adaptar à mudança. Esta agilidade estratégica advém de: consegui alavancar novas tecnologias – como a Internet, a Inteligência Artificial ou o Blockchain; implementar novos modelos de negócio – marketing de plataforma, uma filosofia de negócio – #DataCapitalism, ou, o mais importante de tudo, a sua verdadeira razão para existir, o Consumer  – #SocialConsumer.

Competitive Intelligence e Inovação Total 

Com o aparecimento destes acrónimos, VUCA, COI e FOBO, emergem também ameaças que podem acabar com um negócio, e oportunidades que podem elevá-lo a um estatuto ímpar, mesmo até de Unicórnio no caso de start-ups. A única forma de sobreviver nestes tempos atuais de mudança de paradigma, onde os modelos tradicionais se relevam cada vez mais ineficazes, é ter duas capacidades fundamentais. A primeira é ser capaz de entender o mercado e o negócio em tempo real. A segunda é ser capaz de inovar.

Entender o mercado em tempo real – SMINT©

Entender o mercado em tempo real é o equivalente a ter um Waze para a gestão. É necessário um foco inabalável nos fatores críticos de sucesso, monitorizar a sua evolução, e entender os impactos para o negócio. O desenvolvimento de insights em tempo real permite suportar a decisão informada e orientar o desenvolvimento e implementação da estratégia. A proteção da informação crítica da organização prolonga a vantagem competitiva da empresa, hoje em dia, cada vez mais difícil de manter. E a eliminação do ruído, das fake news, e da desinformação permite o foco no essencial e eliminar o acessório.

Inovação Total

Estes insights sobre o mercado, e mais especificamente sobre consumidor, permitem inovar ao nível de produto/serviço, ao nível de processos, e ao nível do negócio. Isto leva, respetivamente, a uma maior relevância na oferta das organizações, a uma melhor experiência para o consumidor, e a formas mais eficazes de gerar lucro.

2019

O próximo ano será caraterizado por uma maior VUCA, onde as empresas terão de minimizar o COI e diminuir o FOBO. Para isso é fundamental que as organizações possuam a capacidade de compreender melhor que nunca, as oportunidades e as ameaças que espreitam no horizonte, em tempo real. Por outro lado, terão de ser capazes de se tornar mais relevantes, através do aproveitamento dessas oportunidades, e da mitigação das ameaças, através de inovação total. Esta deverá passar por novos produtos e serviços que respondam a novas necessidades, de melhores processos que permitam melhores experiências, e de modelos de negócio que entreguem mais valor ao consumidor e aos restantes stakeholders.

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Sobre o autor

Luís Madureira

Luis Madureira é fundador da ÜBERBRANDS, uma boutique de consultoria estratégica que ajuda organizações e os seus líderes a navegar o ambiente competitivo com sucesso. É chairman da SCIP Portugal e foi recentemente distinguido com o Fellowship e convidado a... Ler Mais