A CIP realizou o seu congresso num ambiente de grande afirmação e dinamismo do movimento associativo empresarial, reunindo mais de 700 empresários e centrando as suas reflexões sobre os futuros desafios da economia portuguesa e o modo como poderemos melhor preparar empresas e empresários para os embates que se avizinham.

Num ambiente em que, um pouco por todo o mundo ocidental e também no nosso país, está patente uma crise de confiança nas instituições, facilmente as empresas são vistas como parte do sistema e como tal, mais do que parte da solução, são rotuladas como parte do problema.

Neste cenário, abre-se assim o caminho a uma maior projeção e influência de alguns sectores da sociedade que persistem em difundir desconfianças e preconceitos contra as empresas e os empresários. Visões mais centradas no primado do estado do que na liberdade individual, insistem em olhar para as empresas como um instrumento opressor e de cariz ideológico e não como um instrumento de promoção do desenvolvimento individual que, mais tarde, através da redistribuição estatal, o lucro por elas gerado  se converterá num bem público.

Ora, uma sociedade que ignora o papel fundamental das empresas, que lhes nega condições para realizarem a sua função, está, a prazo, a hipotecar as possibilidades de desenvolvimento e crescimento.

Do mesmo modo, uma sociedade que alimenta atitudes de desconfiança, de inveja ou de antagonismo face aos empresários está a comprometer o futuro e as possibilidades de criação de riqueza e, portanto, da sua posterior distribuição.

A CIP não poderá nunca permitir que se diabolize o lucro como causa da pobreza; temos de afirmar que, sem lucro, não é possível investir e acabar com essa mesma pobreza. Temos de afirmar que não há Estado Social sem empresas competitivas e lucrativas. Temos que afirmar que sem o sucesso traduzido pelo lucro não teremos condições para permitir a função redistributiva do estado, para permitir a assistência niveladora que garante a todos uma plena igualdade de oportunidades, independentemente do seu ponto de partida.

Num momento em que tanto se tenta menosprezar e apagar da história o esforço empreendido por empresários e empresas na recuperação e dinamização da economia portuguesa, decidimos consagrar este congresso à afirmação do Valor das Empresas!

Esse valor está patente na evolução recente da nossa economia. Nos sucessos alcançados, na inversão do declínio em que o país se encontrava. Embora o debate realizado na espuma dos dias entre partidos políticos se faça em torno da paternidade do sucesso, se o mérito que muitos insistem atribuir à ação deste Governo, do anterior ou de uma eventual conjunção de condições propícias ao crescimento, cumpre-nos afirmar bem alto que em abono da verdade, a recuperação da economia portuguesa se deve primordialmente ao trabalho e ao mérito alcançado pelos empresários e empresas portuguesas.

Em matéria de emprego, atingimos nos últimos dias uma taxa de desemprego abaixo dos 8% e, enquanto muitos poderes públicos reclamam a paternidade do feito, a frieza clarificadora dos números indica-nos que foram as empresas privadas que mais novos empregos criaram. Elas são responsáveis por dois terços do emprego total e empregam mais de 80% dos trabalhadores por conta de outrem.

Em 2017, atingimos o maior nível de crescimento económico dos últimos 17 anos. 97% do aumento líquido do emprego por conta de outrem foi gerado nas empresas. Elas criaram novos postos de trabalho para mais 169 mil trabalhadores.

Em matéria de crescimento económico, são as empresas que produzem, são elas que inovam, são elas que exportam. 56% do crescimento do PIB em 2017 ficou a dever-se ao aumento das exportações, líquidas da respetiva componente importada. Acresce que este desempenho das exportações ocorre num contexto de apreciação do euro e de evolução desfavorável de indicadores tradicionais de competitividade-preço.

Neste quadro, os ganhos de quota de mercado salientam a capacidade competitiva das empresas portuguesas nos mercados internacionais, que vai para além de ganhos de competitividade por via dos preços. Em matéria de investimento, são também, essencialmente, as empresas que investem.

Mais de dois terços do investimento em Portugal é realizado pelas empresas. Em 2017, 58% do acréscimo do investimento veio das empresas e só 25% do investimento público.

O défice historicamente baixo atingido em 2017 ficou a dever-se, em grande parte, à aceleração económica registada no último ano e ao aumento do emprego. Ambos são mérito dos empresários. Não pode, pois, menosprezar-se o trabalho, a iniciativa, a criatividade, a coragem das empresas, dos seus empresários e dos seus trabalhadores.

O sucesso alcançado pela economia portuguesa nos últimos anos deve-se, não só às escassas centenas de grandes empresas que operam no nosso país, mas principalmente às centenas de milhares de micro, pequenas e médias empresas, cujos responsáveis vivem dos frutos do seu trabalho e da sua capacidade de arriscar e lutar, todos os dias, pela manutenção dos postos de trabalho que criam, prestando, tantas vezes, um apoio social insubstituível nas comunidades onde se inserem.

A recuperação económica nacional provém do valor das empresas e isso deve merecer cada vez mais apoios na promoção do seu papel económico e social numa sociedade madura e moderna como ambicionamos para Portugal.

Em suma, a competitividade, pressuposto da afirmação do VALOR DAS EMPRESAS em mercados abertos, exigentes e altamente concorrenciais, deverá agora e sempre constituir uma das principais premissasdas políticas públicas portuguesas.

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Sobre o autor

Antonio Saraiva

António Saraiva nasceu em novembro de 1953 em Ervidel. Diretor da Metalúrgica Luso-Italiana desde 1989 e administrador a partir de 1992, adquiriu a empresa ao Grupo Mello em 1996, sendo atualmente presidente do conselho de administração. Começou a sua carreira... Ler Mais