“Natal é verdade, Natal é justiça, Natal é amor, Natal é liberdade. Constrói a paz, proclama o perdão, semeia a amizade e cada dia será Natal”.

Assim poderia eu resumir a forma como olho para o Natal de há seis décadas a esta parte, dando comigo a não ver melhor forma para descrever tudo o que esta quadra do ano pode encerrar, também, e até sobretudo, para os leitores deste espaço de ligação direta a líderes.

É que, se é tudo menos certo que esta seja uma data de consenso para os mais de sete mil milhões de habitantes espalhados por quase duas centenas de países nos cinco continentes, a verdade é que toda a circunstância desta fase do ano se revela, em vários sentidos, com expressão um pouco por todo o mundo.

Desde logo se questiona o tema do ponto de vista religioso ou de simbologia. Menino Jesus, presépio, pai ou árvore de Natal? É em dezembro, em janeiro ou em abril? É razão para debate sobre consumismo e sobre a forma como se estafam subsídios e poupanças que não chegam para satisfazer todo o apelo a compras. Passa-se ao de leve pelo tema dos donativos que, não fora a consignação de IRS aguardada para breve, até poderiam ser caso para se considerar um gesto de altruísmo e de contributos pessoais ou institucionais. Ou sobre o impacto na economia. E também no ambiente.

É o Natal um tempo de valores, ótimo para manifestações de solidariedade e para maiores revelações de preocupação com os que se mantêm esquecidos no dia a dia? Ou será mais tempo de excelência para levar a exercício tudo o que de melhor se pode conceber em matéria de criatividade e inovação, dando asas à imaginação capaz de nos atrair, sobretudo neste tempo, para o que noutras fases do ano nos passaria ao largo. Ah! É mas é tempo para desenvolver grandes campanhas de marketing e de publicidade, daquelas que conduzem a consumos compulsivos, ou seja, os que tão sublinhadamente afirmámos ser capazes de controlar. E, sem que se dê conta, lá se anda com um rol de compras, com um monte de cartões de boas festas, com a preocupação de telefonemas, com programações de viagens, de decisão de visitas há tanto tempo prometidas, de ementas a definir, de posts a colocar, de almoços e jantares em restaurantes à cunha, de, de, de…

Corre-se desenfreadamente para locais de comércio que nos atiram produtos pelos olhos dentro, amontoam-se as pessoas em recantos onde se acotovela nas filas dos embrulhos, arrecadam-se cartões de troca para suprir a falta de imaginação para quem gosta do quê ou o que serve a quem, corre-se para as prateleiras do supermercado cheinhas de tanto do que não nos faz falta, gasta-se o que não se precisa, o que não se quer, o que não se tem, o que poderia matar fome no mundo.

Cumprido este sufoco, cai-se no sofá, mais capaz de aterrar do que pensar em celebrar com quem se tem por perto, com os familiares e amigos mais afastados, com os vizinhos em solidão. Lá fora, na rua, continuam todos os que não têm a oportunidade de ver e sentir no Natal a tão proclamada paz e justiça, já para não falar em amor ou em liberdade. E que no dia seguinte se misturam com o amontoado de papel, de cartão, de lixos, de tristeza, de carência, de miséria.

Olhando, porém, para o outro lado do Natal, até porque este não é o meu retrato, façamos justiça aos que não se encaixam na caricatura e que se batem para contrariar tal estado de coisas. Valham-nos, pois, os que não perdem o discernimento e não se deixam conduzir por tamanha febre sazonal. É, pois, aqui que nasce uma outra abordagem sobre o espírito de Natal. Aquela em que a liderança e o exemplo podem fazer maravilhas e gerar grandes mudanças na atitude e no comportamento dos cidadãos, libertando-os de preocupações desnecessárias e conferindo-lhes um espírito de razoabilidade e de alegria capazes de operar a diferença em si mesmos e nos que os rodeiam.

Se Natal significa nascimento, então esta é a fase para deixar emergir o dom de fazer acontecer algo de novo que provoque impacto e um olhar mais genuíno na forma de encarar o mundo. É, seguramente, tempo para afastar tudo o que possa roubar a tal alegria e para lançar sementes de causas, de paz, de amizade, de altruísmo, de humanismo, de verdade, de amor.

Então seremos verdadeiros líderes inspiradores, apaixonados, genuínos e humildes. E saberemos como dar de nós para o crescimento da humanidade em justiça, em bem-estar, em equidade de oportunidades. Revelar-nos-emos nesse dia como pioneiros na capacidade de elevar o mundo para os padrões de excelência que escolhermos desenvolver a par e passo com o nosso próprio crescimento e com a nossa própria conquista enquanto pessoas de bem.

Saberemos também tomar ainda mais consciência de que a liderança começa lá em casa e que é no seio familiar, nesta época em particular, que nos cabe fomentar a união e a partilha. Embalados neste espírito natalício não será difícil replicar o princípio aos demais meses do ano e, com doses redobradas de atenção, qualidade e respeito, dedicar o nosso tempo ao outro e mitigar a pressão e a velocidade frenética do quotidiano. Natal é reflexão, mas é também gratuidade e oportunidade para nos darmos em prol do bem comum, não se duvide.

Porque este, sim, será para nós mesmos, para os que de nós dependem e para os tantos de quem dependemos, seja afetiva, pessoal, familiar, social ou profissionalmente, um Natal de Liderança, um Natal de recuperada Alegria, um Natal onde tudo começa.

Neste dia 25 de dezembro, a todos o Melhor Natal!

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