A diretora de RH de uma grande consultora multinacional comentou recentemente que não está fácil o recrutamento de alunos de topo recém-licenciados.

Nas palavras desta diretora, até há bem pouco tempo atrás, as grandes consultoras deslocavam-se às feiras de emprego e às universidades e os bons alunos faziam “fila”, na ânsia de fazerem parte do “role dos escolhidos” para integrar a empresa. Atualmente, os alunos universitários ficam fascinados com a possibilidade de formar start ups ou integrar empresas muito recentes, desde que sejam flexíveis e inovadoras (ainda que muitas vezes se tratem de empresas bem mais pequenas).

Em conversa com estes jovens, rapidamente constatamos que são muitos os que almejam trabalhar em ambientes vibrantes, estimulantes e em mudança constante, pela adrenalina e novidade que estes lhe imputem. Em contraste, o “ambiente” das grandes corporações carateriza-se por uma grande estabilidade e até alguma inércia, o que dificulta, em grande medida, a realização de projetos sempre novos e diferenciadores.

Alguns autores[1] atribuem este modus de vida à diversidade geracional. É comum considerar que tanto a Geração Millenial (também conhecida como a Geração Y, que nasceu entre o início dos anos 80 e o final dos anos 90) como a geração seguinte – Geração Z (cujo período neonatal se estende até 2010/ 2012, e que por isso já começou a entrar no mercado de trabalho) vieram revolucionar o “trabalho”! De acordo com vários estudiosos, estas gerações tendem a mostrar apetência por projetos que consideram interessantes e desafiantes, rejeitando todos os que lhes parecem monótonos e com poucas oportunidades de crescimento.

Nesse sentido, a retenção destes novos colaboradores nas empresas passou a assumir uma importância extrema, dada a dificuldade que é manter os colaboradores mais talentosos. E é preciso não esquecer que sempre que os “talentos” deixam a organização, todo um know how explícito e implícito (dos projetos e da própria organização) perde-se, para além da sensação que os gestores e líderes de equipa desenvolvem de “estar sempre a começar de novo” …!

Face a este problema real, como podemos reter os melhores colaboradores – os colaboradores millenials talentosos – nas organizações? Uma possível resposta assenta no Empreendedorismo Corporativo! Explorar projetos novos – que até vão tornar a empresa mais diferenciadora e competitiva no mercado – pode revelar-se uma óptima estratégia para reter as novas gerações. Colocar estes novos trabalhadores a scanizar o mercado, analisar a concorrência e construir projetos “melhores”, para além de trazer benefícios para as empresas, constitui um verdadeiro desafio para os colaboradores! Desta forma, a flexibilidade, a inovação ou a mudança contínua passam a fazer parte integrante dos ambientes corporativos! Dadas estas mais-valias, são cada vez mais as organizações, empresas e instituições que apostam no empreendedorismo corporativo, não apenas a nível internacional, mas também nacional.

É por todas estas razões que o Empreendedorismo Corporativo se assume hoje como um Bálsamo … para Pessoas e Organizações!

* Coordenadora da Escola de Liderança e Inovação do ISCSP – Universidade de Lisboa

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[1] Ex. Ulrich, J. & Harris, H.  (2003). GenXegesis: Essays on Alternative Youth (sub)culture. Madison: The University Wisconsin Press.

 

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