Desde há mais de 20 anos que os bloggers foram definindo a paisagem mediática. Primeiro a digital. Hoje sem a separação pelo meio. Já para além de bloggers, storytellers, influenciadores, líderes de opinião. E a somar ao weblog, o Facebook, o Instagram, o Youtube, o Twitter, o Linkedin… A rede.

As marcas despertaram e começaram a determinar uma pequena parte dos seus budgets. Primeiro não de Marketing, mas de comunicação. Experiências de Relações Públicas. Eventos. E com resultados. Alguém explicou que não importa o tráfego em comparação com os Media, interessa a dimensão da comunidade e o poder de influência.

Entre famosos e anónimos, macro ou micro influenciadores, hoje as ligações tremendas das marcas passam por potentes ações exuberantes umas, subtis outras. E uma outra fase de amadurecimento desta relação na tríade Marca-Influenciador-Clientes tem surgido: a do fim da relação espontânea, oportunista e momentânea para relações duradouras, de longo-prazo, de embaixadores.

Qual o “truque” que falta, pois então? Perguntam muitos.
Formação.
Como assim?
Isso mesmo. Formação.
Na escolha de muitos influenciadores pelas marcas está uma natural, vivida e sincera paixão pela marca e pelo produto que representam. E o truque que diferencia a prestação do influenciador e embaixador no digital, dia a dia, é o que está para além da paixão. É a prova.

Aqueles que provam e comprovam e explicam e demonstram e detalham o que de melhor e único tem o produto e a marca, distanciam-se. Tornam os incrédulos em fãs. Os descrentes em céticos e potenciais experimentadores. Os simpáticos em apaixonados. Os fãs em fanáticos defensores.

Não basta levantar a bandeira. E muitas marcas já perceberam isso. Razão pela qual, na relação profissional que assinam com muitos dos seus influenciadores incluem de base e de forma regular ações de formação detalhadas, como se de um colaborador da empresa se tratasse. Explicação do produto com os engenheiros, as novidades com o gestor de produto, a missão da empresa com o CEO. Porque para explicar aos milhares de seguidores porque é que aquilo é especial não basta dizer “porque eu gosto”, é preciso viajar pelo Golden Circle completo do Simon Sinek em relação ao produto, desde o que é feito, como é feito e sobretudo ao porque a marca o faz.

Mais do que assumir que os seus influenciadores são pagos para disseminar a mensagem e os valores da marca e os benefícios do produto, algumas marcas encaram já esta relação como um pacto, uma simbiose onde tudo farão para, regularmente, transformar esta relação contratual em algo mais do que isso. De influenciadores passarão a conhecedores, a especialistas, dando-lhes as ferramentas para que pela marca falem sem mácula, com detalhe e sobretudo com paixão.

Mas sobretudo, com paixão assente em conhecimento de causa.

 

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Sobre o autor

Ricardo Tomé

Ricardo Tomé é Diretor-Coordenador da Media Capital Digital, empresa do grupo que gere a estratégia e operação interativa para as várias marcas – TVI, TVI24, IOL, MaisFutebol, AutoPortal, etc. – com foco especial na área mobile (Rising Star, MasterChef, SecretStory) e Over-The-Top (TVI Player), bem como ativação de conteúdos multiscreen em todas as plataformas e realizando igualmente a ponte com o grupo PRISA nas várias parcerias: Google & YouTube, Facebook,... Ler Mais