Falámos com quatro start-ups portuguesas que estiveram presentes no Consumer Electronics Show (CES) para percebermos as mais-valias, os pontos de diferenciação e os frutos que o maior evento de tecnologia do mundo trouxe aos seus projetos.

Depois da poeira assentar, da histeria mediática à volta do CES ter passado e das start-ups terem regressado a casa, conversámos com os líderes de alguns projetos portugueses que estiveram presentes no evento que decorreu entre nove e 12 de janeiro, em Las Vegas.

Segundo as estimativas, a cidade norte-americana recebeu perto de 190 mil participantes (mais do que o triplo das pessoas que participaram na Web Summit). Dentro deste universo estão quatro equipas de start-ups portuguesas,  a Didimo, a Follow Inspiration, a Infinite Foundry e a Invisible Collector,  que fizeram a análise do evento e da inspiração que trouxeram de lá. (Mais informação sobre as empresas)

Ponto de diferenciação do CES

Os quatro projetos portugueses estiveram presentes na Web Summit de 2017 e nenhum deles é novo nestas andanças.

Luís de Matos, CEO da Follow Inspiration, aponta como um dos grandes pontos de diferenciação do CES o facto de ser realizado “na região do mundo mais avançada tecnologicamente, onde estão presentes as grandes entidades” do setor. Garantiu ainda que esta conferência “ganha a todas as outras porque na CES conseguem-se contactar todas as grandes entidades que sempre desejamos e também investidores num mercado gigantesco e disponível para nos ouvir”, algo que, refere, não aconteceu na Web Summit, por exemplo, onde os participantes com badges de investidor ou de grandes empresas tinham pouca representação em relação ao universo de participantes.

Para a Infinite Foundry, o mais relevante é o facto do CES conseguir unir start-ups e grandes empresas no mesmo espaço. A criação do Eureka Park, um espaço dedicado exclusivamente a start-ups, veio potenciar a comunicação entre este tipo de projetos e as grandes empresas. Comparativamente o Web Summit, André Godinho Luz, CEO da Infinite Foundry, explica que aquele “é fundamentalmente focado em start-ups onde mesmo as grandes empresas presentes apenas expõem as suas iniciativas dedicadas a start-ups”, o que se traduz num canal unilateral.

O networking direcionado foi também apontado como uma das grandes mais-valias do Consumer Electronics Show. O facto de estarem presentes projetos que se inserem todos dentro do mesmo segmento ajuda a este tipo de contactos. Verónica Orvalho, CEO da Didimo, acrescenta ainda a esta lista de aspectos diferenciadores a grande exposição às quase duas centenas de milhar de participantes.

Mais valias e resultados da conferência

Mais de duas semanas depois de ter terminado, Luís de Matos explica que as repercursões associadas ao evento ainda se estão a fazer sentir. Os resultados mais positivos do CES passaram por conseguir contactar diretamente com um mercado que ainda era desconhecido para a start-up.

As reuniões cara-a-cara com os players do mercado internacional foram um dos pontos mais relevantes para a Didimo que, segundo a sua CEO, conseguiu angariar potenciais clientes, abrir novas possibilidades para o projeto e fechar negócios que já estavam em progresso.

Já a Invisible Collector tem viagem de regresso aos Estados Unidos marcada para março, onde conta explorar melhor o mercado norte-americano, “que, com determinados padrões de consistência territorial, tem um potencial de escala incomparavelmente superior a qualquer congénere, mesmo continental”, conta-nos o CEO. A viagem vem no seguimento do contacto feito com investidores e distribuidores durante o evento. “Estamos neste momento a aprofundar relações para conseguir entrar no mercado e já com leads promissoras em Nova Iorque, Texas e Califórnia”, acrescenta Pedro Mendes.

A Infinite Foundry identifica como uma mais-valia o facto ter feito demonstrações da sua cloud a vários representantes de marcas dos setores automóvel, aeroespacial e energético. “A nossa participação teve como intuito negociarmos algumas parcerias para disponibilizarmos mais algumas ferramentas na nossa cloud, bem como apresentá-la a potenciais clientes na América do Norte. Uma das parcerias que já estamos neste momento a negociar com um vice-presidente mundial de uma empresa. Portanto foi uma grande ajuda”, adianta o managing partner da start-up portuguesa.


A uma escala global, o mercado norte-americano continua a ser o mais apetecível para os CEOs. Um estudo recente da PricewaterhouseCoopers (PwC) colocou a questão “quais são os três países, excluindo o país onde tem sede, que considera mais importantes para o crescimento da sua organização nos próximos 12 meses?” a mais de mil CEOs. A resposta dos líderes das empresas incidiram primeiramente nos Estados Unidos, o que pode explicar o crescente interesse por parte dos participantes desta conferência.

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Didimo: cria versões digitais das pessoas a partir de uma fotografia de forma a poderem ser utilizadas em jogos ou filmes.
Follow Inspiration: soluções tecnológicas que melhoram os negócios e a vida das pessoas. Um exemplo de um produto desenvolvido por esta start-up é um carrinho de compras autónomo, que segue e auxilia pessoas com mobilidade reduzida.
Infinite Foundry: a primeira plataforma em cloud, onde a partir do navegador web o utilizador pode projetar e simular em 3D qualquer produto e visualizar o resultado num ambiente de realidade virtual.
Invisible Collector (anteriormente conhecida como Invoice Capture): agente de relacionamento automático que coloca devedores e credores na mesma página. Oferece ainda a possibilidade de ver a análise de desempenho em tempo real e o fluxo de caixa previsto.

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