Em 2017, o peso das exportações portuguesas atingiu os 42% do PIB e as vendas ao exterior aumentaram 5 mil milhões de euros. Porém, só cerca de 22 mil empresas exportam e 50% fazem-no para um só país, Espanha ou Angola.

Isto significa que, para prosseguirmos o ritmo de crescimento das exportações (essencial para o crescimento do país e para contrabalançar a subida das importações), é necessário aumentar o universo de empresas exportadoras e diversificar os mercados de destino. Sendo certo que, como o nosso tecido empresarial é esmagadoramente constituído por PME, é a estas empresas que tem de ser pedido um maior esforço exportador.

Para concretizar o duplo objetivo de ter mais empresas exportadoras e mais mercados externos, há que atuar a três níveis: parcerias, digitalização e competências. A colaboração entre empresas não é ainda um hábito enraizado em Portugal, mas obviamente que, em parceria, se obtém ganhos de escala, competitividade e sustentabilidade. Alinhar estratégias, partilhar recursos e estabelecer sinergias não implica a perda da independência das empresas e pode ser determinante para o sucesso dos processos de internacionalização, sobretudo em mercados mais exigentes.

Ora, a cooperação entre empresas passa, desde logo, pelo desenvolvimento de clusters, no âmbito dos quais é mais simples e eficaz a adoção de estratégias comuns orientadas para a internacionalização. Passa igualmente pelas associações sectoriais, cuja representatividade, massa crítica e know-how lhes permite desenvolver ações concertadas e integradas de promoção das empresas no exterior. Assim como passa também pelos ecossistemas empreendedores, que reúnem recursos que possibilitam um acompanhamento próximo da evolução das empresas, designadamente em processos de internacionalização.

As parcerias são, de resto, muito importantes num outro nível de atuação que identifico: a digitalização. A transformação digital do tecido empresarial português será certamente mais expedita através de parcerias entre PME tradicionais e startups tecnológicas. As competências digitais das startups ajudariam as PME a introduzirem novos sistemas de informação ou a melhorarem os já existentes, com potenciais ganhos na abordagem ao mercado externo. A digitalização é um fator crucial para a internacionalização, uma vez que as tecnologias digitais aproximam as empresas dos seus clientes em qualquer parte do mundo, abrem canais promocionais de largo espectro, possibilitam o comércio online à escala global e reforçam a notoriedade das marcas internacionalmente.

Por fim, a internacionalização está dependente das competências das empresas nesta área específica. Muitas das nossas PME não têm massa crítica e know-how para exportar, embora, em alguns casos, revelem escala, capacidade de produção e competitividade para vender ao exterior. Importa, pois, apostar na criação de competências de internacionalização nas empresas, através de ações de formação, mentoria e aceleração. Antes de se internacionalizarem, as empresas devem saber definir estratégias onde sejam ponderados os quadros fiscal e burocrático dos países alvo, a situação económica e política dos mercados de destino, a procura potencial dos produtos a exportar, as condições de distribuição dos bens e o investimento requerido pelas operações de exportação.

Na área da internacionalização, como em muitas outras da atividade das empresas, o conhecimento é efetivamente um fator crítico de competitividade.

*Associação Nacional de Jovens Empresários

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Sobre o autor

Adelino Costa Matos

Adelino Costa Matos é Presidente da Direção Nacional da ANJE desde janeiro de 2017, tendo já integrado a Direção Nacional precedente (entre 2013 e 2017). É chairman e CEO da ASM Industries, sub-holding do grupo A. Silva Matos, criada precisamente... Ler Mais