Regressada de uma viagem inesquecível e ainda inspirada pela experiência de 12 dias no transiberiano, não posso deixar de invocar esse comboio mítico que atravessa a Rússia, a Mongólia e a China, para vos falar de recursos humanos e de liderança.

Em muitos aspetos, o comboio assemelha-se a uma organização e o seu trajeto ao desenvolvimento quotidiano de uma estratégia empresarial.

Ambos devem seguir pelos carris, seguindo um rumo definido e visando atingir uma estação. Ambos atravessam zonas desenvolvidas, territórios férteis, desertos sem vida, túneis que parecem intransponíveis e comunidades, e em todos deixam o seu impacto, a sua pegada ecológica, o estímulo económico e a promoção da cultura.

Um comboio, tal como uma empresa, está cheio de pessoas diferentes, com percursos variados e que entrarão e sairão em tempos diferentes. Nesse movimento de pessoas reside a sua dinâmica, a capacidade de interagir com quem segue viagem ou quem espera, ansioso, nas estações.

Um comboio interrompe a passividade dos dias e constitui um momento de agitação, de comércio, de mudança e de esperança no progresso. Do mesmo modo, a empresa pode interromper o marasmo económico, induzir o desenvolvimento da sociedade, produzir riqueza.

E a própria estrutura do comboio assemelha-se à estrutura de uma empresa. Ambos têm a locomotiva, que é a administração, as carruagens organizadas por classes, que correspondem a áreas e a hierarquias.

Nesta metáfora, sublinho a importância de reter que viajam em conjunto. Chegam ao mesmo tempo ao destino e só conseguirão cumprir o itinerário se as composições se mantiverem ligadas e sem descarrilar.

Um comboio é um veículo e, em si mesmo, um grupo e um território de diversidade. O maquinista, tal como o líder de uma empresa, tem que saber reconhecer as expectativas, as competências e as especificidades de cada compartimento e de cada carruagem e das pessoas que neles viajam.

Deve conhecer também a região que atravessa, antecipar as curvas que o esperam, as intempéries e até a beleza enganadora e distrativa da paisagem.

Só assim sabe que velocidade deve imprimir à marcha, para dosear o progresso e para encantar quem transporta e quem o vê passar.

O líder de uma empresa, tal como o condutor do transiberiano, sabe que quem está dentro da empresa pode estar de passagem, mas que, se gostar da viagem e se a saborear, nunca deixará de ter um sentimento de pertença.

O que nos seduz nos comboios é um movimento contínuo em direção ao futuro, e que não nos deixa para trás. É cada vez mais o que nos seduz nas empresas!

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Sobre o autor

Paula Guimarães

Paula Guimarães é Diretora do Gabinete de Responsabilidade Social do Montepio Geral, administradora das Residências Montepio, Membro da Direção da Juniors Achievment e Formadora voluntária. Foi Presidente da Direção do GRACE, em representação da Fundação Montepio. É ainda docente na... Ler Mais