Leia algumas das conclusões do “The State of Application Development 2019”, o relatório anual e global da empresa portuguesa OutSystems.

A OutSystems lançou ontem, dia 14 de maio, a edição de 2019 do seu já habitual relatório anual. O objetivo foi identificar o estado do desenvolvimento de aplicações e principais desafios globais da transformação digital para as empresas de tecnologias de informação (TI).

Do inquérito global, levado a cabo junto de 3.300 profissionais de TI – entre os quais 253 portugueses ou a trabalhar em Portugal –, ficou a principal conclusão de que as empresas portuguesas estão acima da média no que diz respeito à transformação digital.

“O nosso relatório de 2019 mostra que muitos departamentos de TI enfrentam uma infinidade de forças disruptivas quando se trata de transformação digital e desenvolvimento de aplicações”, afirmou Steve Rotter, CMO da OutSystems, em comunicado. “A ameaça da disrupção digital e a necessidade de uma transformação digital têm sido fatores determinantes nas estratégias de TI há anos. Se juntarmos isto à incerteza que caracteriza o panorama económico global, torna-se óbvio porque é que os líderes empresariais estão tão preocupados com o fator da agilidade”, acrescenta.

O “The State of Application Development 2019” chegou a algumas conclusões:

A nível global

A transformação digital é um trabalho contínuo. Os esforços de transformação digital nas organizações são uma componente transversal às organizações. Contudo, os inquiridos no estudo revelam que esses esforços ainda não são incluídos na estratégia nem são contínuos. Numa escala de zero a seis, o progresso da transformação das empresas foi avaliado em 3,74 pontos.

Riscos de disrupção são uma preocupação. As mudanças de preferências ou de comportamento dos clientes são uma preocupação para os participantes do estudo. A esta característica seguem-se as mudanças regulatórias e legislativas, ciberataques e agilidade da concorrência. Em oposição, a volatilidade do mercado de ações surge como a menor das preocupações.

Procura pelo desenvolvimento de aplicações continua elevado. Embora as empresas já tenham despertado para a necessidade de digitalizarem os seus negócios, em 2019 foram registadas mais 60% de aplicações solicitadas (comparativamente ao relatório passado).

Tempo de desenvolvimento está mais reduzido. 61% dos entrevistados referiu que o tempo médio de desenvolvimento de uma aplicação web é de quatro meses ou menos – um avanço fase ao tempo médio aferido no relatório de 2018. Por outro lado, 55% dos profissionais afirmam demorar um tempo semelhante ao período homólogo no desenvolvimento de aplicações móveis.

Retenção de talento é um desafio quase tão elevado como recrutar. Numa altura em que a atração e retenção de talento está na ordem do dia, o setor das TI não foge à regra. Apenas 15% dos entrevistados descreveram o processo de recrutamento como fácil e, no caso de muitas especialidades, o recrutamento foi descrito como difícil ou muito difícil. Mesmo recrutando novos colaboradores, apenas 36% das organizações possuem equipas de desenvolvimento maiores do que há um ano. De acordo com o estudo, muitas destas empresas têm tanta dificuldade em reter como em atrair talento.

Low-code cada vez mais utilizado.  41% dos entrevistados afirmaram que a sua organização já está a usar plataformas de low-code, 10% disseram estar prestes a começar a usar esta tecnologia – um avanço face aos números de 2018, em que só 34% dos entrevistados usavam low-code e 9% admitiam estar prontos a iniciar a utilização dessas plataformas.

O mercado português

Maior maturidade na transformação digital. Portugal tem a média mais alta a nível regional e global no que toca à maturidade da transformação digital. Numa escala de zero a seis, a pontuação do país foi de 4,01 pontos.

Riscos de disrupção também são preocupação em Portugal. Tal como as respostas a nível global, as empresas portuguesas têm medo da alteração do comportamento dos clientes, sendo este o principal fator de risco. A esta característica acrescenta-se o receio de perturbar os concorrentes, especialmente por parte das empresas incumbentes.

Maior procura. O relatório deste ano concluiu também que os profissionais entrevistados em Portugal têm planos para desenvolver e disponibilizar 60% mais aplicações do que no ano passado. Quase 40% prevê disponibilizar mais de 25 aplicações.

Mais rápidos do que a média. Os profissionais a trabalhar em solo português são mais rápidos a desenvolver aplicações web do que a média global. Em contraste com os 61% globais, 65% dos participantes nacionais afirmam que têm o trabalho feito em quatro meses ou menos.

Crescimento nas TI.  51% dos entrevistados em Portugal afirmou que a sua equipa de desenvolvimento de aplicações cresceu no ano passado – 15% acima da média global. Os especialistas em cibersegurança e web developers são os mais difíceis de contratar, enquanto os engenheiros nas áreas de business intelligence, analytics e dados foram os que ofereceram menos dificuldades de contratação. Além disto, refira-se que há cada vez mais organizações a apostar no outsourcing para o seu desenvolvimento de aplicações.

Mais low-code em Portugal. 63% dos entrevistados em Portugal referem já ter aderido ao low-code – mais 22% do que a média global. No polo oposto, apenas 15% adiantam que a sua organização não prevê adotar uma plataforma deste género.

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