As empresas que desejem manter-se competitivas já não podem focar-se exclusivamente na abordagem da experiência do cliente (CX) ou na experiência do utilizador (UX).

A esta lista é absolutamente fundamental adicionarem um foco na experiência do colaborador, do candidato ou até daquele que mais valorizamos, na experiência do formando (LX – Learner Experience).

Atualmente, os formandos são motivados a serem colaboradores ágeis, a serem multitasking, a acelerar os seus processos e performance. Utilizam ferramentas digitais e têm acesso a uma elevada quantidade de recursos a qualquer hora e em qualquer lugar e – muitas vezes – são verdadeiramente inundados com informação. Este seu ADN impacta verdadeiramente os objetivos a alcançar numa formação e, especialmente, as suas expectativas relativamente à experiência da sua formação.

O que é a experiência do formando?
Motivados por um quotidiano cada vez mais digital, rápido, imediato e on-the-go, os formandos esperam obter respostas às suas questões de forma imediata e estão a tornar-se cada vez mais sofisticados nas suas exigências de formação. Procuram experiências de formação individualizadas, on-demand e no local de trabalho. Querem, no fundo, ter total controlo sobre o seu próprio desenvolvimento. As empresas de formação lutam pela atenção dos formandos. Se não lhes fornecermos o recurso certo, no timing certo, vão pedir recomendações na social media ou pesquisar no Google por informação.

Como funciona?
Todos sabemos que as emoções influenciam a motivação e que a motivação é a chave para aprender e aplicar o que se aprendeu. Adicionalmente, pesquisas neurocientíficas mostram que as emoções influenciam diretamente o processo de aprendizagem e a memória. É assim crucial fornecer aos formadores experiências de formação que gerem emoções positivas e sejam facilmente transferíveis para além de irem ao encontro das suas necessidades.

É assim importante deixar de continuar a insistir na transmissão de conteúdo sem emoções e em métodos de formação complexos. É fundamental adotar uma abordagem em que o formando é o centro da formação para que lhe possamos promover a melhor experiência possível.

O objetivo do LX é criar uma experiência verdadeiramente “wow” que garanta o engagement dos formandos e assegure que a formação é relevante, significativa e valiosa para eles; e garantir que a jornada de formação é simplificada, fácil e capaz de trazer emoções positivas do início ao fim.

Guidelines
Para criar uma experiência verdadeiramente “wow” e para garantir que o conteúdo é verdadeiramente significante para os formandos, devemos utilizar a abordagem de design thinking.

Fase da descoberta – É importante não saltar imediatamente para a solução. Este processo permite que não se baseie somente nas premissas do que os formandos querem e precisam e quais as modalidades ou ferramentas digitais que devem ser utilizadas. Faça questões sobre o problema sob diferentes perspetivas, incluindo, obviamente a do formando. É preciso perceber qual o target específico da formação, identificar o problema que os formandos precisam de resolver e a origem desse problema. As respostas podem ser diferentes dependendo de questionar o sponsor ou formandos e isso ajudá-lo-á a repensar o problema. No design thinking, esta é a fase da descoberta.

É importante falar com alguns formandos para saber o seu ponto de vista dos problemas que a formação pretende resolver e obter mais detalhes sobre quais as ferramentas e sistemas que os formandos costumam utilizar, assim como as suas preferências em termos de modalidades, horários, interações e restrições. Identificar os recursos a que eles têm acesso sozinhos para preencher os learning gaps (internamente e externamente). Interprete esses insights e irá conseguir criar várias personas de formandos e ter a clara noção do principal objetivo da formação para cada uma delas. Isto irá informá-lo sobre os indicadores de impacto do projeto.

Fase do design – Durante esta fase deverá criar-se um percurso holístico que vá ao encontro das necessidades dos formandos relativamente ao conteúdo, engagement e modalidades. Este é uma mudança crucial comparativamente com as abordagens mais típicas e aquela que se deve implementar. Atividades de aprendizagem não devem ser vistas como atividades isoladas. Qualquer atividade de formação deve sim ser pensada como parte de um processo que pode envolver olhar para a formação, registar informação, completar um diagnóstico e fazer upload de algum documento. O objetivo final é que seja desenhada toda uma jornada simples e envolvente e não apenas focada no início da formação. Precisamos, assim, de simplificar e fornecer uma experiência verdadeiramente “wow” para o formando. Isso significa que precisamos de simplificar o processo de aprendizagem fornecendo uma excelente UX quando utilizado um canal digital, evitar pontos de tensão e ter conteúdo relevante e facilmente transferível.

É também importante perceber que esta jornada envolve várias pessoas (trainers, mentores, coaches, supervisores e administradores da gestão do sistema de formação). Todos eles devem tornar-se embaixadores da LX e garantir que o seu papel, se forem envolvidos no processo em algum ponto da jornada da formação, será proporcionar a melhor experiência ao formando. Desta forma, todos os agentes intervenientes no processo, podem, sem exceção, contribuir para criar uma experiência verdadeiramente única para o formando e envolvê-lo em algo verdadeiramente significante, enriquecedor e repetível.

Fase de construção do protótipo e interação – Assim que a fase do design estiver terminada e pronta para seguir para a fase de protótipo, teste a sua abordagem com alguns dos formandos. Depois repita se necessário. Poderá ser necessário fazer algumas correções ou ajustes. No design thinking, estas são as fases da prototipagem e interação.

Os benefícios de colocar a LX no centro da formação tem vindo a ser comprovado em diversos campos e goza de uma crescente adoção. Alguns profissionais de desenvolvimento de talentos sentem que adotar o paradigma de LX pode levá-los a perder o controlo da solução e levá-los para fora da sua zona de conforto. Contudo, os benefícios em termos de criação de valor, satisfação dos formandos, performance e engagement valem definitivamente o esforço.

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