Leia a entrevista ao CEO da Perfomance Insights Limited, uma empresa que partilha conhecimentos do mundo da Fórmula 1. Mark Gallagher é um dos mais esperados oradores da Leadership Summit Lisbon, que vai ter lugar a 26 de setembro, em Lisboa

Mark Gallagher, antigo jornalista e locutor do mundo da Fórmula 1, consultor da Marlboro e da Canon, falou com o Link to Leaders, a poucos dias de marcar presença na Leadership Summit Lisbon, sobre a sua experiência profissional.

Fazendo parte do universo da Fórmula 1 desde que se tornou jornalista, qual é a parte mais complicada deste mundo?
A parte mais complicada é manter os níveis de desempenho, porque, o quer que faças na Fórmula 1, estás sempre contra os melhores do mundo, seja na gestão, condução, no papel comercial ou nas operações. Mas também é isso que faz valer a pena; sabes que se conseguires fazer com que tudo funcione, estás a ser comparado aos melhores.

Começou como jornalista/locutor, como é que a transição para o lado empresarial como consultor aconteceu?
Construí uma rede de media forte e subsequentemente foi-me pedido que fizesse consultoria na comunicação da Philip Morris (Marlboro) e da Canon, ambas eram patrocinadores importantes. Isso ajudou-me a desenvolver um papel comercial no meu trabalho de comunicação, o que me levou a ser convidado pelo Eddie Jordan para me juntar a ele quando estava a juntar a sua equipa de Fórmula 1 em 1990.

Qual é para si a qualidade mais importante para liderar uma empresa/negócio e uma equipa?
A habilidade de comunicar a visão, valores e estratégias do negócio, para que todos conseguiram perceber do que se trata a organização. Ter pessoas que não entendem as prioridades mais importantes do negócio torna tudo mais complicado.

Trabalhou com pessoas fantásticas nos últimos 30 anos. Quem foi a pessoa mais inspiradora que conheceu?
Em termos de pessoas com que trabalhei o Michael Schumacher destaca-se da mutidão devido ao sucesso inigualável que atingiu como condutor e líder de equipa. Em termos de pessoas que já conheci, indiscutivelmente o futebolista Pele, uma das grandes estrelas do desporto do século 20 e um grande embaixador para o futebol.

Nem todas as equipas conseguem ser como a reconhecida Ferrari ou Mercedes, quão difícil é para as equipas conseguirem um patrocinador e fundos para investir em carros todas as temporadas?
Todas as indústrias têm os seus líderes e os respetivos desafiantes. Na Jordan Grand Prix posicionámo-nos como uma marca desafiante e como não conseguíamos garantir vitórias nas corridas e títulos de campeões mundiais, concentrámo-nos nas áreas em que podíamos ser os melhores como no serviço ao cliente, no “engagement” de fãs, na inovação e no estabelecimento de tendências. Desta maneira, atraímos um bom portefólio de empresas que valorizavam trabalhar connosco 365 dias por ano, em vez dos meros 20 domingos onde podíamos ganhar ou perder uma corrida.

É o diretor geral da Perfomance Insights Limited, uma empresa que fornece conhecimentos do mundo da Fórmula 1. O que podem as pessoas da área dos negócios aprender sobre este mundo?
Alguns tópicos parecem ser transversais; como construímos e lideramos equipas de alta “performance”, como gerimos o risco e a segurança, fornecendo e executando e operação com excelência. Outros exemplos são a maneira como abraçámos a digitalização e o facto de operarmos contra um pano de fundo de mudança e transformação. Não precisas de gostar de Fórmula 1 para valorizar os conhecimentos. O meu trabalho mostrou-me como um desporto competitivo como a Fórmula 1 lida com os desafios do mundo dos negócios todos os dias.

Qual é a principal diferença entre uma equipa talentosa da Fórmula 1 e uma equipa vencedora?
Trabalho de equipa, colaboração e alinhamento. Já vi equipas com muito talento falharem porque simplesmente não trabalham juntas da maneira certa. Da mesma maneira que já vi equipas com poucos recursos a ultrapassarem grandes equipas porque os seus membros trabalham melhor juntos e conseguem extrair mais valor de cada atividade.

Diria que o mundo da Fórmula 1 é como o mundo dos negócios: onde as empresas com os bolsos mais fundos acabam sempre por ganhar?
Não, os grandes orçamentos que já vimos serem gastos na Fórmula 1 vêm de gigantes do setor automóvel que não conseguem ganhar corridas, muito menos um World Championship [campeonator mundial]! Se o dinheiro fosse sinónimo de sucesso, os vencedores seriam diferentes com o passar dos anos. As equipas que acabam por ganhar têm a certeza que mantém as melhores pessoas, recursos adequados e uma priorização correta dentro do seu negócio com o objetivo de atingir o sucesso. Trata-se de eficiência em vez de esbanjamento!

No próximo dia 26 de setembro vai participar na Leadership Summit Lisbon. O que espera da audiência portuguesa?
Espero ter questões muito interessantes e conhecer pessoas interessantes. A melhor parte de falar em público é interagir com a audiência.

 

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