A ideia parece ser contraditória, mas há bons argumentos por trás da ideia de que trabalhar menos pode aumentar a produtividade dos colaboradores de uma empresa.

O “4-Hour Work Week”, livro publicado por Tim Ferriss em 2007, trouxe para a ordem do dia uma discussão sempre pertinente: será que conseguimos trabalhar menos para equilibrar a balança que pesa a nossa vida profissional e pessoal? O tema é discutido há décadas: já em 1930, o economista John Maynard Keynes passava a ideia de que dali a um século só teríamos de trabalhar 15 horas por semana devido aos avanços tecnológicos.

Mas será que em 2030 vamos poder trabalhar menos de metade das horas que são atualmente impostas? A tendência parece ter-se revertido. Atualmente, figuras mundialmente conhecidas como Elon Musk parecem estar a caminhar na direção oposta. O fundador da Tesla fez manchete nos jornais depois de ter dito que “nunca ninguém mudou o mundo com uma semana de trabalho de 40 horas”, evangelizando, ao mesmo tempo, a adoção de semanas com uma carga horária entre as 80 e as 100 horas.

 

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Musk abriu a porta a um público mais abrangente para a discussão deste tema. O magnata sul-africano parece estabelecer uma relação direta entre a quantidade de horas de trabalho e a produtividade – quanto mais horas trabalhamos, maior a produtividade. Será isto verdade?

Um exemplo prático para desmistificar esta ideia vem da Grécia. Os cidadãos deste país banhado pelo Mediterrâneo são os que têm a carga horária mais pesada da Europa, trabalhando, em média, perto de 2 mil horas por ano. Portanto, se a carga horária é sinal de produtividade, seria de esperar que a Grécia fosse um dos líderes da economia europeia. Mas a verdade – como todos sabemos – é que isto não acontece. Em oposição, na Alemanha – país que lidera a economia europeia –, os cidadãos trabalham 1.400 horas por ano.

Os dados parecem ser contraditórios, mas as empresas à volta do globo já descobriram que reduzir o horário de trabalho aumenta a produtividade e motivação dos colaboradores. Para além disto, a probabilidade de esgotamento dos trabalhadores é substancialmente reduzida. Este ponto é especialmente importante para os cidadãos portugueses, visto que um estudo recente da Deco Proteste indica que cerca de um terço dos trabalhadores nacionais está em risco de burnout.

A redução da carga horário é bom não só para os trabalhadores, como também para as empresas já que problemas como stress e esgotamento podem ter implicações graves nas receitas das organizações.

Outro caso de estudo é o da fabricante de automóveis Toyota que, depois de aferir que o stress resultava em erros frequentes por parte dos mecânicos, decidiu reduzir o número de horas de trabalho. Em vez de imporem um turno das 7h às 16h, criaram dois turnos de seis horas, sem mexer no vencimento, mas com uma redução no tempo e frequência dos descansos. Desde que a medida foi implementada, o trabalho tornou-se mais eficiente e os ganhos da empresa aumentaram 25%.

E não é só a vida profissional que fica a ganhar com estas  medidas. Um artigo do Journal of Occupational and Environmental Medicine descobriu que existe uma relação direta entre o burnout provocado pelo trabalho e os conflitos em casa. O equilíbrio entre a vida profissional e pessoal é fundamental. A redução das horas de trabalho faz com que os empregados possam ter mais tempo de qualidade com os seus amigos e família, o que se traduz numa força de trabalho mais feliz e, consequentemente, mais produtiva. Outro estudo indica ainda que a possibilidade de ter um hobby, praticar um desporto ou ter tempo para dedicar a outro interesse pessoal, pode aumentar a criatividade.

A redução da carga horária pode ainda trazer outros benefícios às empresas. Uma investigação do LinkedIn propõe a ideia de que a possibilidade de aprender no local de trabalho é o que traz maior felicidade aos empregados. Esta hipótese reduz para metade o stress sentido pelos colaboradores, e ao mesmo tempo estes também se sentem mais produtivos e bem-sucedidos. Para as grandes organizações que querem reter talento com mais eficácia, este aspeto pode ser  importante.

Há alguns passos que pode dar para melhorar a produtividade e a qualidade de vida da força de trabalho da sua empresa. A Lifehack, publicação dedicada a este tema, deixa alguns conselhos:

– Fale com o seu chefe caso sinta que tem constantemente demasiado trabalho em mãos;
– Pergunte ao seu empregador ou encoraje os seus colaboradores sobre as possibilidades de criar um horário flexível e quanto desse trabalho pode ser feito a partir de casa;
– Desconstrua as grandes tarefas em pequenos objetivos;
– Faça pausas com regularidade;
– Deixe as tarefas mais importantes para a parte da manhã;
– Para além da lista de coisas a fazer, guarde uma lista com tudo o que foi conquistando, de forma a ajudá-lo a ganhar motivação.

Curiosidade: sabia que, segundo um estudo de 2011 efetuado por investigadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, dizer “obrigado” aos empregados e colegas aumenta a produtividade destes em 50%? Esta pode ser uma boa forma de começar a aumentar o rendimento da sua empresa.

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