O ex-primeiro ministro inglês Tony Blair esteve ontem no Web Summit onde assumiu a sua total oposição à saída do Reino Unido da União Europeia.

Tony Blair, ex-primeiro ministro britânico, e atualmente presidente executivo do Institute for Global Chance, foi um dos convidados de ontem do Web Summit no palco principal e, como seria de esperar, a sua intervenção tornou-se num dos temas do dia.

Durante uma conversa sobre política internacional, onde o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi o foco, questionado por Karen Tso, da CNBC, sobre o Brexit, o antigo primeiro ministro inglês afirmou-se “100% contra o Brexit” e, no que for possível, vai fazer tudo para o impedir. “Acredito que ainda é possível pará-lo. Não é do nosso interesse económico nem político e acho que enfraquece a Inglaterra e a Europa”, referiu.

Mais tarde, Tony Blair juntou-se a Brad Smith, presidente da Microsoft, para falar sobre como fazer com que a tecnologia funcione para todos e não apenas para aqueles que estão na liderança.

Blair falou sobre o impacto da tecnologia na atualidade referindo que “o desenvolvimento da tecnologia é uma coisa boa, as pessoas têm que ser educadas e os políticos e os developers têm que trabalhar juntos”. Quer o presidente da Microsoft, quer Tony Blair concordaram que “é necessário haver colaboração internacional”.

Questionados sobre se as companhias tecnológicas são demasiado poderosas, ambos consideram que não. Tony Blair, acrescentou, aliás, que o “perigo pode vir por más decisões quanto a regulamentação”, defendendo que é importante que “a regulamentação não se torne uma barreira para o desenvolvimento de novas empresas e novos concorrentes no mercado”.

Reconhecimento facial, é uma solução ou um problema? Para Brad Smith este é um tema que “precisa de regulamentação. São questões sensíveis, há uma razão positiva muito forte para o desenvolvimento dessa tecnologia, são muitos os benefícios, mas pode mudar o mundo que vivemos hoje em dia, e existem muitas questões sobre a nossa privacidade que devem ser colocadas. Temos que defender a democracia e os direitos fundamentais de cada cidadão, pensando sempre sobre qual o mundo que queremos criar para nós”, afirmou.

Também Tony Blair frisou a questão da regulamentação. “A tecnologia é poderosa, têm um grande impacto, e as empresas têm que começar a ser regulamentadas para não haver oportunidades de abuso”. Tony Blair comparou a revolução tecnológica com a revolução industrial. “Tudo o que tem um grande impacto no mundo leva à necessidade de uma grande mudança”.

Lembrou que “não há sucesso sem união. Se existem pessoas interferindo com a nossa privacidade tem que haver exposição e temos que lidar com isso, protegendo a democracia. Se todos estivermos alinhados, lidaremos com o problema em conjunto”, salientou.

Durante a troca de opiniões com o presidente da Microsoft, o antigo primeiro ministro inglês frisou que “os políticos ainda não entendem a tecnologia” e que há uma grande necessidade de aliança entre políticos e companhias tech, sem hostilidade e com base na compreensão. “A tecnologia é libertadora e não algo que devemos temer. O primeiro grupo político a entender essa revolução e a criar uma narrativa onde transforma esses desafios num futuro otimista, irá prevalecer”, concluiu.

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