Não sei se repararam, mas o European Innovation Academy, o maior programa universitário de aceleração em Inovação Digital da Europa, que conta com a participação de aceleradoras de Silicon Valley e foi desenvolvido em colaboração com instituições de topo, como a UC Berkeley, a Stanford University e a Google, passou por Portugal em agosto, mais especificamente por Cascais.

O Hotel Miragem foi o palco da final, com apresentações dos projetos e cerca de 300 participantes vindos de 40 países, e foram selecionados os 10 melhores projetos, tendo sido considerados por um grupo de investidores como os mais inovadores. Dos 50 alunos finalistas, 13 são portugueses, distribuídos por cinco das equipas vencedoras.

Alo!Health, Brizzlebee, ECO-5, LEFT, On Fire Tube, Paperchain, Renvest, RippleFarm, ScoolX, TigerTime foram as 10 ideias de negócio que conquistaram a preferência dos investidores, indo a maioria beneficiar de mentoring durante um ano, um passo importante para se tornarem uma start-up tecnológica.

Quando fundámos a Beta-i, rapidamente implementámos uma premissa: iríamos trabalhar, ano após ano, nas lacunas do ecossistema “O que falta fazer no ecossistema empreendedor”. Ao longo dos anos, fomos incentivando as start-ups e os founders das mais variadas formas, sempre procurando o progresso das start-ups, de maneira a prepará-las para a próxima fase onde estariam envolvidas.

Foi um processo muito interessante e intenso que nos fez crescer rapidamente e que ajudou a posicionar a nossa organização como uma das principais e mais inovadoras na Europa.

Ao longo dos anos, este processo foi-se revelando cada vez mais eficaz, pois a premissa era fácil de analisar e especificar, mas também notámos que, cada vez que apresentávamos o nosso trabalho a uma audiência mais jovem, principalmente universitária, éramos confrontados com uma falta de vontade de implementar projetos próprios. A juventude parecia continuar a preferir uma carreira empresarial em grandes empresas.

Bem vistas as coisas, a maioria das universidades ainda incentivam muito os jovens para “trabalhar para alguém”, e não tanto para tentar lançar a sua própria ideia, o seu próprio projeto. O nosso objetivo era ajudar essa transição dos mais jovens, para que eles pudessem refletir sobre outras opções, experimentar outros caminhos, tentar e saber que existe mais lá fora ou, pelo menos, perceberem o que seria criar o seu próprio projeto.

Foi assim que surgiu a ideia de lançar uma nova área dentro da Beta-i ligada à Educação, dirigida a várias idades, mas focando, numa primeira fase, na camada jovem universitária. E é aí que surge a ideia de trazer uma edição da Innovation Academy a Portugal, um programa que procura incentivar os jovens universitários a pensar em conjunto numa ideia, num ambiente internacional e interdisciplinar.

O objetivo deste programa é também focado na implementação dessa ideia por um grupo pequeno, mas coeso, apoiado por mentores experientes, num ambiente de prototipagem rápida e num muito curto espaço de tempo. Ou seja, conseguir passar da ideia ao produto, com mil clientes, em três semanas. Parece impossível, mas este programa vem demonstrar que, na realidade, algo que parece impossível, e bastante difícil de implementar, é de facto possível. E como gostamos de projetos com impacto e com escala, quisemos fazer algo com um horizonte temporal longo para criar exatamente esse impacto, que neste caso são cinco anos.

Ser empreendedor não é uma escolha de carreira, mas sim um caminho que se escolhe quando se pensa obsessivamente sobre um problema e para o qual se procura arranjar uma solução. E esse é o melhor resultado que se pode ter: ajudar alguém que tem uma pain terrível e ajudar a resolver esse problema.

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Sobre o autor

Ricardo Marvão

Ricardo Marvão é cofundador da Beta-i, uma associação sem fins lucrativos que nasceu em 2010 e tem como missão inovar o empreendedorismo em Portugal. Começou a trabalhar em 2001 na Dell em Londres e depois em Portugal na PT Inovação. A partir de 2003, trabalhou para a Agência Espacial Europeia, na Alemanha, nos programas de Missões Científicas e Observação da Terra e, mais tarde, para a Inmarsat em Londres, uma... Ler Mais