É hoje plenamente aceite pelos diferentes governos e instituições internacionais que o empreendedorismo é fundamental para o crescimento económico e social.

A par da criação de novos negócios, também o desenvolvimento de novas atividades dentro de uma empresa ou instituição madura e já bem estabelecida no mercado (vulgo intra-empreendedorismo) constitui uma mais-valia, em termos de inovação e competitividade. No entanto, um olhar pelas estatísticas em Portugal (ex. dados do GEM[i] 2004 – 2016/17, INE e Pordata[ii]) mostra-nos que, embora nos posicionemos na média europeia no que toca à criação de novas empresas, a realidade é bem menos animadora em relação à descontinuidade dos negócios criados. Relativamente ao intra-empreendedorismo em Portugal, os dados voltam a revelar uma tendência abaixo da média europeia. Perante este cenário, uma questão se levanta: o que podemos fazer para promover o êxito do empreendedorismo e do intra-empreendedorismo em Portugal?

Uma análise atenta dos relatórios supracitados revela que, entre as várias causas apontadas para o fracasso, se destaca a fraca ênfase na educação para o empreendedorismo. É certo que temos assistido a um desenvolvimento do ensino do empreendedorismo em Portugal! A análise da oferta educativa mostra que são muitas as escolas profissionais, associações e instituições de ensino superior que oferecem cursos de empreendedorismo. No entanto, uma análise mais detalhada revela que estes cursos focam, sobretudo, a componente do Plano de Negócios (ex. análise do mercado, plano de marketing, financeiro, …). Mas, tal como tão bem frisado por Alar Kolk[iii], Professor da Universidade de Stanford e Presidente do European Innovation Academy, empreender requer inovação, correr riscos e tornar a mudança possível. Por outras palavras, para empreender, é fundamental a dimensão soft! Por isso, é tão importante desenvolver a atitude empreendedora!

A atitude empreendedora leva-nos a scanear o meio em busca de novas oportunidades e a explorá-las, materializando-as em projetos, iniciativas ou negócios. Tal como defini num livro sobre empreendedorismo[iv], ter uma atitude empreendedora positiva implica demonstrar autoconfiança, proatividade, resiliência, criatividade, networking ou orientação para o risco, as quais são determinantes para decidir arrancar e continuar com um novo projeto ou negócio! A par destas competências, também a motivação e a própria identidade empreendedora – tomar consciência de que “Eu Sou Empreendedor” – são cruciais para empreender.

Em tom de conclusão, o desenvolvimento da atitude empreendedora revela-se fundamental para transformar os Portugueses em Agentes Ativos, tornando-os capazes tanto de criar negócios próprios, como de alavancar novos projetos dentro das empresas onde trabalham.

* Patrícia Jardim da Palma, coordenadora da Escola de Liderança e Inovação do ISCSP

[i] Global Entrepreneurship Monitor
[ii] Taxa de natalidade, mortalidade e sobrevivência das empresas. Fontes de Dados: INE – Demografia das Empresas – INE – Inquérito Anual às Empresas (até 2003) | Sistema de Contas Integradas das Empresas (a partir de 2004). Fonte: PORDATA.
[iii] Entrevista publicada no Dinheiro Vivo no dia 30 março 2017, realizada por Diogo Ferreira Nunes. https://www.dinheirovivo.pt/fazedores/galeria/alar-kolk-grande-parte-das-startups-falha-por-nao-entenderem-o-consumidor/
[iv] Palma, P. J. & Silva, R. (2014). Proatividade e Espírito Empreendedor. In Palma, P. J., Lopes, M.P. & Bancaleiro, J. Psicologia Aplicada à Gestão. Psicologia Para Não Psicólogos: A Gestão à luz da Psicologia. Lisboa: Editora RH.

Comentários

Sobre o autor

Patrícia Jardim da Palma

Patrícia Jardim da Palma é doutorada em Psicologia das Organizações e Empreendedorismo e Professora no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa (ISCSP- ULisboa). É coordenadora das Pós-graduações “Gestão de Recursos Humanos” e “Empreendedorismo e Inovação”... Ler Mais