Elas representam 50% da população ativa e são tão ou mais escolarizadas e qualificadas que eles.

No entanto, o problema da diversidade de género (ou falta dela), sobretudo em lugares de topo nas organizações, é um problema societal persistente, havendo (muitos) estudos que consideram que, se não forem adotadas medidas concretas, nomeadamente em termos de políticas públicas e de implementação programada de novas práticas pelas organizações, levará mais de 100 anos a atingir uma situação de paridade de género, tão lenta tem sido a evolução.

Independentemente dos juízos éticos e morais que se possam fazer, o fosso entre homens e mulheres é, acima de tudo, um problema da sociedade e da economia. Muitas das mulheres altamente qualificadas, permanecem ainda afastadas de cargos de gestão de topo, por razões diversas, verificando-se um desperdício de talento e de competências que deviam ser postas ao serviço das organizações. Mas, acima de tudo, estamos a drenar o investimento feito pelas famílias, pelas empresas e pelo Estado em 50% da população, o que tem um impacto muito negativo na economia. Enviesamentos culturais e de perceção levam, ainda, muitos de nós a acreditar que os cargos de gestão são mais bem desempenhados por homens.

A diversidade de género ainda não é consensual como fator de competitivade, apesar de inúmeros estudos de entidades muito reputadas demonstrarem que as empresas que detêm um número significativo de mulheres na gestão de topo apresentam consistentemente melhores resultados do que os concorrentes do mesmo setor, em diversos indicadores, incluindo EBITDA. Às mulheres compete acreditar que podem estar à frente da gestão das organizações, sendo a capacitação para tal uma etapa essencial.

Um ano corrido após a entrada em vigor da Lei n.º 62/2017, de 1 de agosto, comumente conhecida como ”Lei das Quotas”, tem-se verificado a diminuição do fosso entre homens e mulheres em cargos de administração e fiscalização de empresas públicas e cotadas, segundo a Comissão de Igualdade de Género. No entanto, há ainda muito trabalho a ser feito neste campo.

Com o objetivo de contribuir para a promoção da igualdade de género, capacitando e empoderando as mulheres para o desempenho destas funções, a VdA Academia, desenvolveu o Programa Executivo Women on Boards, programa que é diferenciador por apresentar uma combinação de temas rara de encontrar, e que terá a sua segunda edição já no próximo mês de outubro em Lisboa.

Ao longo de quatro dias, serão abordados conteúdos de gestão, jurídicos e comportamentais, proporcionando o desenvolvimento de conhecimentos e competências em áreas fundamentais para o exercício bem-sucedido de funções em órgãos de administração e fiscalização. Num registo de proximidade e de partilha, as participantes terão também oportunidades de networking com oradores convidados e com Key Note Speakers, ficando a conhecer a sua experiência e os desafios que enfrentam enquanto gestores.

O programa pretende contribuir para o desenvolvimento de uma matriz de conhecimento alargado, completo e essencial para a resolução de situações da prática empresarial e, por essa via, dar resposta a um dos novos desafios que o tecido empresarial português enfrenta. (Saiba mais via womenonboards@vda.pt).

* E diretora de desenvolvimento organizacional da VdA

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