Parte da aventura num percurso de empreendedorismo implica aprender com os erros que vão surgindo, mas é a forma como os empreendedores agem perante estes que pode definir o futuro do seu projeto.

Este ano vai ficar marcado pela queda da Theranos, uma das start-ups internacionais mais promissoras na área da saúde. A organização, que chegou a atingir uma avaliação de quase 8 mil milhões de euros, foi desmascarada, em 2015, por uma reportagem do Wall Street Journal. O jornalista por trás da investigação descobriu que a tecnologia desenvolvida pela empresa de Elizabeth Holmes estava longe de cumprir aquilo que prometia. Desde essa altura que o projeto estava numa espiral descente e, no início de setembro deste ano, bateu finalmente no fundo.

O que podem os empreendedores aprender com este caso? A não mentir sobre o potencial do projeto aos média e ao público; a falhar rápido e aprender com isso; a saber que o público dá valor à transparência e aos líderes que assumem a responsabilidade pelas suas ações; e, ainda, que o dinheiro não consegue resolver tudo – a Theranos levantou perto de 700 milhões de euros de capital de risco.

Apesar deste caso ter sido um dos mais emblemáticos do ano em curso, há muitos outros com que os empreendedores podem aprender. Alguns estudos indicam que as razões mais comuns para as start-ups falharem prendem-se com o facto de o mercado não necessitar do que oferecem; de ficarem sem dinheiro; ou, simplesmente, de não terem a equipa certa.

Exemplo disso são as start-ups que fazem parte do “cemitério” de 2018 da Pitchbook. Em conjunto, os exemplos ali citados, receberam mais de 1.1 mil milhões de euros em investimento e todas falharam por algum motivo.

A Shyp, por exemplo, é uma das start-ups inseridas nesta lista. O projeto que se baseava em fazer entregas de uma forma mais moderna, e que chegou a ser comparado à Uber, falhou ao fim de cinco anos. Num texto publicado no LinkedIn, o CEO Kevin Gibbon faz uma “autópsia” à extinta Shyp. As razões, explicou, tiveram origem nas campanhas publicitárias dirigidas à audiência errada e por tentar crescer a todos os custos, expandindo a zona de atuação agressivamente. O projeto estava avaliado em perto de 230 milhões de euros e já tinha recebido mais de 50 milhões de euros de firmas de capital de risco.

Outro caso conhecido é o da Juicero, uma start-up que queria levar sumos naturais a todas os lares norte-americanos. Alguns dos pontos mais relevantes a saber sobre este projeto são que vendia uma máquina de espremer sumos a cerca de 350 euros; que o braço de investimento da Google injetou nele mais de 100 milhões de euros; e que o seu fundador se comparava ao Steve Jobs no que dizia respeito a encontrar a perfeição nos seus produtos. Sublinhava que o seu espremedor tinha quatro toneladas de força – “o suficiente para levantar dois Teslas”, dizia.
Apesar da autópsia oficial revelar que a Juicero não conseguiu encontrar um modelo de negócio sustentável, sabe-se que a Bloomberg teve a sua quota parte de culpa na queda da empresa. Tal como a Theranos, também este projeto foi alvo de uma investigação jornalística, através da qual se descobriu que as “quatro toneladas de força” eram desnecessárias e que qualquer pessoa conseguia espremer o sumo do recipiente.

Parte da aventura num percurso de empreendedorismo implica aprender com os erros que vão surgindo. A forma como os empreendedores agem perante estes pode definir o futuro do seu projeto.

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