A Spotahome, plataforma online de reservas espanhola, anunciou ontem a sua entrada consolidada em Lisboa. O Link to Leaders falou com Hugo Monteiro, o cofundador português da empresa que já tem mais de 130 mil propriedades espalhadas por 65 países.

A Spotahome acabou de aterrar o seu negócio em Portugal. Apesar de já estar presente no mercado português desde março, altura em que adquiriu a Erasmusu, só agora é que a holding de PropTech (tecnológica do mercado imobiliário) decidiu comunicar aos órgãos de comunicação a sua entrada consolidada no mercado português.

Atualmente, a Spotahome já conta com mais de 500 apartamentos, casas e quartos prontos para alugar em Lisboa e a Norte, no Porto, está prestes a replicar o mesmo modelo, contando já com quase uma centena de propriedades prontas para serem alugadas.

A entrada no mercado português vem no seguimento do fecho de uma ronda de série B de 40 milhões de dólares (cerca de 35 milhões de euros) por parte da start-up espanhola – liderada pela Kleiner Perkins Caufield & Byers, uma firma de investimento de Silicon Valley.

Questionado pelo Link to Leaders sobre o porquê de procurar uma oportunidade no outro lado do Atlântico, Hugo Monteiro, VP de engenharia e cofundador da start-up, explica que, apesar de terem a possibilidade de receber investimento de empresas europeias, “precisávamos de um parceiro especial que nos desse um entendimento profundo sobre algumas áreas, como tecnologia e recursos humanos”.

Em comunicado, o português que cofundou a Spotahome – e que em tempos trabalhou na Uniplaces -, afirma que “não podia estar mais orgulhoso daquilo que estamos a conseguir em Portugal. Para mim, trazer esta ideia de negócio de Espanha para Lisboa e também para o Porto não é apenas um sucesso no negócio, é um êxito pessoal. Viemos para ficar e somos a opção de arrendamento online para o público local”.

Spotahome faz check-in em Lisboa após investimento de Silicon Valley

Hugo Monteiro, VP de engenharia e cofundador da Spotahome.

Contando já com uma vasta experiência no mercado português, depois de ter trabalhado na Uniplaces, Monteiro sublinha que as diferenças entre os dois projetos se prendem com o facto de “a Spotahome ser uma alternativa mais inclusiva”, visto que “não nos focamos apenas na comunidade internacional, para nós os inquilinos locais são chave para o negócio”.

Desta experiência na start-up portuguesa, onde trabalhou enquanto engenheiro de software, o empreendedor afirma que, apesar de o balanço ser positivo, quando conheceu os restantes cofundadores da Spotahome, apercebeu-se que “precisávamos de criar alguma coisa diferente” para deixar um marco na indústria imobiliária.

Embora uma maiores dificuldades das start-ups seja encontrar talento, em apenas quatro anos de existência, a Spotahome cresceu para uma equipa de quase 300 pessoas. A empresa está atualmente “numa fase de crescimento e reinvestimos a nossa receita em contratar novos profissionais e em melhorar o produto da perspetiva tecnológica”, adianta o VP de engenharia.

Por agora, o dinheiro que está a entrar na start-up é reinvestido nas componentes tecnológica e de recursos humanos. E com este investimento da firma de Silicon Valley, a Spotahome pretende aumentar a sua equipa executiva de forma a que possa apoiar o crescimento em novos mercados.

Para a Spotahome, o caminho a seguir é claro: “queremos reinventar o mercado imobiliário. Para atingirmos este objetivo vamos fazer tudo o que for necessário, mas neste momento estamos a focar a nossa atenção em consolidar a nossa posição em 33 cidades onde temos operações”, explica Monteiro. Os próximos passos a serem dados pelo projeto sediado em Madrid passam por tornar a experiência do utilizador mais transparente, honesta e excitante.

A Spotahome foi a primeira start-up espanhola (e a quinta europeia) a receber um investimento de Silicon Valley. “É sempre difícil receber investimento, mas se houver um caminho claro, uma visão da indústria, uma missão bem definida e os valores corporativos bem definidos, é mais fácil convencer os outros que o teu projeto é ‘o tal’”, remata o cofundador português.

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