Se é um fumador inveterado e foi convidado para um jantar em que no canto inferior esquerdo do convite aparece a palavra “smoking”, não pense que vai estar numa festa em que pode fumar à mesa sem ser fulminado pelo olhar dos outros convidados. Infelizmente para si, só em Inglaterra é que “smoking” continua a ser um vício e não um traje.

Nos convites formais, esse canto é para inserir o “dress code” ou traje. O “smoking” é entre nós o traje masculino de cerimónia noturno. Se este traje ainda não consta do seu guarda-roupa, não se preocupe, porque há sempre a hipótese de o alugar para essa festa. Se se sente pouco à vontade num traje que associa a quem trabalha num restaurante ou num casino e tem medo de que o confundam com os empregados de mesa, aqui ficam as regras para parecer tão elegante como os outros convidados.

Trata-se, no fundo, de um fato preto, cujo casaco tem bandas de seda ou cetim e as calças têm um galão da mesma seda ou cetim de cada lado. Para escolher bem o seu novo traje de cerimónia, esteja atento ao corte e ao modelo do casaco que, se for cruzado, tem dois botões; se não for, tem um.

Usa-se em regra com uma camisa branca, de algodão ou de seda, com peitilho ou pregas. Se não tiver nenhuma, use uma camisa de seda lisa. O que não deve deixar de usar é uma faixa preta à volta da cintura. A faixa de cetim abotoa-se atrás e tem várias pregas que devem ser usadas com a abertura virada para cima (seria aí que os senhores antigamente colocavam as moedas). Quanto aos sapatos, são sempre pretos, de atacadores ou fivela, e estar tão bem engraxados que pareçam de verniz.

Este traje terá sido inventado pelo rei Eduardo VII que, cansado dos incómodos a que a casaca o obrigava quando se sentava, mandou cortar-lhe as abas e passou a usar essa jaqueta para jantar mais confortavelmente. Os amigos do rei adotaram rapidamente este traje e era com “jaqueta de jantar” que, depois da refeição, se demoravam a beber e (sobretudo) a fumar. Ao princípio, devia chamar-se “dinner & smoking jacket”. Como o laço passou a ser preto para se distinguir do laço branco da casaca, hoje tanto aparece a expressão “black tie”, como “dinner jacket”, como ambas: “dinner jacket & black tie”.

Em França, usam três expressões para designar este traje: “smoking”, “cravate noire” ou “tenue de soirée”. Nos EUA, além de “black tie” e “dinner jacket”, surge ainda o termo “tuxedo”, porque terá sido num clube nova-iorquino chamado “Tuxedo Park Club” que este traje apareceu pela primeira vez.

Se foi condecorado recentemente, pode usar a roseta respetiva na lapela do smoking. Noutros países europeus, aceita-se o uso de uma ou mais miniaturas, mas em Portugal a lei determina que as miniaturas só podem ser usadas com o traje de gala, ou seja, com a casaca.

O traje correspondente para senhoras é vestido curto chique, a não ser que o convite indique expressamente «Smoking e vestido comprido». Existe maior liberdade para a escolha do traje feminino que poderá ser da cor que entender, desde que seja num tecido apropriado, como a seda, a organza, o veludo ou o cetim. Nada de vestidos de linho ou algodão. Os sapatos serão de salto alto fino com uma carteira pequena (e chique) de mão. Quanto à bijuteria, pode usar e abusar, desde que não pareça o mostruário de uma joalharia.

Cores vivas dão alegria a salas onde os homens estão todos de smoking preto e onde a maioria das senhoras decidiu seguir a regra de que “com um vestido preto nunca me comprometo”. Uma amiga estrangeira que vive no Chiado, diz que, quando à noite chega a casa e vê na rua muita gente vestida de escuro, nunca sabe se vão para um velório ou para uma festa…

Se o convite for para uma gala televisiva, pode esquecer os conselhos anteriores. A maioria das celebridades masculinas presentes vai ignorar a exigência de “smoking”. As senhoras irão de vestido comprido, mas a maioria dos homens vai transformar o traje de cerimónia numa fantasia. Quanto mais original melhor. Sapatilhas em vez de sapatos de pele, camisa de folhos coloridos em vez de peitilho, gravata preta em vez de laço, faixas de todas as cores, etc. O conceito de elegância é muito subjetivo. A regra essencial é que cada um se sinta bem com o que veste.

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Sobre o autor

Isabel Amaral

Isabel Amaral é Presidente da Associação Portuguesa de Estudos de Protocolo desde 2005 e Investigadora do Instituto do Oriente (ISCSP-Universidade de Lisboa), desde 2013. É oradora internacional, empresária, coach executiva, docente em universidades portuguesas e estrangeiras, palestrante e conferencista, em temas como Imagem, Protocolo e Comunicação Multicultural. Como formadora de protocolo, imagem e comunicação intercultural, assegurou a organização e monitoria de diversos cursos em Portugal, Angola, Cabo Verde, Namíbia. Espanha,... Ler Mais