Até os pássaros nas árvores sabem que entrámos bem na 4.ª Revolução Industrial, que uma pessoa hoje em dia tem mais amigos no Facebook do que na vida inteira, que a Tesla é um símbolo de estatuto, que a Sophia é um robot com cidadania e clichés semelhantes tão caraterísticos da nossa rápida e consumidora era digital.

O empreendedorismo é uma fonte constante de inovação, com as últimas tendências a exigirem referências para, por exemplo, inteligência artificial e machine learning, a fim de evitar o risco de uma empresa ser rotulada apenas como tradicional ou, pior ainda, entediante. Mas afinal como é que isto se reflete a nível da elaboração de políticas públicas?

Muitas histórias têm sido contadas sobre representantes públicos que carecem de conhecimentos básicos e experiência em conceitos empresariais contemporâneos e debates sobre inovação. Para alguns, nem mesmo um mandato, sob condições que o sobrevivem ou têm interesse genuíno, seria suficiente para acompanhar as discussões relevantes. No entanto, as coisas estão a mudar à medida que os governos inovadores começam a surgir.

Um exemplo europeu vem de um pequeno país no norte da Europa, a Estónia, que tem estado sob o holofote da inovação por ter lançado o programa de residência virtual com serviços para estrangeiros. Além de ter criado a chamada nação digital para cidadãos globais, o objetivo do programa é levar mais negócio para a Estónia. Registar um negócio na Estónia é um processo online que demora apenas 18 minutos.

Até agora, mais de 30 mil pessoas solicitaram residência eletrónica de 154 países, estabelecendo mais de 5 mil empresas no país. A Estónia está também a liderar a primeira embaixada de dados do mundo, que é descrita num relatório recente da OCDE –  Abraçando a Inovação no Governo –Tendências Globais 2018 -, juntamente com outros case studies interessantes de países de todo o mundo.

Um exemplo completamente diferente vem de um país que há até há bem pouco tempo era sinónimo de óleo e deserto – Emirados Árabes Unidos (EAU).  Os EAU já testaram os táxis voadores, exibiram o protótipo de um hyperloop para ligar os 140 km de distância entre o Dubai e Abu Dhabi em 12 minutos e também nomearam, recentemente, um ministro de inteligência artificial como parte da estratégia nacional de inteligência artificial, introduzindo um conceito único de governo inteligente. Os EAU confiam na IA para melhorar o desempenho do governo e a eficiência, além de economizar 50% de custos anuais até 2031.

Com o intuito de informar os decisores, iniciativas tais como a Global Entrepreneurship Network (Rede Global de Empreendedores) organizam as chamadas Reuniões Ministeriais sobre Nações Startup (Startup Nations Ministerial Meetings) para que os representantes de governo possam trocar ideias e aprender uns com os outros sobre novas práticas para garantir e melhorar as condições de negócio e inovação. O próximo evento será realizado em Istambul, em meados de abril, e cada vez mais oficiais reconhecem a necessidade de fazerem parte desta discussão. Por outro lado, os empreendedores inovadores devem ficar atentos à tendência de elaboração de políticas inteligentes e considerar tornar os Governos seus clientes.

* E diretora geral da Global Entrepreneurship Network em Portugal

 

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Sobre o autor

Ana Barjasic

Ana Barjasic trabalha com uma série de entidades dentro do sistema internacional de start-ups e investidores, como a Comissão Europeia e a Global Entrepreneurship Network como diretora geral em Portugal. Ana também é coordenadora da Business Angel Week desde 2013, uma iniciativa criada pela European Business Angel Network. Nas suas cinco edições, e sob sua supervisão, a BAW tornou-se a maior iniciativa do mundo na promoção do investimento anjo e... Ler Mais