Sustentabilidade – o bicho que todos querem ter em casa mas não o sabem domesticar. As razões? Vão desde o desconhecimento à negligência.

Há dias, estava a caminho da biblioteca, onde me isolo com alguma regularidade aos fins-de-semana em períodos de maior trabalho, e li numa parede:

“Não é sinal de saúde estar adaptado a uma sociedade profundamente doente”.

Honestamente, desconhecia o autor. Num primeiro momento até achei curioso e fiquei contente com tamanha inteligência expressa numa parede. De um street writer, se é que isto existe, icógnito. Mas depois de uma rápida pesquisa foi fácil descobrir que esta era da autoria de Jiddu Krishnamurti. Filósofo e escritor indiano mundialmente reconhecido que dedicou toda a sua vida a estudar a natureza da mente, a origem do pensamento e realização de mudanças positivas na sociedade.

Krishnamurti disse ainda que o auto-conhecimento é a chave para revolução psicológica que falta à sociedade. Esta filosofia é sem dúvida uma das maiores verdades, especialmente quando falamos da transformação sustentável que é cada vez mais crítica de implementar. Até porque acredito piamente que quando falamos de sustentabilidade estamos a falar de um caminho que nos leva à definição da nossa existência como humanidade e como espécie.

Só mudaremos realmente quando todos nós percebermos que sustentabilidade não é um bicho que queremos ter em casa para mostrar às visitas. Somos nós. Não basta adoptá-la para tirar fotografias e pôr no instagram. Tem que ser parte integrante da nossa maneira de ser e das nossas acções diárias.

Confesso até, aqui, por escrito, que ainda muito tenho a fazer neste capítulo da minha vida diária. Mas já sinto que muitas das minhas acções são guiadas por decisões intuitivas e automáticas de responsabilidade. Isto não é só auto-conhecimento mas também capacidade de auto-responsabilização.

Das primeiras vezes que me perguntaram qual a verdadeira razão de ter criado a Planetiers, apercebi-me que a resposta não era assim tão obvia. Apercebi-me até que as respostas mais imediatas que nos vêm à cabeça são falsas.

É díficil descodificar a verdade razão por trás das nossas acções. E é suposto que assim seja. São essas acções, são essas criações que vêm do nosso mais profundo ser que têm sucesso no final.

Que nos permitem seguir em frente, independentemente dos obstáculos e contratempos. É por isso que descodificar esse verdadeiro “porquê” não é fácil. No entanto, após vários anos e vários momentos de introspecção acredito que começo a ficar mais próximo da verdade.

A Planetiers será a empresa mais lucrativa do mundo com um core business totalmente ligado à sustentabilidade. Fui até mais longe – percebi que esta razão e esta força motriz que nos leva para a frente dia após dia ultrapassa a vontade (não escondida) de sermos capazes de gerar dinheiro. Queremos acima de tudo que olhem para nós como uma inspiração. Queremos que outros pensem que podem fazer o mesmo e perseguir a mesma missão de criar um planeta e sociedade mais equilibrados ao mesmo tempo que geram riqueza económica.

Claramente não será a Planetiers a mudar o mundo sozinha, até porque a sua principal atividade é apoiar outras empresas com foco na transformação sustentável a prosperar. Temos colaborado já com muitas empresas seja na componente comercial, de comunicação ou até na própria mudança dos seus padrões de consumo. E uma coisa podemos garantir, que de tudo faremos para nos tornarmos num dos principais agentes aceleradores desta transformação positiva mundial.

Trabalharemos até chegarmos ao ponto em que estar adaptado à sociedade atual seja significado de profunda saúde.

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Sobre o autor

Sérgio Ribeiro

Sérgio Ribeiro é CEO e cofundador da Planetiers. Concluiu o mestrado em Engenharia Biológica no Instituto Superior Técnico de Lisboa. A sua tese de mestrado baseou-se na otimização da gestão de efluentes numa fábrica de biodiesel da Galp. Nos últimos... Ler Mais