No Dia Mundial da Internet, apresentamos algumas start-ups que operam no meio digital. Conheça estes projetos que vão desde uma plataforma de e-commerce a um software-as-a-service destinado a treinadores desportivos.

O mundo da Internet veio abrir um leque infinito de possibilidades aos empreendedores mais audazes. Com isto em mente, e com o objetivo de celebrar o Dia Mundial da Internet, agregámos algumas start-ups que receberam investimento da Portugal Ventures e que têm os seus negócios totalmente sediados na web.

E-COMMERCE
Um exemplo mais prático daquilo que a Internet veio fazer pelos negócios são as lojas online. As soluções digitais vieram potenciar a criação de negócios de uma forma bastante mais prática e com uma abrangência de público substancialmente superior à dos negócios tradicionais.

Apesar de poder haver a ideia de que o público português ainda não é adepto deste tipo de consumo, um estudo da Marktest veio comprovar o oposto. No quarto trimestre de 2017, mais de 4,4 milhões de portugueses visitaram websites de e-commerce, totalizando 881 milhões de páginas visitadas.

A B-Parts está inserida neste mundo das compras online. A equipa desta start-up desenvolveu uma plataforma que liga centros de abate de veículos a profissionais, como oficinas de automóveis e particulares, de maneira a reciclar e lucrar com peças que iriam acabar por ser desperdiçadas.

O negócio, que começou por funcionar num modelo B2B (business-to-business), disponibiliza atualmente o acesso a clientes particulares que queiram resolver os problemas dos seus automóveis de forma autónoma.

Fundada em 2013 por Luís Vieira e Pedro Torres, a B-Parts levantou uma ronda de investimento seed de 650 mil euros por parte da Portugal Ventures. Em 2016, o projeto chegou a crescer 400% em apenas um ano.

DATA
Quando chega a altura de tomar uma grande decisão de negócio, como por exemplo abrir uma nova loja física, é importante recolher o máximo de informação necessária para dar o passo certo. Neste âmbito, quanto mais dados (data) tiver disponíveis, mais fácil se tornam as decisões.

No entanto, agregar toda essa informação pode ser relativamente difícil. Especialmente se tiver muitas variantes a ter em conta.

É este o problema que a Mapidea vem resolver. Numa plataforma simples de utilizar – tal como demonstrado no vídeo abaixo –, tem acesso a informação que vai desde os dados demográficos da população de certa localização aos potenciais competidores que já estejam estabelecidos naquela zona.

A ideia de dois antigos consultores de sistema de informação geográfica da Novabase, Miguel Marques e Eduardo Ramos, nasceu em maio de 2014. Agora, quatro anos depois, a Mapidea já conta com clientes como a Vodafone, a cadeia de pizzarias Domino’s, a José de Mello Saúde e a Novartis.

Em março de ano passado, este Software-as-a-Service (Saas) levantou uma ronda pré-seed de 250 mil euros liderada pela Portugal Ventures. Na altura do investimento, Celso Guedes de Carvalho – CEO da Portugal Ventures até abril deste ano -, referiu em comunicado que a Mapidea “democratizou o acesso aos sistemas de informação geográfica e tornou simples uma ferramenta complexa e dispendiosa, que ocupa tempo e recursos em muitas empresas”.

Recursos esses que, segundo os dados apresentados pela empresa, podem sofrer uma redução entre 50% e 90% quando comparados com os seus competidores.

Ainda na análise de dados, mas transpondo este mundo para o campo do desporto, insere-se a Videobserver, uma SaaS dedicada a este universo e que já conta com dezenas de clientes, como o Sport Lisboa e Benfica, Futebol Clube do Porto, Sporting Clube de Portugal, Sporting de Braga e até com o ucraniano Shaktar.

Esta start-up portuguesa nasceu da experiência em contexto real quando um dos cofundadores, André Rocha,  na altura atleta de alta competição, se apercebeu que os treinadores despendiam de muito tempo a preparar um resumo de poucos minutos para os seus jogadores.

Tendo em conta que as equipas profissionais perdem muitas horas a analisar tanto os seus jogos, como os dos adversários, com o objetivo de avaliarem a performance e poderem ajustar os seus treinos consoante o que está a falhar e quem vão defrontar, a Videobserver oferece uma solução para este problema.

“A Videobserver está a democratizar e facilitar o acesso à análise de vídeo, tornando-o mais fácil, acessível e rápido” – Fernando Sousa, CEO Videobserver

Para além de fazerem todo o trabalho de edição de vídeo sem necessidade de muitos recursos – tanto monetários, como temporais –, este SaaS organiza a informação com o objetivo de relacionar a informação entre diferentes jogos e criar padrões.

Tal como os restantes projetos referidos, também este foi apoiado pela Portugal Ventures. Fernando Sousa, CEO da start-up, escreve-nos que este investimento ajudou o projeto na medida em que “o SaaS é um modelo de negócio que exige um forte investimento inicial. Ao estar baseado em rendas periódicas por contrapartida a um valor de aquisição, significa que os valores que os clientes suportam inicialmente são bastante mais baixos. Isso faz com que a empresa no seu início demore mais a chegar ao ponto de rentabilidade. Nesse sentido, teríamos tido muito mais problemas de sustentabilidade e o próprio processo de internacionalização teria sido difícil”.

PLATAFORMAS DE EMPREGO
Atualmente, seria difícil imaginar a procura de emprego sem o auxílio da Internet. Com acesso à web, qualquer pessoa pode pesquisar milhares de empregos em plataformas mais generalistas, que agregam todo o tipo de empregos, ou mais específicas, que se dedicam a uma área concreta.

Dentro deste segundo grupo está a Landing Jobs, start-up que se dedica exclusivamente a oportunidades de emprego na área das novas tecnologias. A plataforma disponibiliza alguns filtros na procura de emprego com o objetivo de encontrar a melhor correspondência para o candidato.

A start-up assegura que não é apenas um website de emprego. O objetivo passa também por melhorar e valorizar a posição de cada um dos seus utilizadores no mercado. A plataforma – que nasceu em 2014 – já auxiliou centenas de profissionais na procura de emprego. Uma pesquisa rápida pelas ofertas de emprego mostra grandes nomes como a Seedrs, a Volkswagen Financial Group Services ou a Soundcloud à procura de profissionais desta área.

A Portugal Ventures entrou no projeto com 750 mil euros, um ano depois deste ter nascido. Este investimento permitiu à empresa abrir um escritório em Londres, uma das localizações da Europa com mais procura deste tipo de profissionais.

Apesar da presença física em Londres, é em Portugal, na Alemanha e em Espanha que há mais ofertas de emprego. Tal como grande parte das empresas de recursos humanos, o modelo de negócio desta start-up consiste em receber uma comissão do salário bruto anual dos profissionais que são contratados através da plataforma. A comissão varia entre os 7% e os 11%.

Do outro lado do espetro das plataformas de emprego encontra-se a Zaask, que junta a procura e a oferta de serviços locais. Luís Pedro Martins, CEO do projeto, conta-nos que este nasceu “na altura em que terminei o MBA. Estava a trabalhar numa empresa de telecomunicações – o que me obrigava a viajar com regularidade – quando percebi que era muito difícil conseguir contratar serviços locais no pouco tempo que passava em Lisboa e que gostaria de ter um único sítio onde pudesse fazê-lo com facilidade e de forma rápida”.

A partir deste problema nasceu a Zaask, que facilita o processo de procura de serviços locais a pessoas que precisam de profissionais de áreas tão diferentes como, por exemplo, eletricistas, nutricionistas, explicadores ou tradutores.

“A Zaask é um marketplace de serviços locais com uma proposta de valor tanto para a procura como para a oferta” – Luís Pedro Martins, CEO.

“Quantos de nós, quando precisamos de pintar a casa, resolver um problema elétrico ou mesmo encontrar um fotógrafo para um evento da empresa, não tivemos de gastar tempo à procura de quem fizesse esse trabalho? E o problema não se esgota aqui. Depois de termos alguns nomes e contactos, temos de começar a pedir propostas, que nem sempre são respondidas em tempo útil. Se quisermos saber preços e propostas de empresas diferentes, demorará exponencialmente mais tempo”.

A Zaask integra todo este processo: procura de serviço, orçamento e seleção do profissional que mais agrada tudo num só espaço. Do lado dos profissionais, há a facilidade de obterem visibilidade online sem terem de ser especialistas em marketing digital ou gastarem dinheiro na publicação de anúncios.

No entanto, os profissionais registados na plataforma têm de adquirir diversos pacotes de créditos que podem ser utilizados nas diversas oportunidades de trabalho que forem surgindo na plataforma. “As grandes vantagens deste modelo para os prestadores de serviços prendem-se com o maior foco que estes podem ter no seu core business sem terem de preocupar-se, e perder tempo, a angariar novos clientes”, acrescenta Luís Pedro Martins.

Apesar das transações não serem feitas através do website da Zaask, o CEO estima que “o valor faturado pela nossa comunidade de profissionais está entre os 60 e os 80 milhões de euros”.

Para além do apoio da Portugal Ventures, o projeto recebeu 500 mil euros da SDC Investimentos em janeiro deste ano. Depois deste levantamento de capital, a start-up passou a ter uma avaliação de cinco milhões de euros.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
A área de inteligência artificial é uma das recentes áreas tecnológicas com mais visibilidade, visto que ainda se especula sobre o possível caminho que este tipo de tecnologia vai percorrer.

Na Internet, a aplicação mais comum desta tecnologia é nos chamados chatbots, que são aplicados em vários websites com o objetivo de auxiliar os utilizadores.

A DefinedCrowd é uma start-up portuguesa, avaliada acima dos 20 milhões de euros, inserida neste universo. O negócio deste projeto prende-se com criar máquinas capazes de nos entender, como a Alexa da Amazon.

Para esta solução desenvolvida pela empresa de e-commerce de Jeff Bezos funcionar são precisos milhões de dados. E é aqui que a empresa da CEO Daniela Braga entra. O objetivo é ajudar os robots a ouvirem os humanos ao alimentar os algoritmos de inteligência artificial com informação.

Este tipo de dados são recolhidos através de crowdsourcing, ou seja, são pessoas inscritas na plataforma que desempenham algumas tarefas com a finalidade de alimentar o algoritmo. Os utilizadores recebem um pagamento por cada “trabalho” desempenhado.

Empresas como a IBM, Accenture e a Nikon são apenas alguns dos nomes que são clientes da start-up portuguesa. O projeto tem tido bastante visibilidade internacional. Prova disso é o facto de, no ano passado, a CEO ter participado numa conferência organizada pela TechCrunch em Nova Iorque.

Para além da Portugal Ventures, alguns dos conhecidos investidores por trás da DefinedCrowd passam pela Microsoft Accelerator, Amazon Alexa Fund e a Sony Innovation Fund.

 

*fotografia de Ludovic Toinel.

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