Jager McConnell é o CEO da Crunchbase, uma plataforma usada por milhões de empreendedores e investidores que querem descobrir companhias inovadoras. Depois da sua palestra “10 Steeps to fix your shitty pitch”, no Web Summit, falou com o Link to Leaders e deixou mais algumas dicas aos empreendedores nacionais.

Que conselhos base costuma dar a quem vai apresentar um projeto?
Há dois aspetos fundamentais. Um deles é que é preciso entender não só o seu próprio projeto mas também a forma como vai levar esse projeto para o mercado. As pessoas podem dizer que tem uma excelente ideia, mas a questão é: como é que a vão vender? Que passos devem dar para conseguirem estar onde é preciso? Por exemplo, toda gente precisa de comida, é um mercado de milhões, mas como se convencem as pessoas a comer esta comida e não outra?
Outra questão importante é serem honestos na apresentação do produto/serviço no pitch. Normalmente, a tendência é para “venderem” o produto como algo maravilhoso, usar termos complicados nas apresentações….Mas a verdade é que os investidores ouvem tanta coisa que desclassificam se ouvirem aquilo que o empreendedor acha que eles querem ouvir. Por isso, sejam honestos e digam exatamente aquilo que é o produto, o que os apaixona nele. Sejam verdadeiros quando apresentam os projetos. Esse é o melhor conselho que posso dar.
Depois devem responder diretamente às questões. Ninguém gosta de ouvir uma resposta diferente daquilo que perguntou. O investidor vai sentir que o empreendedor não sabe do que está a falar. E isto é muito importante no primeiro contacto e na primeira impressão que se cria. É fundamental estar muito bem preparado e empenhado para contar bem a história do seu projeto, produto ou serviço. Tudo isto sem esquecer um outro aspeto de extrema importância: a confiança. Se não estiver confiante no que está a vender, isso percebe-se logo.Se não estiver confiante não deve ser o CEO da empresa.

O que ficou do Web Summit este ano?
Eu adoro o Web Summit porque é muito importante ver empresas emergentes começarem a aparecer e encontrar tecnologia que nunca tinha visto antes. Acho que Silicon Valley é um pouco uma bolha e a verdade é que acontecem coisas muito interessantes fora dessa bolha. Por exemplo, estou muito entusiasmado com as tecnologias de baterias porque é muito importante à medida que nos afastamos dos combustíveis fósseis. Vi projetos muito interessantes como uma estação de carregamento de baterias para motos que já está a funcionar na Tailândia.

O Web Summit é um bom local para as start-ups fazerem negócios?
Sim, é mesmo espetacular. É um local importante para se estar. Eu sou de São Francisco e preferi estar na Web Summit em vez de estar numa conferência gigantesca que se realizou na minha cidade, porque é o melhor evento do género da Europa. É onde estão todas as start-ups. Há muitas conferências mas esta é a melhor para tudo, negócios, investimentos. É o lugar para se estar.

O que conhece do mercado português?
No ano passado, quando estive no Web Summit, tínhamos um espaço da Crunchbase onde muitos estudantes portugueses procuravam saber coisas, estarem mais envolvidos. Percebi que há uma grande procura em Lisboa. Viram a oportunidade na sua cidade, há uma imensa comunidade de start-ups e é uma forma de injetar um rápido começo, um canal para os portugueses fazerem mais e mais.

Como é que a Crunchbase apoia as start-ups?
A própria plataforma em si suporta start-ups. Por exemplo, se for uma start-up emergente, se nunca ouviram falar de si e quer ser descoberta, pode colocar-se na plataforma e os investidores procuram-na. Quando se está na Crunchbase ajudamos a criar mais tráfego para o seu site. É uma grande ajuda do ponto de vista de awareness. Assim, pode encontrar fundos, colaboradores…. E somos muito bons a procurar pessoas.Temos muitas maneiras de ajudar as start-ups, mesmo que indiretamente.

O que quer para a Crunchbase no próximo ano?
Temos 36 milhões utilizadores mas quero ter muitos mais e a melhor forma de o fazermos é sermos mais do que uma base de dados de start-ups. Queremos estar ligados às empresas e para fazermos isso precisamos de mais informação. Precisamos de encontrar mais empresas e de as colocar no mundo Crunchbase. Em 2018 vamos lançar coisas muito interessantes mas que ainda não posso revelar

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