O fundador da empresa, Jeff Bezos, explicou numa carta aos acionistas que há dois tipos de decisões que têm de ser tomadas. O sucesso da Amazon vem das decisões “tipo 2”.

Jeff Bezos, CEO e fundador da Amazon, explicou numa carta aos seus acionistas, no ano passado, que existem dois tipos de decisões:

As decisões “tipo 1” são irreversíveis e têm de ser tomadas com precaução. O segundo tipo de decisão é reversível e tem de ser tomada rapidamente.

A capacidade e predisposição de tomar decisões do segundo tipo, tem sido um fator determinante para o sucesso da Amazon. Quem o diz é Scott Galloway, autor e fundador da L2, uma empresa de digital intelligence, e professor de marketing na nova-iorquina Stern School of Business. No seu novo livro “The Four: The Hidden DNA of Amazon, Apple, Facebook, and Google” , Galloway explica que a mentalidade e a capacidade de tomada de riscos ajudou a Amazon a tornar-se numa das maiores empresas do mundo.

Neste novo livro Galloway mostra a razão para a Amazon não ter medo de fazer investimentos “tipo 2” que, no final, acabam por compensar. Uma das razões é a coragem de parar de investir quando não está a dar certo, e usar o dinheiro que estava disponibilizado para continuar a financiar essa ideia num outro projeto. Alguns dos investimentos mais “fora da caixa” feitos pela Amazon tornaram-se em grandes vitórias, como a Prime e os serviços web.

A título de curiosidade: a última grande ideia da gigante de e-commerce passa por criar armazéns voadores, com o objetivo de facilitar as entregas feitas através de drones. Uma ideia que, em princípio, poderia parecer estranha, mas que já fez com que o seu maior competidor americano, o Wal-Mart, registasse uma patente para o mesmo tipo de infraestrutura.

O autor refere que as tomadas de decisão por parte da Amazon passam por um grande escrutínio, referindo que a empresa não avança a 100% com um projeto sem saber se é exequível ou se tem realmente potencial. Neste aspeto a companhia de Jeff Bezos é diferente da maioria das organizações.

Citando Galloway no seu novo livro, “a minha experiência com empresas tradicionais é que tudo o que é novo é visto como uma inovação, e as pessoas que são destacadas para trabalhar com isso, tal como qualquer pai, tornam-se irracionalmente apaixonadas pelo projeto e recusam-se a perceber o quão estúpido e feio o projeto se tornou. Como resultado, as empresas tradicionais não só ficam com menos capital para investir, como também menos oportunidades de negócio”.

Devido à politica de investimentos da Amazon, a empresa “pode agora pedir dinheiro emprestado por um custo menos elevado que a China”, referiu Galloway ao Business Insider, o que significa que “podem ‘atirar mais coisas à parede’ do que qualquer outra empresa”.

As decisões “tipo 2” tornam os projetos fracassados da Amazon numa “simples barreira fácil de ultrapassar, enquanto que a maioria das empresas teriam de fechar os seus negócios ou cortar os valores das suas ações em metade”, acrescenta o autor.

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