Donald Trump é o novo presidente dos Estados Unidos. Antes disso, era estrela de televisão. Antes disso, escrevia (ou mandava escrever) livrinhos sobre como ser um empresário de sucesso.

Donald Trump tem uma coisa muito importante para ensinar a todos os líderes que habitam as empresas espalhadas pela Terra. É uma lição muito importante. Se calhar, a lição mais importante que todos temos que aprender enquanto líderes, mas que ninguém nos ensina.

É uma lição muito simples:

Não são os resultados que interessam, é a forma como se atingem os resultados.

Muitos de nós gostavam de escrever livros e aparecer em programas de televisão sobre gestão e liderança. Algumas pessoas até gostavam de ser presidente dos Estados Unidos. Mas será que todos gostávamos de chegar a esses resultados pelo mesmo caminho de Trump? Eu conheci algumas das pessoas que gostavam. Mas espero que isso tenha sido azar meu e que não seja comum no resto das empresas.

Na campanha, Trump usou o medo, o ódio. No programa de televisão, usou a vergonha e a humilhação. Funcionou? Claro que funcionou. A vergonha e o medo são ferramentas muito boas para pôr as outras pessoas a fazer o que a gente quer. Se calhar, até são as melhores ferramentas de liderança para quem quer atingir resultados.

Mas é isso que cada um de nós quer deixar pelas empresas em que passa? Ódio, desânimo? Sonhos traídos e laços destruídos?

É que essa é a herança dos Trumpinhos que andam por aí. Essa é a herança dos tiranetes que enxotam, com um leque de folhas de cálculo, as pessoas que têm a coragem de lhes apontar um espelho para a cara. Um daqueles espelhos simples, sem bordas douradas, nem luzinhas à volta.

Esses líderes apresentam resultados, mas destroem as organizações por onde passam.

Fazem mais ou menos o mesmo que os Brexiteiros fizeram à Inglaterra e os Trumpistas estão a fazer aos Estados Unidos. Dão licença às pessoas sem caráter para atacarem quem lhes apetece, como polacos a levar tareia na Inglaterra e crianças com avós mexicanos a serem insultadas nas escolas americanas.

O que o líder faz às outras pessoas é o menor do problema destas empresas. O pior é o que as pessoas fazem umas às outras. Isso deixa cicatrizes daquelas que não saram, nem mesmo com o bálsamo de um novo líder. Um daqueles para quem as folhas de cálculo bonitas são um efeito secundário do verdadeiro trabalho dos líderes.

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Sobre o autor

João Vieira da Cunha

João Vieira da Cunha é escritor. Utiliza uma variedade de meios para partilhar as suas ideias, desde as mais prestigiadas revistas científicas na área da gestão até uma conta rebelde no Twitter. É doutorado em Gestão, pela Sloan School of... Ler Mais