Aprenda com os erros dos outros e não siga estes conselhos. As dicas são de 10 empreendedores internacionais que revelam os piores conselhos que já receberam.

Se já começou um negócio deve saber por experiência própria que todas as pessoas a quem conta a sua ideia vão dar uma opinião sobre como é que pode aprimorar o projeto – mesmo que tenham pouco conhecimento sobre o assunto.

Se não forem conselhos de empreendedores bem-sucedidos ou de pessoas que já estiveram na sua posição, é importante que seja especialmente crítico em relação à cascata de opiniões/conselhos que podem surgir.

A Forbes lançou recentemente um artigo onde expõe os piores conselhos que dez empreendedores receberam. A lista que se segue inclui essas sugestões:

Torna-te numa organização sem fins-lucrativos. Apesar de parecer uma ideia positiva à primeira vista para os projetos que têm o impacto social positivo como objetivo, há vários problemas que podem surgir com a implementação deste conselho. Como Sacha Nitsetska, fundadora e CEO da Mavenli.com – uma plataforma focada no networking com mentores -, conta à Forbes, a ideia veio de um potencial investidor numa reunião. Segundo este, ninguém ia pagar por serviços de mentoria, apesar de, na altura, Sacha já ter vários clientes em carteira – mesmo antes de construir a plataforma. “O meu conselho passa por só receberem conselhos de pessoas que acreditem naquilo que estão a fazer e que estejam na mesma frequência que vocês”, salienta.

Arranja um escritório requintado. “Quando lancei o meu negócio, conheci uma pessoa que tinha um negócio de consultoria a crescer abruptamente e que me disse que era obrigatório arranjar um escritório requintado”, relembra Rafe Gomez, um dos donos da VC Inc. Marketing. Este conselho aparece em oposição a um dos fundamentos mais básicos dos primeiros dias de uma start-up: só gastar dinheiro no que é absolutamente necessário. Como seria de esperar, Gomez ignorou o conselho do consultor e começou a trabalhar a partir de casa.

Utiliza o outsourcing para aquilo que conseguires. Da mesma maneira que o conselho anterior, também este contraria outro pilar dos primeiros dias de um projeto: só faça em outsourcing aquilo que não conseguir de outra forma. Contudo, Nadya Rousseau, CEO e fundadora da agência de marketing digital Alter New Media, recebeu uma sugestão diferente: a de fazer tudo aquilo que conseguisse em regime outsourcing e para se focar nas vendas e no crescimento do negócio. Ao contrário dos empreendedores anteriores, seguiu o conselho. O resultado foi um desastre: o trabalho era feito com pouco cuidado, as margens de lucro eram menores, foi perdida uma oportunidade de aprendizagem e parte dos seus clientes acabaram por não ficar satisfeitos.

Se construíres, eles vêm. A Cody Swann, CEO da Gunner Technology, uma empresa de desenvolvimento de software, foi dito para se focar totalmente em construir um produto ou um serviço de excelência. Isto porque, se esse patamar fosse atingido, os clientes acabariam por aparecer. No entanto, como refere Swann à Forbes, este conselho até podia resultar há alguns anos, mas isso já não acontece, uma vez que o mercado está saturado e é necessária uma grande estratégia de marketing para eliminar o ruído da concorrência.

Vai levantar investimento. Já a Kristina Libby, cofundadora da SoCu, disseram para levantar capital junto de um investidor. Segundo a empreendedora e professora da New York University, isto não só é um mau conselho, como também é muito pouco provável que consiga recolher dinheiro junto de venture capitalists. “A maior parte dos negócios têm de ser rentáveis primeiro”, explica Libby.

Recolhe investimento antes de te lançares. Acertar na altura correta para lançar um negócio tecnológico pode ser fundamental para o seu sucesso. No entanto, de acordo com o artigo da Forbes, há start-ups que não se lançam para o mercado com medo de diminuírem as possibilidades de receber investimento. Este foi o caso do conselho seguido por Sukhjob Basi, CEO da Bank Yogi, que acabou por não lançar o negócio e perdeu uma oportunidade de testar o mercado, tendo, ao mesmo tempo, sido ultrapassado pelos seus concorrentes.

Paga para entrar. A Olika é uma empresa produtora de dois tipos de desinfetante de gama premium. Como recorda à Forbes Jessica Postiglione, CEO e cofundadora do projeto, o primeiro feedback que lhe foi passado foi de que as pessoas não estariam dispostas a pagar por um desinfetante premium quando existem soluções baratas do mesmo género – esta ideia veio a provar-se errada mais tarde. Mas este não foi o pior conselho que lhe foi transmitido. A ideia mais medíocre que recebeu foi a que deveria comprar espaço nas prateleiras dos supermercados para estar próxima dos clientes, o que Postiglione acreditou não fazer sentido, visto que “não é uma estratégia viável, a longo prazo, para um projeto com fundos limitados. Para além disso, não é uma estratégia que reflita a era digital e o poder do e-commerce”.

Construir para vender. Se está a par do mundo do venture capital deve saber que um dos requisitos mais importantes para qualquer projeto é haver um plano de exit. Isto é fundamental na medida em que é uma forma de os investidores reaverem o seu dinheiro. Joni Carley, uma consultora que já trabalhou com vários empreendedores, explica à Forbes que o conselho que já viu mais empreendedores seguir foi o de construírem um negócio para o venderem em cinco anos. Objetivo: sair do projeto com um lucro elevado. Segundo a consultora, este é um mau conselho na medida em que é altamente irrealista, o decision-making é negligenciado e levanta grandes questões sobre o envolvimento e a paixão dos empreendedores com o projeto.

Persegue clientes grandes. Um cliente grande pode trazer uma grande diferença positiva a um negócio pequeno, mas também o pode afundar. A ideia foi partilhada por Mario Peshev, fundador e CEO da DevriX, que acredita que, apesar de um cliente grande ser uma conquista importante para um pequeno negócio, é necessário haver cautela, visto que caso este decida não renovar o contrato, ou mudar de prestador de serviços, o seu negócio pode afundar. É, portanto, imprescindível que diversifique o seu portfólio de clientes.

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