No passado mês de março a plataforma Portugal Agora lançou uma Agenda para a Inovação e Empreendedorismo Social.

Num espírito de co-criação e de colaboração, mais de 20 pessoas deram a sua contribuição voluntária na construção de um documento que está já ao serviço da sociedade e que pode ser lido AQUI. É uma agenda “inacabada”, no sentido em que tem margem para incorporar novas propostas e insights. E é aqui que reside a beleza deste documento, neste work in progress e no apelo à utilização da inteligência coletiva dos vários agentes da nossa sociedade.

Em jeito de alinhamento inicial, a Agenda assenta em várias dimensões de intervenção: a educação, formação e empregabilidade, a coesão territorial, a saúde, o envelhecimento ativo, o ambiente e a gestão de recursos e a eficiência do próprio ecossistema de empreendedorismo e inovação social. Outras podem/devem ser acrescentadas.

Este exercer de cidadania participativa, juntando pessoas, empresas e academia visa exatamente dar um exemplo de inspiração e o mote para a ação do comum cidadão. É este o propósito do Portugal Agora: dar voz aos cidadãos que estão inquietos e/ou inconformados com alguma questão social – permitir-lhes apresentar propostas concretas para a resolução de problemas reais e levando as suas vozes junto de instituições com capacidade de execução. Acreditamos que em cada cidadão há um empreendedor social potencial. Porque existem problemas, vão sempre existir problemas mais ou menos complexos (e isto são boas notícias! há trabalho a fazer!) e, por isso, importa haver um foco na procura de soluções que impactem de forma positiva e sustentável a sociedade.

Ser empreendedor social é, na sua essência, ter a capacidade de resolver problemas. É um mindset que tem de assentar numa cultura de inovação. De fazer, experimentar, testar, falhar e refazer. De continuamente aprender com o erro, sendo resiliente e com entusiasmo seguir em frente. E isso está ao alcance de cada um de nós, enquanto cidadãos ativos, preocupados em melhorar a qualidade de vida das nossas comunidades. E nunca esquecendo a enorme capacidade que tem de se ter para lidar com os “velhos do Restelo”, que vão certamente aparecer nesta jornada – aqueles que procuram problemas em cada solução.

A via do empreendedorismo social não é um caminho fácil de trilhar. Mas é um desafio que está a ser colocado a Portugal e para o qual temos de responder em várias frentes de intervenção. E já estamos a dar cartas, por exemplo: Portugal foi o primeiro país do mundo a ser mapeado em termos de inovação social com o MIES – Mapa de Inovação e Empreendedorismo Social. É um processo com princípio, meio e fim, uma dinâmica consciente de indivíduos e instituições que fazem deste contexto o cenário ideal para as oportunidades de inovação social acontecerem.

Deixamos uma proposta concreta para o disseminar do empreendedorismo social: integrar este tema nos programas escolares, começando pelo ensino básico, a par da matemática e do português – por uma política de educação baseada na sensibilização e consciência para uma cidadania ativa. E colocamos um desafio ao leitor: descubra o empreendedor social que há em si!

*Empowering & Learning Experiences. Docente universitária. Equipa de Coordenação – Portugal Agora

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Sobre o autor

Rita Oliveira Pelica

Networker, curiosa e de espírito empreendedor, é Chief Energy Officer & Founder da ONYOU – Empowering & Learning Experiences, desenvolvendo vários projetos na área da educação e da formação de jovens universitários e executivos, com ênfase nas competências comportamentais pessoais e sociais (soft skills). Neste enquadramento, é co-organizadora do Curso de Soft Skills e Marketing Pessoal no ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão). É Certified Facilitator em LEGO ®... Ler Mais