“…capacidade de o indivíduo lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas – choque, stress, algum tipo de evento traumático, etc. – sem entrar em surto psicológico, emocional ou físico, por encontrar soluções estratégicas para enfrentar e superar as adversidades. ..”

Resiliência é uma palavra relativamente nova no léxico da gestão… e até da nossa vida.
Chamávamos-lhe resistência, força de vontade, coragem, determinação, vontade de ir à luta, capacidade para superar problemas… um sem número de palavras que, se somadas, caracterizavam a resiliência.

Sabemos o quão fundamental é, nos dias de hoje, sermos resilientes.

A adaptação constante a um mundo em mudança e todas as pressões que decorrem da vida competitiva e corrida que vivemos, fazem com que todos nós dela se revistam quando não a temos, e a usemos quando dela dispomos.

Do universo profissional, onde hoje a resiliência se tornou uma das primeiras características a ser enumerada quando se elabora um perfil para qualquer processo de recrutamento (sobretudo em postos com contacto com o público ou funções de chefia) ao universo pessoal.

Neste, embora ainda muito associado a coisas más (sofrimento, esforço, contrariedades inultrapassáveis, …) já norteia muitas vezes o nosso comportamento perante a adversidade e os desafios que ela nos coloca.

E de facto, é disso que se trata!
Quando corre mal… o que fazemos?
Como reagimos? Que decisões tomamos? Como nos comportamos? Por que sentimentos somos invadidos?

Casos há, infelizmente, em que não há opções e a nossa escolha do que fazemos é limitada.
Mas na maioria das vezes, temos escolha entre vários caminhos.

O da resignação e aceitação do que de mal nos acontece como irresolúvel, da entrega dos pontos e desistência de lutar, em geral acompanhado de lamento e choro, e de procura de responsabilidades e culpas que nos atenuem o sofrimento.
Em alternativa, o de enfrentar a situação e ir à luta, com vontade de vencer os desafios que nos aparecem no caminho e determinação para superar os obstáculos que nele aparecem.

E, uma vez mais, fazemos escolhas da forma como o percorremos.
Em esforço, de dentes cerrados, sem nunca desistir mas maldizendo tudo e todos pelo que vamos tendo de fazer, enfrentando as contrariedades como se de castigos se tratassem…
Ou olhando para tudo duma forma positiva, rindo dos falhanços e celebrando as conquistas, não complicando o que já não é fácil, procurando sempre a forma mais direta de chegar onde queremos, e mantendo a certeza de que, no fim do percurso, vamos conseguir atingir os objetivos a que nos propusemos quando o começamos.

Esta forma e leve – não leviana, não desinteressada, não apatetada, não crédula, não cega – parece ser a melhor para chegar ao fim com forças para o que se segue.
Porque não o fazemos sempre que temos de resolver um problema????

Em homenagem a uma Mãe Coragem.
Gravidez desejada, sem sobressaltos – exceto um bocadinho de Nutela e Chocapic a mais…:-)

Às 30 semanas, complicações graves e inesperadas.
Parto de cesariana, prematuro com 1300 gramas.
Bebé nos cuidados intensivos, incubadora, pneumotorax, perda de peso até às 1000 gramas, recuperação do peso, passagem para cuidados intermédios, apneias …

Mãe 10 dias internada, hipertensa, rins a falhar, alta medicada com perspetiva de vários meses até recuperar valores originais.

Nunca, mas nunca, ao longo das cinco semanas entre este cenário e o dia de hoje, em que o Afonso foi para casa já 2025 gramas, se ouviu desta Mãe (ou do Pai, sempre um rochedo de calma e confiança ao seu lado…) um lamento, um questionar de porque lhe havia de ter acontecido a ela, uma revolta pela injustiça, uma impaciência com quem a rodeava, um queixume pelo cansaço físico ou psicológico que o caminho diário para a MAC provocam.

Pelo contrário … sempre um acreditar profundo de que tudo ia correr bem, uma luta diária para fazer tudo o que pudesse para ajudar a que isso acontecesse, um sorriso nos lábios, uma resiliência sem limite!

Obrigado, Constança, por nos mostrar a todos como se faz!

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Sobre o autor

Maria do Rosário Pinto Correia

Maria do Rosário Pinto Correia é regente da disciplina de Marketing in The New Era (licenciatura em Business Management) na CLSBE. Coordena, ainda, 3 programas de Executive Education - PGV - Programa de Gestão de Vendas, EI - Estratégias de... Ler Mais