Sempre considerei o “Talento” como um conceito difícil de conceber e de explicar. A dificuldade permanece.

Porém, a forma como mais me faz sentido olhar para o talento resulta na conjugação de três fatores:

  1. Uma predisposição/aptidão/capacidade para determinada atividade, conhecida ou desconhecida ao próprio;
  2. A motivação para se continuar a desenvolver enquanto pessoa e na área específica de atuação;
  3. O prazer que a pessoa retirará dos dois primeiros pontos.

Primeiras palavras

Peter Drucker sempre foi uma mente à frente do seu tempo. Num artigo publicado na Harvard Business Review de setembro/outubro 1992 já escrevia:

“Na sociedade do conhecimento (…) os gestores têm de se preparar para abandonar tudo aquilo que sabem (…) é seguro assumir que alguém com alguns conhecimentos terá de conseguir novos conhecimentos todos os 4 ou 5 anos ou tornar-se obsoleto.”

“Qualquer empresa, não importa de que setor, está sempre em concorrência pelo seu recurso essencial: pessoas qualificadas e com conhecimentos.”

No livro “The war for talents” de Michaels, Handfield-Jones e Axelrod, o TALENTO é definido como: “somatório das capacidades de um indivíduo: competências, conhecimentos, experiência, inteligência, atitude, caráter, motivação e a sua vontade de crescer e aprender.”

Ideias para reflexão sobre a gestão do talento

Ideia Nº 1 – A Gestão do Talento tem a ver com:

  • As novas realidades. Vivemos num contexto U.C.A. (Vulnerable, Uncertain, Complex, Ambiguous);
  • Missão, Visão, Estratégia e Valores da empresa;
  • Planeamento de Recursos Humanos e Sucessão;
  • Knowledge Management e Learning Agility;
  • Learning Organization.

Ideia Nº 2 – A Gestão do Talento começa com o Recrutamento. O Recrutamento é um processo contínuo que deve acontecer com todo o rigor[i]. Use a mnemónica D.A.T.A. (Desire, Abilities, Temperament, Assets) para escolher as pessoas.  A SONAE sempre utilizou muito bem o seu Programa CONTACTO para atrair jovens talentos para o Grupo.

Ideia Nº 3 – Retenção: apresentar uma proposta de valor personalizada e oferecer oportunidades de desafio e desenvolvimento, com as chefias a garantirem um papel fundamental (“people don´t leave companies, they leave bosses”). A mobilidade é essencial (política de zig-zag da SONAE)

Ideia Nº 4 – Importante o acompanhamento da carreira: Feedback e Coaching.

Ideia Nº 5 – Uma importante companhia farmacêutica considera na Gestão do Talento duas realidades: a PERFORMANCE e o POTENTIAL, posicionando as pessoas face a estes dois aspetos. PERFORMANCE é definida como: “the ability to consistently deliver results over time. The focus is on an individual´s sustained performance over the past 3 – 5 years, no tone specific accomplishment or performance period”. Já POTENTIAL é definido como: “learning agility – can quickly respond to diverse, intense, varied and adverse assignments. Demonstrates superior performance under first-time or different, not repeat conditions. Eagerly learns new competencies in order to perform”.

[i] Jim Colins, no seu livro GOOD TO GREAT, já referia: “Never put an idiot aboard the bus…”

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Sobre o autor

Vítor Sevilhano

Vitor Sevilhano é acionista e CEO da Escola Europeia de Coaching, tendo sido acionista maioritário e CEO do Laboratório da Formação, dedicado ao desenvolvimento de competências de gestão e consultoria. Foi diretor de RH e desenvolvimento organizacional da Portugal Telecom... Ler Mais