Precisamos de envelhecer o mais lentamente possível, para garantir a nossa qualidade de vida e a daqueles que nos rodeiam. Mas não só!

Precisamos de comer melhor, para ser mais saudáveis, e fazer exercício físico, para ganharmos ainda mais saúde. Tenho de admitir que luto diariamente com este compromisso. No entanto, sei que é demasiado importante, para baixar os braços e desistir.

Sei que o meu “eu” mais saudável é um “eu” melhor a vários níveis, desde a energia à confiança. Também não nos devemos esquecer de ter uma mente saudável. Sempre procurei manter as coisas da forma mais simples, já que a nossa mente tem tendência a complicá-las. A minha técnica não é mais do que avançar rapidamente e de forma positiva. Se algo me está a dar dores de cabeça, não dou uma única oportunidade à negatividade. O passar do tempo faz com que seja mais fácil viver focado no futuro do que no passado.

É óbvio que há experiências que acontecem e que não conseguimos mudar. Os sonhos, no entanto, levam-nos a resistir a esse tipo de experiências menos boas. Neste tipo de situações menos positivas, temos de nos manter fortes, o mais à frente possível e usar essas experiências para crescermos. Muitas pessoas vivem amargamente, presas a experiências menos boas, e não são capazes de perdoar, pelo que também não são capazes de alcançar o seu verdadeiro potencial.

Por isso, digo: temos de viver intensamente e aprender a retirar dos nossos maus momentos a experiência que vivemos. Precisamos de parar, descansar, refletir e perdoar, mas não esquecer as lições. É nestas alturas que devemos ser mais fortes e continuar o caminho.

É muito triste ver e conviver com pessoas amargas e rancorosas. O pior é que passar demasiado tempo com este tipo de pessoas deixa-nos sem qualquer energia positiva. Já o tempo que despendemos com pessoas positivas, amorosas e agradecidas aumenta a nossa positividade e melhora a forma como encaramos as situações.

Por isso, recomendo: rodeie-se das pessoas certas, são elas que irão influenciar a sua felicidade.

Manter-se junto daqueles que são positivos e fugir dos que são negativos será meio caminho andado para a estrada da felicidade. Só assim será feliz!

O mundo está a tornar-se num local onde os acontecimentos surgem a uma velocidade vertiginosa. Os ciclos são cada vez mais curtos e os resultados impõem-se como imediatos. As empresas são avaliadas com base nos resultados quantitativos e os relacionamentos estão sob controlo imediato.

Na esfera política, os nossos governos apenas trabalham para a próxima eleição e não a pensar num futuro mais próspero.

Na esfera privada, o nosso consumo é imediato e conformado. Este comportamento já não é visto como uma virtude, mas como uma fraqueza. Os produtos de qualidade e com uma duração superior à necessária são referidos como os mais robustos, mas já não são encarados como sendo os melhores produtos.

O pior é que, na realidade, os produtos de consumo imediato são mais procurados do que os de longa duração. A quantidade, muitas vezes, vence a qualidade, o que deve ser repensado. O esquema é este:

Quantidade = imediato = desilusão

Qualidade = longa durabilidade = felicidade e experiência positiva

Por outro lado, experienciamos e estamos cada vez mais expostos aos media. Estamos a ser bombardeados por notícias, anúncios e programas de entretenimento, que competem pela nossa atenção, colocando o foco no dramático, no mais assustador, no mais violento e no mais chocante, e levando-nos a procurar uma contrapartida.

A “verdade” é sempre mostrada como mais dramática ou chocante do que aquilo que realmente é, o que leva a crer que a próxima notícia, programa, publicidade sejam ainda mais chocantes (breaking news).

Torna-se difícil lembrarmo-nos das coisas a que estivermos expostos ou de que tivemos conhecimento na última semana, uma vez que as notícias mais recentes são sempre muito absorventes.

Toda esta exposição tornou-nos menos humanos e a prova disso é que o terrorismo passou a fazer parte do nosso dia-a-dia. Vemos os imigrantes a morrerem na televisão e cenas de guerra a entrar nas nossas casas pela televisão.

Estamos mesmo expostos ao “lixo”, ao sensacionalismo, em que a maior parte dos programas não são mais do que o espelho da nossa realidade, aquela em que vivemos!

E é aqui que também temos de ser capazes de desligar do que é mau e refletir, pois, de outra forma, simplesmente não conseguiremos passar por cima de todo este ruído e tornar-nos-emos parte dele.

Temos de analisar, usar a nossa imaginação, melhorar as nossas teorias e crenças. Mas precisamos de tempo para as construirmos, de forma a enfrentarmos o mundo com confiança e sem hesitação.

E, ao contrário do que muitos pensam, atualmente não existem sítios perfeitos no mundo. Existem problemas em todas as partes do planeta, sejam naturais ou tenham a mão do homem. Não vale a pena estarmos a correr atrás do sítio perfeito para viver. Antes, as pessoas mudavam-se das áreas rurais para as cidades, para trabalhar e ter uma vida melhor. Acredito que isto ainda acontece, com mais de 50% da população mundial a viver nas cidades.

Mas muitas cidades estão agora a experienciar vários problemas e uma grande parte dos seus habitantes questionam-se: “estaremos a viver melhor aqui?”.  Há muitas pessoas, famílias a voltarem para as pequenas localidades, à procura de uma melhor qualidade de vida. A tendência está a mudar, até os mais ricos estão voltar para as áreas rurais.

As cidades tornaram-nos mais impessoais, uma vez que nos preocupamos apenas com as nossas vidas. O tempo para interagir com os outros, através de formas básicas de comunicação, é nulo.

Nesta “rat race” ou corrida de ratos, com a tecnologia sempre a surpreender, os media e o entretenimento perdemos o contacto humano. A perda do contacto físico tem um problema – aproxima-nos dos animais, com instintos básicos de sobrevivência.

Perdemos o nosso amor, a nossa compaixão e empatia e substituímos todos estes sentimentos por capacidades de sobrevivência que apelam ao medo, à agressividade e a atitudes que não olham a meios para atingir os fins.

Já vi isto acontecer vezes sem conta. Por exemplo, no desporto, onde já não se confia nos resultados, devido à batota, ao doping constante. Basta falarmos da FIFA, IAAF, ECF…, entre muitos outros organismos e instituições.

Os bancos tornaram-se fraudulentos em larga escala e estão envolvidos em escândalos todos os dias. Mais recentemente, na política que parecia ser uma coisa séria, deparamo-nos com uma realidade: os candidatos não confiáveis estão a ser eleitos ou, então, mantêm-se no poder.

Parece que não existem líderes que coloquem as pessoas e o que realmente importa à frente das suas decisões. De facto, parece haver poucos líderes e os que existem são fraudulentos e colocam os seus próprios interesses à frente de tudo e de todos.

Não seremos nós responsáveis por tudo o que está a acontecer, uma vez que é por causa dos nossos votos ou, ainda pior, por causa da falta dos nossos votos que estes líderes estão no poder?

Sinto que está na hora de tomar o controlo, de nos tornarmos, de novo, responsáveis pelo caminho para onde nos dirigimos. É tempo de dar lugar a caminhos honrados que foram esquecidos nos últimos anos e de torná-los novamente importantes.

Honra, honestidade, confiança e menos egoísmo devem estar, de novo, na base das atitudes dos nossos líderes, para fazerem o que é correto e o melhor para todos nós.

Só desta forma poderemos confiar neles. Precisamos de líderes com visão e experiência para tomar as decisões difíceis, mas acertadas. Temos de estar confiantes nas suas decisões, mesmo quando estas parecem ser as menos corretas. Estes líderes vão precisar da nossa paciência, uma vez que estas decisões não terão resultados no imediato, mas irão criar estruturas para um futuro mais promissor.

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Sobre o autor

Tim Vieira

Tim Vieira é empresário em Angola desde 2001, país onde possui, juntamente com o seu sócio Nuno Traguedo, um dos mais relevantes grupos de Media – a Special Edition Holding –, que emprega mais de 500 colaboradores e detém algumas das principais agências de publicidade, eventos, ativações de marca e planeamento de meios (TBWA/Angola, Original Brands, Multileme, Onmedia). Tem também empresas de media em Moçambique e no Gana. É CEO... Ler Mais