São cada vez mais as pessoas que decidem criar uma empresa. Este ano iremos provavelmente bater o recorde de empresas criadas num ano, ultrapassando o número de 37.698 novas empresas criadas em 2015. Esta tendência não se verifica apenas em Portugal. Por todo o lado vemos este crescimento.

No ano passado foram criadas mais de 100 mil em Espanha e mais de 600 mil na Inglaterra. Em 2015 foram criadas mais de 4 milhões de novas empresas na China. Há quem justifique estes números com a crise económica, mas se fosse assim porque razão a taxa de criação de empresas cresce num ano em que a economia mostra claros sinais de recuperação?

Nos últimos cinco anos tenho prestado especial atenção ao tema do desenvolvimento do empreendedorismo. Para mim, existem factores cada vez mais fortes que justificam o aumento do interesse pelo tema, sendo de destacar os seguintes:

  • Evolução tecnológica, caracterizada pelo aumento exponencial da capacidade dos microprocessadores, pela extensão da Internet a todo o planeta e pela possibilidade de comunicarmos, praticamente sem custo, com outras pessoas, independentemente do local onde nos encontramos. Em 2010 cerca de 1.8 mil milhões de pessoas estavam conectadas à internet. Em 2017 já são 3 mil milhões. Estima-se que entre 2022 e 2025 todos os habitantes do planeta estarão conectados;
  • Globalização crescente das economias, possibilitando a partilha de culturas e fomentando o desenvolvimento do comércio eletrónico. Em 2018 as compras através da Internet deverão ultrapassar os 3 mil milhões de euros, um aumento de 28% em relação a 2016;
  • Democratização do conhecimento, fazendo com que o acesso a este esteja frequentemente na ponta dos nossos dedos. Apenas nos dois últimos anos a quantidade de informações armazenadas eletronicamente aumentou quase 10 vezes e o custo de armazenamento baixou para menos de um milésimo do euro por Megabyte;
  • Expansão do capitalismo, hoje presente na quase totalidade dos países, resultando num aumento da riqueza per capita. Em 1995 o produto interno bruto per capita mundial era de 9,2 mil dólares, tendo aumentado para mais de 14 mil dólares em 2015, segundo os dados do Banco Mundial;
  • Desconfiança crescente nas instituições, como consequência dos numerosos exemplos de corrupção, cada vez mais difíceis de esconder;
  • Crescimento populacional, que combinado com a Internet, resultou na criação de novos mercados em diferentes partes do mundo, facilmente acessíveis através da Internet;
  • Maior longevidade, que faz com que pessoas com 50 anos possam considerar-se como estando a metade da sua vida produtiva.

Uma das manifestações mais interessantes da revolução empreendedora que vivemos consiste na alteração das relações de trabalho. Assistimos hoje a uma profunda mudança de paradigma. Aos poucos a preocupação em arranjar um emprego vai sendo substituída pela intenção de ter o seu próprio negócio. E mesmo os que têm emprego começam cada vez mais a estar interessados em avançar em paralelo com um negocio próprio, os chamados “side-projects”.

Há uma frase do Muhammad Yunus de que gosto muito em que ele diz “todos os seres humanos nascem empreendedores. Alguns têm oportunidade de desenvolver essa capacidade. Outros nunca a têm, nunca descobrem que ele ou ela têm essa capacidade”.

Os fatores que acima indiquei levam-me a acreditar que as oportunidades para praticar o empreendedorismo são cada vez maiores. Vivemos assim uma verdadeira revolução empreendedora, que nos poderá levar a um patamar mais alto de desenvolvimento pessoal, económico e social.

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Sobre o autor

António Lucena de Faria

António Lucena de Faria é sócio Fundador e Presidente da Fábrica de Startups, empresa criada em Abril de 2012. É também membro fundador da StartupPortugal, em representação da Fábrica de Startups. Foi o responsável pela organização e realização em 2012 e 2013 do programa Energia de Portugal. Liderou a criação e desenvolvimento de mais de 10 empresas, tendo começado o seu percurso como empreendedor com o lançamento da Methodus Sistemas... Ler Mais