Conheça três questões que, segundo Daniel Goleman e Michele Nevarez, podem melhorar o seu treino de inteligência emocional.

Depois do conceito “inteligência emocional” se ter tornado global, as pessoas mais empenhadas em estar em constante desenvolvimento começaram a tentar treinar esta parte tão importante na vida profissional.

No entanto, parece que uma boa parte não consegue levar o treino para a frente. Quem o diz é Daniel Goleman, o autor que, em 1995, trouxe o conceito de inteligência emocional às grandes massas pela primeira vez, e Michele Nevarez, coach de executivos e diretora dos programas de treino de Daniel Goleman.

Segundo o que os dois especialistas escreveram numa publicação na Harvard Business Review, as pessoas falham no treino da sua inteligência emocional por dois motivos principais: ou porque não sabem para onde devem direcionar os seus esforços ou porque não perceberam como melhorar estas competências a nível prático.

Os anos de experiência de Goleman e Nevarez levaram-nos à conclusão de que existe um método de treino fácil para aperfeiçoar esta habilidade emocional. É importante que tente melhorar em duas áreas: nos aspetos identificados pelas pessoas à sua volta e nos objetivos que tem estipulados e que quer cumprir.

Para atingir este fim, comece por se questionar sobre três coisas:

“Quais são as diferenças entre como me vejo e como os outros me veem?”

O primeiro passo do treino passa por tentar perceber as divergências entre a imagem que tem de si e a imagem que os outros têm de si – ou a sua reputação.

Isto é relevante para o desenvolvimento da inteligência emocional porque podemos ser “cegos” em relação à forma como lemos e expressamos as componentes emocionais nas interações que temos.

Se não pararmos para fazermos uma avaliação de como as outras pessoas nos veem é difícil identificar a forma como as nossas ações afetam o nosso desempenho. Pedir feedback a colegas mais próximos ou a amigos pode ser um dos métodos utilizados.

Segundo os dois especialistas, uma outra forma de trabalhar a perspetiva exterior que as outras pessoas possam ter de nós é contratar um coach. Um profissional competente nesta área poderá ajudar-nos a aprofundar o entendimento que temos de nós mesmos e procurar suposições ou narrativas pessoais que possam estar a “conspirar” contra nós sem que o consigamos perceber.

Exemplo: Apesar da maior parte das pessoas pensar que são boas ouvintes, há estudos que apontam o contrário. Sem este feedback exterior é impossível chegarmos à conclusão de que somos maus ouvintes.

“O que é importante para si?”

Depois de ter recebido feedback das pessoas mais próximas de si – ou do seu coach, caso opte por um – utilize essa informação para perceber o que pode melhorar. Contudo, não se esqueça que, apesar das críticas exteriores terem um peso relevante naquilo que deve mudar, é importante que também faça uma avaliação de quais são os seus objetivos. O que é que quer realmente melhorar em si?

A ideia é criar um plano que afunile as áreas em que recebeu uma “avaliação” negativa e os objetivos pessoais. Segundo os dois especialistas, compreender o impacto que os seus atuais hábitos têm nos seus objetivos pode ser uma forma de melhorar a sua inteligência emocional.

Exemplo: Imagine que uma pessoa próxima lhe diz que não é um bom ouvinte. Nesta situação, mesmo que considere que é um bom ouvinte, em vez de levar a crítica como um ataque, ou não “dar ouvidos” a essa pessoa, experimente recuar e tomar conhecimento dos seus objetivos. Se tiver como meta melhorar as suas relações através da comunicação, pense no que é que ouvir melhor pode trazer para essa competência. Se pensar desta forma, o feedback recebido pode ser sempre utilizado como uma oportunidade (em vez de uma ameaça).

“Que mudanças vai fazer para atingir estes objetivos?”

Depois de decidir quais são as competências em que se quer focar identifique as ações que vai tomar para tornar o seu objetivo numa realidade.

É importante que utilize todas as oportunidades para praticar a competência que está a desenvolver. A razão por trás disto é o facto de estar a treinar o seu cérebro para reagir de forma diferente às situações a que é exposto.

Exemplo: Partindo do princípio que o seu objetivo é realmente tornar-se num melhor ouvinte, uma possibilidade de mudança seria dar algum tempo para parar, ouvir o que a pessoa tem para dizer e aferir se percebeu aquilo que esta lhe quis transmitir antes de responder. Este tipo de exercícios vão, eventualmente, mudar e melhorar os seus hábitos.

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