Vivemos numa época em que a tecnologia está a revolucionar muitos setores de atividade, intermediando relações entre aqueles que têm necessidade de um determinado produto ou serviço e os que estão em condições de produzir tal produto ou de prestar tal serviço.

Os dois exemplos mais evidentes disso serão, provavelmente, o da Uber (a qual, embora seja das maiores – senão a maior – empresas na área da mobilidade, não tem carros ou motoristas próprios) e do Airbnb (que embora seja dos maiores players na área do alojamento, não possui hotéis ou empreendimentos turísticos próprios).

Mas este avanço da tecnologia também chegou à área do financiamento das empresas, em particular das start-ups.

Existem já diversas plataformas que visam fazer o link entre, por um lado, as start-ups com necessidade de levantar dinheiro para financiar os respetivos projetos e, por outro, a comunidade de potenciais investidores, apoiantes ou financiadores com capacidade e disponibilidade para colmatar tal necessidade. São um género de Tinder do mundo empresarial, onde quem tem dinheiro para gastar ou investir pode percorrer as várias oportunidades que lhe são apresentadas, até encontrar alguma que seja do seu agrado.

Para as start-up, as vantagens de recorrer a tais plataformas são evidentes. Num contexto em que a Banca impõe condições e exige garantias que nem sempre estão ao alcance das jovens empresas, a tecnologia agiliza o processo que as mesmas teriam – no passado – de percorrer para obterem o financiamento necessário ao seu crescimento.

Contudo, não se trata de “dinheiro fácil”. Antes de avançarem por esta via, as start-ups devem identificar as suas reais necessidades de financiamento, decidir o que estão dispostas a dar em troca de tal financiamento e apurar outros custos associados a este processo. Tal exercício é essencial para determinar qual dos seguintes modelos será o mais adequado:

Crowdfunding: No modelo tradicional de crowdfunding, os apoiantes de determinada start-up ou projeto apenas obterão determinada recompensa por parte da entidade apoiada. No caso de start-ups que produzem e/ou comercializam determinados produtos, tal recompensa traduz-se, por regra, numa pré-venda de tais produtos. As plataformas de crowdfunding mais conhecidas são a Kickstarter e a Indiegogo. Em Portugal, podemos também fazer referência à PPL.

Equity Crowdfunding: Neste modelo, a comunidade de investidores apoia as start-ups em troca de participações no capital social das mesmas. Ou seja, os investidores tornam-se sócios da sociedade que financiam/apoiam. É o que acontece, por exemplo, no caso da plataforma da Seedrs.

Crowdlending ou Peer-to-Peer Lending: Neste modelo, a comunidade de investidores concede empréstimos diretamente a start-ups, os quais serão remunerados de acordo com determinadas taxas que, por vezes, são determinadas em função do sucesso de tais start-ups. Exemplo disso é a KabbagePlatform e a portuguesa Raize.

Ao contrário do que sucedia no passado, se queres dinheiro já não tens de ir ao Banco. As start-ups que necessitam de financiamento têm ao seu dispor um vasto número de soluções, muitas delas proporcionadas pelos avanços tecnológicos acima mencionados. Hoje, se quiseres dinheiro, liga o computador e vai à net… o dinheiro também está on-line.

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Sobre o autor

Hugo Mendonça

Hugo Batista Mendonça é fundador da Legal Team (www.legalteam.pt). Licenciado em Direito pela Universidade Lusíada de Lisboa, em 2001, integrou no mesmo ano a PLMJ, no Departamento de Direito Imobiliário, Turismo e Construção. Em 2008, transitou para a AAA Advogados... Ler Mais