O pOw/zerO  apresenta-se como um novo tipo de conta online com a segurança de uma conta bancária e a rapidez do dinheiro vivo. João Amaral, cofundador da plataforma, explica como funciona.

Criado por dois sócios com vários anos de experiência em produtos tecnológicos, vendas e criação e expansão de novos negócios, o pOw/zerO oferece todo o tipo de pagamentos numa só plataforma, simples e grátis. Este foi mais um dos projetos vencedores do primeiro Start-Up Lab by SRS, no caso na área de fintech, e que, neste momento, está a usufruir do plano de formação e mentoria deste programa de aceleração, de forma “a fortalecer a sua posição de player disruptivo no mercado”.

Quem são os fundadores da pOw/zerO  e como surgiu a ideia de criarem este projeto?
Sou eu e a Samuara Morais (minha sócia e esposa). O projeto nasceu de uma folha em branco e tinha como único propósito criar uma forma completamente nova e gratuita de ter e usar dinheiro. Surgiu por uma enorme insatisfação pela desadequação dos atuais serviços de pagamento/banca oferecidos aos clientes. Acreditamos que faz falta uma nova alternativa que responda à taxa incrivelmente alta de pagamentos em dinheiro na União Europeia (70% pelos dados do BCE – 2018). Os atuais métodos oferecidos pela banca não são essa solução.

O Pow Zero afirma-se como um novo tipo de conta para pagamentos, físicos ou online, com a segurança de uma conta bancária. Como funciona exatamente?
O pOw/zerO é uma nova plataforma para ter e usar dinheiro (p2p, online, lojas físicas, faturas, bilhetes, etc.) que tem um onboarding imediato de cinco segundos e que permite uma validação de conta gradual. Isto é, permite criar instantaneamente e usar uma nova conta em cinco segundos para fazer todo o tipo de pagamentos e receber, de forma 100% grátis, e que poderá ser convertida numa verdadeira conta bancária em 15-20 segundos, assim que o utilizador se aproxime dos limites legais estabelecidos para a operação de uma conta com KYC simplificado.

Ao contrário de uma normal conta bancária, pode ser carregado 24/7/365 em qualquer loja que aceite o pOw/zerO e o saldo fica disponível no mesmo momento, permitindo ao utilizador gastá-lo de imediato. Por não haver na sua génese custos inerentes às transações entre contas (algo que é impossível para bancos e operadores pelos custos associados ao sistema SEPA/TIPS), o pOw/zerO possui um modelo de negócio altamente disruptivo e que permite uma utilização 100% gratuita para o utilizador, tendo inúmeras fontes potenciais de receita que são impensáveis para os atuais sistemas bancários, de pagamentos e cartões. A grande disrupção do sistema não é apenas na utilização, mas na própria génese e no seu gigante potencial. Tudo cumprindo as regras do BdP e do BCE.

Não adianta ter o melhor produto do mundo se não o conseguirmos levar ao utilizador.

Em que fase se encontra o projeto?
Está na fase de desenvolvimento, mas, mais importante, está na fase de angariação de parceiros críticos e de investimento para o lançamento. Como somos um mass product para o consumidor final, é expetável que a promoção da plataforma para angariação de utilizadores seja o grande destinatário dos custos de investimento. Não adianta ter o melhor produto do mundo se não o conseguirmos levar ao utilizador.

Qual vai ser o modelo de negócio da vossa plataforma?
É acima de tudo b2b. Ou seja, a nossa receita provém essencialmente da disponibilização de serviço de pagamentos a comerciantes e entidades prestadoras de serviços. Estão já identificados mais de 40 fontes de receita para serem implementadas ao longo de 4 a 5 anos, que vão desde o pagamento na loja física, na loja online, pagamento de faturas, bilhetes de transporte, entre muitos outros. A outra fatia do modelo de negócio é virada para o b2c e representa a oferta de features premium aos utilizadores, como cartões de crédito virtuais e gestão de contas bancárias através do pOw/zerO (PSD2 – PISP/AISP). Todas as feature-base do pOw/zerO são 100% grátis.

O que procuram no StartUp Lab? Porque se candidataram a este programa de aceleração?
Como uma empresa com produtos altamente disruptivos e no limiar do quadro legal pela sua inovação perante o que se conhece atualmente, temos na componente jurídica e legal um dos fatores mais críticos para a nossa atividade. Assim, e como parceiros desde o início da SRS, foi para nós prioridade máxima fazer parte deste primeiro programa de aceleração SRS Startup Lab. Acreditamos que o efeito de networking e o feedback direto dos mentores irão sem dúvida fortalecer-nos como player disruptivo no mercado. Gostamos de desafios e colocar o nosso produto e as nossas crenças perante este naipe de formadores e mentores será sem dúvida uma motivação extra.­­­­­

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O que esperam alcançar depois de concluído o período de formação e mentoria?
Esperamos sair com uma equipa e produto fortalecidos e com uma rede de contatos mais rica e diversificada. Preferencialmente ainda mais prontos a lançar o produto.

De que forma a vossa plataforma pode revolucionar o ecossistema nacional das fintech?
Queremos ser um agente de mudança, um catalisador. E acima de tudo queremos construir uma base, um ecossistema, em cima do qual poderá ser criada por terceiros, uma infinidade de serviços para o consumidor e para os negócios, com vista à eliminação de barreiras à utilização do dinheiro e dos pagamentos. Focamo-nos essencialmente em dois aspetos: a poupança de dinheiro e, acima de tudo, a poupança de tempo relativamente aos processos atuais. Queremos que os nossos consumidores sejam (ainda) mais felizes!

Queremos acabar com uma tecnologia milenar (dinheiro físico) e acreditamos que é um objetivo altamente disruptivo.

Qual a vossa ambição para este projeto?
A nossa ambição não tem qualquer limite. Queremos ser nos próximos anos a principal alternativa ao dinheiro físico em toda a zona Euro. Queremos muito mais que não podemos revelar. Mas uma coisa podemos afirmar com toda a certeza: a vida dos nossos utilizadores/negócio vai ser muito mais fácil e barata daqui a alguns anos, se conseguirmos concretizar tudo o que temos planeado, num nível inimaginável ao dia de hoje. Queremos acabar com uma tecnologia milenar, o dinheiro físico, e acreditamos que é um objetivo altamente disruptivo.

A internacionalização está nos planos?
Desde a sua génese, o pOw/zerO foi construído para a internacionalização. O nosso mercado é a Europa, a zona Euro, porque, como europeus, conhecemos muito bem as nossas “dores”. Acreditamos que numa primeira fase devemos otimizar ao máximo o Euro, e apenas evoluir para outros mercados e divisas quando o desenvolvimento da nossa plataforma no Euro atingir cerca de 80% da sua evolução expetável.

Respostas rápidas:
O maior risco
: a mentalidade “pequena” de alguns potenciais players do mercado.
O maior erro: não acreditamos em erros, mas sim em lições aprendidas.
A melhor ideia: começar um projeto por aquilo que os utilizadores querem.
A maior lição: a inércia e a vontade de deixar tudo como está são demasiado comuns no mercado atual.
A maior conquista: a base legal para poder fornecer o produto como foi pensado.

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