Bruno Ribeiro é CEO e sócio fundador da Boost IT, tecnológica portuguesa criada há três meses e que conta com os empresários Tim Vieira e Manuel Tarré na equipa. Para este primeiro ano, o objetivo é tentar faturar um milhão de euros.

A Boost IT é participada pelo empresário Tim Vieira, conhecido do público português pela sua participação na primeira temporada do Shark Tank, por Manuel Tarré, dono da Gelpeixe, e pretende assumir-se como uma empresa líder no seu setor.

“Somos uma empresa recente no mercado, porém toda a equipa que constitui a Boost IT é muito experiente, com mais de 10 anos de atividade no mercado tecnológico”, afirma Bruno Ribeiro que ao longo de mais de 14 anos trabalhou numa grande instituição bancária, Banco Cetelem, onde desenvolveu competências de vendas, gestão de risco e marketing, e na Elevus, empresa especialista em recrutamento, onde assumiu funções de Top Management.

A empresa procura centrar-se na capacidade de inovação e de proporcionar uma verdadeira evolução na carreira das pessoas. “A área mais representativa é a chamada área de outsourcing, em que estamos a prestar serviços especializados aos clientes que não possuem as competências para desenvolver determinado produto ou ideia”, explicou o CEO da empresa em entrevista ao Link To Leaders.

Como surgiu a Boost IT?
Cada um dos sócios fundadores já tinha a ideia de que haveria espaço para uma tecnológica em Portugal, assente em valores fortes e com uma cultura virada para a inovação. A partir desse ponto, começámos a traçar um plano concreto para trazer o nosso sonho à realidade. Durante esse processo tivemos a felicidade de passar por muitos momentos interessantes e intensos, tais como discutir com investidores a melhor forma de financiar a Sociedade.

Felizmente podemos dizer que soubemos reunir as pessoas certas para dar início à Boost IT, aliás, o nome deriva precisamente da força que os nossos sócios e investidores nos deram e que agora pretendemos passar essa mesma energia para o mercado. Sentimos um orgulho muito grande por contar com sócios como o Tim Vieira (com a sua equipa), conhecido do público português pela sua participação no Shark Tank e também por ser um empreendedor e empresário de elevadíssimo sucesso, e pelo Manuel Tarré, também uma figura incontornável na atualidade económica de Portugal.

Iniciámos a atividade em abril de 2018. Somos uma empresa recente, porém toda a equipa tem mais de 10 anos de experiência no mercado tecnológico.

Como estão a correr os primeiros meses da empresa?
Iniciámos a atividade em abril de 2018. Somos uma empresa recente, porém toda a equipa tem mais de 10 anos de experiência no mercado tecnológico. A experiência combinada da equipa de gestão permite-nos fornecer soluções tecnológicas numa abrangência muito grande. A Boost IT foi planeada ao mais ínfimo detalhe. Não estamos a navegar à vista, mas sim com um plano bem traçado e com ferramentas para medir o sucesso da nossa estratégia. Os investidores exigem-nos muito rigor e ponderação, e todas as decisões são estrategicamente pensadas e discutidas pelo management da empresa.

Com o pouco tempo que temos de mercado, e para quem começou sem qualquer cliente, podemos dizer que os três primeiros meses foram muito melhores que o nosso próprio plano, o que vem confirmar a aceitação do mercado às nossas ofertas. Neste momento, com os contratos que já temos assinados (de longa duração) podemos confirmar que o primeiro ano vai ficar acima do previsto. A nossa vontade é trabalhar sempre com clientes e projetos que tenham um significado importante para a sociedade e que as pessoas sintam que estão a contribuir para algo maior que elas mesmo. Enquanto realizamos esses projetos, em parceria com os clientes, queremos também garantir que o fazemos com recurso às melhores ferramentas, tecnologias e práticas que existem no mercado.

A própria equipa de fundadores é motivada pela procura pela excelência. Costumamos dizer que todos tínhamos bons empregos e foi preciso uma certa dose de coragem e determinação para nos lançarmos na Boost IT. Efetivamente sentimos que era nossa responsabilidade fazer mais e melhor pelo desenvolvimento tecnológico em Portugal, de forma a que os clientes possam ter um parceiro enérgico e confiável.

Quais as áreas de maior aposta da empresa e o porquê?
A Boost IT é uma tecnológica que está organizada para servir as várias necessidades dos clientes. Ao dia de hoje, a área mais representativa é a de outsourcing, em que basicamente, estamos a prestar serviços especializados aos clientes nos casos em que não possuem, pelas mais variadas razões, as competências para desenvolver determinado produto ou ideia.

O que verdadeiramente me interessa é garantir que a Boost IT seja reconhecida como a melhor empresa a prestar serviços de outsourcing, não a maior, mas a melhor. Posso afirmar que a nossa estratégia passa por garantir soluções com a máxima qualidade e máxima rapidez, daí começarmos já a ser conhecidos como a mais enérgica e confiável empresa a atuar em Portugal.

Fizemos um trabalho exaustivo para compreender quais são as razões pelas quais as pessoas mudam de emprego, aceitam novos empregos ou mantém-se nos seus empregos.

De que forma pretendem revolucionar a área de recrutamento em Portugal?
Aquilo que estamos a fazer é criar disrupções com o modus operandi dos principais players. Ou seja, muitas das empresas que atuam no nosso setor têm mais de 10 anos, muitas vezes a repetirem receitas umas das outras. Ora o mercado mudou mais nos últimos seis meses do que provavelmente nos últimos três anos, e, provavelmente vai mudar mais no próximo ano do que aquilo que mudou no último. Há que ter uma capacidade de adaptação muito grande.

A Boost IT foi fundada numa altura de mudança de mercado, o que nos obrigou a quebrar com tudo o que estava “escrito na pedra” e pensar fora da caixa. Está no nosso DNA.

Fizemos um trabalho exaustivo para compreender quais são as razões pelas quais as pessoas mudam de emprego, aceitam novos empregos ou mantém-se nos seus empregos. Durante a fase de planeamento, ainda a Boost IT não estava sequer constituída, analisámos muitas entrevistas e conseguimos perceber aquilo que o mercado pede atualmente, assim como as principais tendências.

Definimos aquilo que são as grandes razões pelas quais conseguimos atrair talento. Nesse aspeto, penso ser justo dizer que estamos a ser pioneiros, ou seja, ninguém deve ter feito um estudo tão aprofundado como o nosso para descobrir as verdadeiras motivações das pessoas

Para dar um exemplo concreto: sabemos que a sociedade está a caminhar no sentido de haver mais empreendedores, algo que também ficou bem claro no nosso estudo. Então a Boost IT está inserida num dos mais relevantes grupos de empreendedorismo em Portugal, o que significa que hoje um colaborador nosso pode estar alocado a um projeto de um cliente, e amanhã pode estar a fazer um pitch a um “shark” e a tornar-se empreendedor. A cultura que temos visa incentivar o empreendedorismo, o que pode provocar alterações profundas na sociedade e nos negócios.

Dentro do setor das grandes empresas posso dizer que seis das vinte empresas cotadas em PSI 20 são nossas clientes.

Quem são os clientes da Boost IT neste momento?
Felizmente, em três meses conseguimos assegurar uma base muito sólida de clientes. Dentro do setor das grandes empresas posso dizer que seis das vinte empresas cotadas em PSI 20 são nossas clientes. Do outro lado do espectro, trabalhamos também com start-ups, que muitas vezes necessitam de tecnologia de ponta para se conseguirem impor no mercado e encontram na Boost IT a solução indicada. Não diferenciamos um cliente do outro apenas porque é maior, porque para nós o que interessa são os projetos. Esses sim, são o mais importante para nós.

Qual a função ou funções mais solicitadas pelos clientes da Boost IT?
Atendendo a que a Boost IT é uma consultora tecnológica, as funções mais solicitadas estão sempre relacionadas com tecnologia. Em termos de desenvolvimento de software, temos soluções em Java, PHP, RoR, .Net, JavaScript, C, C++, Scala, React, IOS, Android, Python ou angular, entre outras.

Se entrarmos no campo do Business Inteligence, temos capacidade de resposta em SAS, SQL Server, OBIEE e IBM. Dentro dos CRM e ERP, conseguimos responder a necessidades de SAP, MS Vision, oracle, SalesForce, Siebel ou MS Dynamics. Em termos de gestão de projeto, temos competências em PM, PMO, Scrum e Agile.
Apesar de termos mais competências em certas áreas, a nossa função core é perceber de engenharia de software e usar a tecnologia como uma ferramenta.

Quanto preveem faturar?
No primeiro ano vamos andar na casa de um milhão de euros, no somatório entre o mercado doméstico e o mercado internacional.

Quais os planos da empresa até ao final de 2018?
Até ao final do ano vamos estar concentrados em continuar a servir os clientes que temos o melhor possível, vamos aumentar a equipa de gestão e continuar a ativar a marca Boost IT em Portugal. Dentro da nossa estratégia de proximidade das comunidades tecnológicas vamos continuar a patrocinar eventos e a contribuir ativamente para o desenvolvimento das comunidades tecnológicas. Ao nível da gestão de pessoas, estamos a implementar um sistema baseado nas metodologias Agile, o que nos permite manter as pessoas muito perto da gestão e conseguimos atuar rapidamente, pois fazemos reuniões diárias e temos ciclos de implementação de duas semanas, os chamados sprints.

Temos uma surpresa preparada para apoiar a Seleção Nacional de Futebol, que passará por um convite geral às comunidades tecnológicas para que se juntem à Boost IT e venham apoiar a Seleção na BoostZone, que fica localizada no nosso rooftop, no Parque das Nações.

Que iniciativas têm em carteira?
Temos algumas, mas para já não quero adiantar muito. Posso apenas dizer que vamos ter notícias ao nível da equipa de top management e que, em breve, vamos anunciar quem vai ocupar o cargo de COO, entre outras novidades também dentro do top management.

De resto, temos uma surpresa preparada para apoiar a Seleção Nacional de Futebol, que passará por um convite geral às comunidades tecnológicas para que se juntem à Boost IT e venham apoiar a Seleção na BoostZone, que fica localizada no nosso rooftop, no Parque das Nações.

Estamos a organizar uma conferência, que terá lugar ainda antes do verão, onde vamos explorar o impacto do machine learning e da inteligência artificial nos testes de software, e que acho que vai ser muito interessante.

Como vê a Boost IT dentro de cinco anos?
Daqui a cinco anos acreditamos que a Boost IT será uma das empresas de referência em Portugal. Queremos olhar para trás e sentir orgulho em tudo o que fizemos e sentir que realmente conseguimos contribuir e construir uma empresa que é diferenciadora neste mercado tão competitivo.

Apesar da evolução dos últimos anos, Portugal ainda não é visto como um mercado tecnológico de topo. O que é preciso para aumentar a reputação do país?
Na minha opinião é preciso que as empresas do nosso setor, especialmente as que têm verdadeiras práticas de procura pela excelência, saibam cooperar e trabalhar juntas no sentido de desenvolver o sector a nível internacional.

Neste momento existe já um grupo de empresas, da qual a Boost IT faz parte, algumas com bastante peso, que reúnem e falam no sentido de aumentar a cooperação e elevar o nome de Portugal no panorama geral da tecnologia.

Será justo afirmar que já se caminha no sentido certo, embora ainda haja alguns exemplos que nada dignificam Portugal nos mercados internacionais.

Respostas rápidas:
O maior risco:  Não conseguir comercializar as nossas ofertas, mas felizmente o mercado aceitou muito bem as nossas ideias.
O maior erro: Não termos começado um pouco mais cedo, mas não existe nenhum erro que hoje seja possível de apontar como grave.
A melhor ideia:  A Boost IT e as pessoas que a constituem.
A maior lição: Nos momentos mais duros sabemos quem está connosco de corpo e alma. Essas são as pessoas que vale a pena ter e manter.
A maior conquista: O não fazermos cedências nos nossos valores e na nossa cultura.

 

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