“Leader’s most important job is to connect people to their purpose”, Joe Robles, USAA CEO. Falar sobre empresas é falar sobre talento. Falar sobre talento é falar sobre retenção. Falar sobre retenção é falar sobre motivação. Falar sobre motivação é falar sobre propósito.

A retenção de talento é sem dúvida um dos temas de que mais se fala na atualidade. Estão claros para todos, os custos associados a contratar boas pessoas, assim como os custos de as perder. No entanto, a lógica de retenção é muitas vezes pensada como uma mera transação económica, em que a empresa paga um valor pelo número de horas de uma pessoa. Nesta lógica de transação, a retenção é uma batalha perdida. Se uma outra empresa oferecer um valor mais elevado pelo tempo de um colaborador, a troca de uma empresa por outra é quase imediata.

E como é que se consegue quebrar este ciclo? Criando uma organização em que as pessoas sentem que o seu trabalho tem um propósito maior, para lá do retorno financeiro para a empresa. Uma organização em que as pessoas sintam que o seu trabalho tem um impacto positivo no Mundo, motivando-as a terem um papel ativo como agentes da mudança.

Assim, mais do que a pura definição do que uma pessoa faz, é importante definir porque é que faz o que faz. E mais do que definir porque é que faz o que faz, é crucial convidar as pessoas a integrarem o propósito da organização, dando-lhes espaço para serem criativas na resolução dos problemas.

E porque é importante ter um propósito? Existe um conjunto importante de razões sendo que, em termos globais, está provado que as organizações com um propósito convenientemente comunicado e vivenciado, têm retornos no curto e no longo prazo. No curto prazo, conseguem colaboradores mais motivados, mais comprometidos e consequentemente mais fiéis à organização. No longo prazo, de acordo com o estudo de Gartenberg, conseguem melhores resultados operacionais e maior valorização das ações.

Este mesmo estudo refere que é possível atingir os resultados atrás enumerados, se a comunicação do propósito for clara e vier acompanhada pela definição da visão. Para além disso, realça a importância do middle-management, na definição e implementação do propósito, dado serem eles que tomam as decisões no dia-a-dia, garantindo o alinhamento com a visão.

Assim, se quer desenvolver uma organização, em que as pessoas queiram permanecer, existem alguns elementos que não deverão ser esquecidos:

  • Concentre-se no porquê;
  • Envolva a organização na definição do propósito. Ceda à tentação de achar que este é um exercício que pode ser feito ao nível do topo da empresa, com recurso a consultores;
  • Dê voz ao middle management e garanta que se tornam embaixadores do propósito;
  • Promova a autonomia e a responsabilidade;
  • Estimule a criatividade, motivando as pessoas a encontrarem as melhores soluções;
  • Estimule o desenvolvimento dos colaboradores, dotando-os das ferramentas necessárias para se tornarem na melhor versão de si próprios;
  • Garanta que todos entendem o seu papel na organização;
  • Dedique tempo à comunicação clara do propósito;
  • Crie vídeos, posters, concursos que materializem o propósito;
  • Viva o propósito!

Ao criar uma organização com propósito, está a criar uma organização que acrescenta valor aos seus colaboradores, aos seus clientes e à sociedade em geral. E, ao fazê-lo, está a criar uma organização em que os colaboradores se sentem bem, onde gostam de trabalhar e de onde não querem sair.

Mas não se esqueça que, para criar uma organização com propósito não basta aceder à razão. Terá que estar disposto a usar o coração!

“A good head and a good heart are always a formidable combination”, Nelson Mandela

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Sobre o autor

Anabela Possidónio

Anabela Possidónio é Integral Coach, certificada pela ICF. Entre 2013 e 2018 foi diretora executiva do The Lisbon MBA Catolica|Nova, tendo contribuído para o processo de internacionalização do melhor MBA de Portugal, considerado pelo Financial Times o melhor em International... Ler Mais