É preciso investir muito e é preciso ter um vasto conhecimento sobre investimento antes de se tornar num business angel? Saiba mais sobre estes e outros mitos criados em redor do investidor privado.

Quando se fala em investir como business angel, surgem alguns mitos, por vezes derivados de programas como “Shark Tank”, como o de que, para financiar empresas em estádios iniciais de desenvolvimento, precisa de ser um multimilionário, um magnata do imobiliário, dono de equipas desportivas ou de cadeias hoteleiras internacionais.

Mas tudo isto não passa de um mito, que nada tem a ver com a realidade.

Paul Clack, managing director da VentureSouth, atualmente com 52 empresas no portefólio e mais de 1100 investimentos, partilha na UBJ Innovate os quatro mitos ligados ao ser-se um business angel.

Mito 1: Os business angels são criaturas raras e pouco habituais

Realidade: Fora dos programas do “Shark Tank”, os investidores são mais numerosos do que pode pensar e cada um investe muito menos capital do que pensa.

Em Portugal, o estatuto de business angel confere ao investidor a possibilidade de aceder a fundos comunitários de apoio aos seus investimentos, para além de poder usufruir de alguns benefícios fiscais no futuro. O registo pode ser feito na Comissão do Mercado de Valores Imobiliários (CMVM) ou pode contactar uma associação de business angels e pedir a sua integração como associado. Esta ação permite-lhe ter não só a acreditação, como também apoio nas decisões de investimento e em processos burocráticos de obtenção de apoios e benefícios.

Mito 2: É preciso investir muito para se ser um investidor eficaz

Realidade: Mais uma vez, não é verdade. Não precisa de milhões de capital investido, para gerar retornos positivos em empresas em fase inicial. Considere os investimentos feitos por business angels em grupos da VentureSouth como UCAN em Greenville, Electric City Angels em Anderson e Spartanburg Angels. Na VentureSouth, nunca há obrigação de investir e o investimento mínimo é de apenas 5 000 dólares.

É sensato investir pequenas quantias, uma vez que o investimento é arriscado: na maior parte dos investimentos individuais, perde-se algum dinheiro. É apenas através de uma carteira diversificada de “muitas pequenas apostas” que, em média, um investimento como business angel se torna num investimento atrativo. Se assumir 10 investimentos de 5 000 euros cada, poderá criar uma carteira diversificada de investimentos, num investimento total de 50 000 euros. Não milhões de euros.

Mito 3: Construir um portefólio leva muito tempo

Realidade: Em muitas áreas – incluindo até recentemente o Upstate – isto era provavelmente verdade. Mas hoje há vários grupos de business angels que se associam. É o caso da VentureSouth que tem hoje 13 diferentes oportunidades de investimento aberto – desde novos planos de negócio que estão a financiar, até empresas já existentes e que estão a levantar capital adicional, para acelerar o seu crescimento. Por isso, se se quiser juntar hoje, poderá já ter uma carteira de investimentos diversificada, antes mesmo de terminar as suas compras de ano novo.

Mito 4: É preciso ter um vasto conhecimento sobre investimento antes de se tornar num business angel

Realidade: Novamente falso. Só menos de um terço dos membros que se juntam aos grupos de investimento da VentureSouth, foram investidores antes – o que significa que a maior parte dos novos business angels estão a tornar-se investidores pela primeira vez. Mas nenhum deles é atirado aos leões quando se junta. O apoio das associações e os abrangentes materiais educacionais e ferramentas de informação que podem ser facultados, bem como a mentoria dos membros mais experientes, ajudá-lo-ão a fazer investimentos conscientes e prudentes.

Caso se tenha revisto nestes quatro mitos, talvez 2017 seja um bom momento para mudar do canal do “Shark Tank” para o do investidor na vida real.

 

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