Eunice Maia, Ana Filipa Sobral e Joana Benzinho, mulheres com projetos em prol do ambiente, são as vencedoras da 10.ª edição do Prémio Terre de Femmes.

A Fundação Yves Rocher anunciou as três eco-cidadãs de 2019 do Prémio Terre de Femmes e este ano a grande vencedora foi a responsável pelo projeto Maria Granel que levou para casa o primeiro lugar, com uma recompensa no valor de 10 mil euros.
Trata-se de Eunice Maia, uma professora de origem minhota que, com o objetivo de combater o desperdício alimentar e a produção de resíduos, numa altura em que o combate ao plástico se começava a popularizar, pôs mãos à obra e criou, em 2013, a Maria Granel. Consiste numa mercearia sem plásticos, pioneira ao dispensar totalmente as embalagens de plástico e a vender exclusivamente a granel produtos 100% biológicos, certificados e livres de organismos geneticamente modificados (OGM), respeitando os solos e o ritmo das estações do ano e da terra. Seis anos depois, ganhou o galardão de primeira ‘Zero Waste Store’ europeia.

Para Eunice Maia ser empresária é um meio para contribuir para a redução da pegada ambiental e para assegurar a sustentabilidade do ecossistema. A fundadora da “Maria Granel” vai agora representar Portugal na corrida ao Grande Prémio Internacional, numa competição que reunirá as vencedoras dos primeiros lugares dos restantes países onde existe o Prémio Terre de Femmes, concretamente, Alemanha, Espanha, França, Itália, Marrocos, México, Rússia, Suíça, Turquia e Ucrânia.

O 2.º lugar do Prémio foi atribuído à bióloga portuguesa Ana Filipa Sobral pelo desenvolvimento da primeira base de dados fotográfica de jamantas chilenas em todo o mundo – uma espécie de raia pouco conhecida que todos os anos “visita” os Açores.
Com objetivo de aumentar o conhecimento sobre estas espécies e contribuir para a sua preservação, Ana Filipa Sobral criou, há sete anos, o projeto “Manta Catalog Azores“. Desafiou mergulhadores, turistas e comunidade local a vestir a pele de “cidadãocientista”, através da recolha de imagens sempre que avistassem uma jamanta, fosse em fotografia ou vídeo.
Dessa forma, e devido às marcas e padrões únicos que se encontram na face ventral de cada um destes animais, que podem ser usados como verdadeiras impressões digitais, seria possível construir uma base de dados com informação precisa acerca da constituição da população, bem como dos movimentos migratórios da mesma. Desde o início do projeto, Ana Filipa Sobral já reuniu mais de dois mil mergulhos de “cidadãos/cientistas”, cinco mil fotografias e 58 horas de vídeo.

O 3.º prémio foi para a eco-cidadã do ano foi para Joana Benzinho. É fundadora e presidente da Afectos com Letras, ONGD que concentra a sua atividade na Guiné-Bissau, e, numa das muitas viagens que fez a este país, chamou-lhe a atenção o facto de muitos habitantes das aldeias se dedicarem ao cultivo do arroz, sendo a sua descasca uma tarefa bastante penosa, feita manualmente e geralmente por mulheres e meninas. Assim, esta portuguesa instalou descascadoras de arroz, de uso comunitário, nas aldeias de Barambe, Blequisse e na ilha de Jeta. Ao criar tempo, permite que as mulheres se possam dedicar a outras atividades económicas e que as meninas voltem à escola e recebam educação em iguais circunstâncias que os meninos.

Os galardões, no valor total 18 mil euros, foram entregues a estas ecoempreendedoras na última sexta-feira, 29 de março, num evento que contou com a presença de Marie-Anne Gasnier, responsável da Fundação Yves Rocher, associações e ONG, representantes políticos e antigas laureadas.

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