A Sakthi Portugal fez recentemente vários investimentos em Portugal, no âmbito do projeto Butterfly. Falámos com o CEO da empresa de capitais indianos para saber quais os planos para o nosso país.

A Sakthi Portugal investiu recentemente 36 milhões de euros na SP21 em Águeda, unidade que integra o projeto Butterfly, que sintetiza a estratégia de crescimento da empresa a 20 anos e que procura antecipar as necessidades dos construtores e diversificar a atividade de fundição a áreas de valor acrescentado. O investimento global previsto para o projeto é superior a 80 milhões de euros.

Falámos com Jorge Fesch, CEO e chairman da Sakthi Portugal, sobre a inovação da empresa, os investimentos efetuados e o crescimento do negócio, daquela que foi considerada a fornecedora do ano de 2016 pela Continental na área dos chassis e componentes de segurança.

Como tem a Sakthi Portugal inovado no seu setor de mercado?
No nosso setor de atividade inovamos pela eliminação do acabamento da peça fundida, passando para montante o conhecimento que permite tal resultado, reconhecido como benchmark. Inovamos pela criação duma base de dados, também única, hoje com mais de mil milhões de dados, que, combinada com aplicações inteligentes, nos permite atuar num registo preditivo conduzindo a zero rejeições e a zero reclamações. Este abre também a fronteira na criação de ligas dedicadas permitindo uma atuação sólida na redução do peso e na otimização do design.

A Sakthi Portugal é detida pela Sakthi Índia e exporta 100% da sua produção. O que os levou a criarem a Sakthi Portugal?
A representação continental do grupo e posicionarem-se assim como player global.

Qual o montante já investido no país?
Para além do investimento na aquisição da Sakthi Portugal, o grupo investiu mais recentemente 36 milhões de euros na SP21 em Águeda, integrado no projeto Butterfly. Este projeto representará um investimento global superior a 80 milhões de euros.

Para qual mercado mais exportam?
Para a Alemanha.

Pretendem atingir os 240 milhões de euros em vendas até 2020. O que tem sido feito nesse sentido?
A atividade da casa mãe, Sakthi Portugal, que representa 110 milhões de euros, será acrescida da SP21 a pleno com 100 milhões de euros, a entrada em funcionamento da Sakthi Machining que, até 2020, poderá representar 75 milhões de euros. Acrescerá o alumínio com início em 2018.

Apresentam-se como uma empresa de pessoas para pessoas. Como concretizam esta máxima?
A pessoa e o seu grau de satisfação é a nossa principal tarefa. Uma equipa entusiasmada e dedicada oferecerá ao nosso cliente a diferença pela proximidade, pela criatividade e pelas novas soluções. O grau de atratividade da empresa aumentará com novas oportunidades, com novos volumes e com novos e aumentados resultados.

Quais os maiores desafios que enfrentaram nos últimos anos?
Eliminar os “problemas de ontem”, evitando a recorrência. A energia liberta-se para a melhoria contínua e para a inovação.

Como vê o ecossistema empreendedor português?
Com um déficit de líderes e com um deficit de gestão. E com a impossibilidade de criação de um master plan nacional.

Que dicas partilha com os empreendedores nacionais?
Ser número 1 no Gemba [local onde se cria valor na empresa]; ter uma organização tão horizontal quanto possível; trazer conhecimento para dentro de casa com parcerias; criar uma War Room, um espaço visual do pensamento; fomentar a melhoria contínua como modo de vida; perpetuar o cumprimento da norma com resiliência; inovar; ter uma proximidade com todos e em particular com a equipa e com os clientes; atuar preditivamente; manter uma ligação próxima à universidade; trabalhar incessantemente; e estar apaixonado. São estas as 12 instruções da Sobrevivência.

Foram os vencedores do prémio Kaizen Lean “Excelência na Estratégia de Crescimento.” O que está na base da atribuição deste prémio?
Acreditamos estar relacionada com a Visão, com a execução do plano e com a importância da Pessoa em toda a linha do projeto.

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