O programa Nacional Conexão Startup Indústria, da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, consiste num conjunto de ações para promover o desenvolvimento da indústria brasileira através da união com jovens empresas. A edição de 2018 será lançada em novembro, durante o WebSummit, em Portugal.

A start-up gaúcha Regenera Moléculas do Mar, que há sete anos faz pesquisa marinha para o desenvolvimento de produtos, ganhou mais experiência com as vendas e processos burocráticos no ano passado com a Natura, gigante brasileira de cosméticos.

Com uma equipa de nove investigadores das áreas de química, biologia, biomedicina e biotecnologia, a empresa tinha dificuldade na divulgação dos seus produtos. “Com a Natura, aprendemos a transformar a linguagem do investidor num discurso mais atraente para o mercado”, explica Mario Frota Junior, diretor-presidente da start-up.

Para estabelecer contato com a indústria, a Regenera participou no “Programa Nacional Conexão Startup Indústria”, da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), em 2017. O projeto consiste num conjunto de ações para promover o desenvolvimento da indústria brasileira através da união com jovens empresas, como a de Frota Junior.

Na prática, as duas empresas saem a ganhar: a grande indústria — que pode comprar produtos e serviços com tecnologia de ponta do Brasil — e a empresa de pequeno e médio porte, que ganha experiência e escala de vendas e torna-se mais competitiva no mercado.

A Regenera, por exemplo, fechou contrato com a Natura após ter participado no programa da ABDI. “Com base no que recolhemos do mar, fazemos pesquisas que podem dar origem a produtos, como o que estamos a desenvolver para a indústria de cosméticos”, explica o empresário, que também é o mergulhador responsável pela coleta do material marinho.

Com investimento em inovação e a ajuda de entidades setoriais, a faturação da start-up de biotecnologia deve terminar este ano 10 vezes maior do que a registada em 2017.

Inovação chega a Portugal
Redução de custos e aumento de competitividade são os maiores ganhos da ligação que existe entre indústria-pequeno negócio, na análise de Luiz Augusto Ferreira, presidente da ABDI. “Cerca de 30% das start-ups selecionadas para o programa de 2017 estão a fechar negócio com as indústrias parceiras”, calcula Ferreira.

Para a edição deste ano, o programa foi reformulado e será pré-lançado em novembro no nosso país, durante a conferência internacional de tecnologia WebSummit.

O novo programa, agora chamado de Startup Indústria 4.0, prevê a expansão internacional, acordo bilateral com Portugal e 4,8 milhões de reais (1,08 milhões de euros) em investimentos para as start-ups selecionadas.

Este ano, 30 indústrias vão participar no projeto, 150 jovens empresas serão escolhidas e 60 delas terão contacto com as gigantes do setor e receberão 80 mil reais (cerca de 18 mil euros) em prémio para investimento em inovação. Das 30 companhias parceiras, três serão de Portugal.

“Portugal é a porta de entrada de brasileiros na Europa e não tem a barreira do idioma. Além disso, o país é considerado o terceiro melhor do mundo para se abrir uma empresa”, afirma Ferreira.

Junto com representantes da ABDI, participarão no evento start-ups que integraram a edição 2017 do programa e têm faturação mensal acima de 1 milhão de reais (0,22 milhões de euros).

“O objetivo do evento é fazer negócios. As start-ups não precisam de conhecer o ecossistema de um país, precisam sim de fechar contratos, fazer dinheiro”, conclui Ferreira.

Após o evento, a agência vai começar a formalizar parcerias de jovens empresas brasileiras com o Japão.

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